quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A Alienação Vai às Urna

 

O ano de 2026 chegou. Para muitos brasileiros, a expectativa gira em torno da Copa do Mundo, que será disputada entre 11 de junho e 19 de julho, em 16 cidades-sede espalhadas por México, Estados Unidos e Canadá. Sem dúvida, trata-se de um dos eventos esportivos mais prestigiados do planeta. Ainda assim, não provocará qualquer mudança concreta na vida da população. Em contrapartida, nos dias 4 e 25  de outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher seus representantes. Nos 26 estados e no Distrito Federal, serão eleitos dois senadores, deputados federais, deputados estaduais e o presidente da República. Diferentemente do espetáculo futebolístico do meio do ano, as eleições moldam o futuro da nação. Pelo voto, o eleitor escolhe, entre opções autorizadas, quem irá governá-lo por um período limitado. Isso se chama democracia. Essa escolha, porém, não deveria ser um salto no escuro, nem refém de impulsos ideológicos. O discurso eleitoral precisa passar pelo filtro da realidade. Lavagem de dinheiro, assédio, fraude? Para uma parcela do eleitorado, nada disso impede o voto. A corrupção reina no país e, em nove meses, o eleitor decide: continuidade ou expulsão. O pleito se aproxima. Os patifes vencem novamente, surpresa nenhuma. A alienação triunfa. O eleitor perde, a desinformação decide e o país paga a conta.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Adultos Cronológicos, Emoções Infantis

 


Atacar os outros, imitar amigos, invejar parentes, cultivar ciúmes e ignorar opiniões alheias são atitudes medíocres recorrentes. Muitos adultos revelam baixa tolerância à frustração, vínculos emocionais excessivamente dependentes, resistência em assumir responsabilidades e foco exclusivo na gratificação imediata. Esses comportamentos configuram respostas regressivas. Por isso, não é raro interpretarmos certas atitudes adultas como “infantis”. Elas se manifestam, sobretudo, no controle emocional limitado diante de conflitos, na incapacidade de adiar desejos e na dificuldade de deslocar o olhar do próprio ego. Administrar relações com adultos emocionalmente imaturos exige clareza e firmeza. É necessário dialogar de forma direta, evidenciando os impactos nocivos dessas condutas. A comunicação deve ser sóbria, objetiva, centrada no conteúdo e livre de trivialidades. Mensagens vagas apenas reforçam o problema. A infantilização, em muitos casos, está associada à superproteção. Ainda assim, nenhum rótulo substitui uma avaliação profissional. O acompanhamento de um psicólogo ou psicopedagogo é indispensável para um diagnóstico individualizado e responsável.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Prisão de Maduro: Show Internacional

 

A unidade de elite do Exército dos Estados Unidos, a Delta Force, prendeu o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026, durante uma operação militar que incluiu bombardeios sobre Caracas e outras regiões do país. A prisão foi anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e acompanhada por um posicionamento oficial da procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi, que afirmou que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, responderão à Justiça dos Estados Unidos. Entre as acusações estão conluio com o narcoterrorismo e importação de cocaína. O casal foi retirado do país por transporte aéreo e conduzido ao Centro de Detenção Metropolitano, em Nova York. A partir de segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, Maduro passou a responder judicialmente por narcoterrorismo, tráfico de drogas, conspiração criminosa e porte ilegal de armas. Segundo o portal G1, ele compareceu a um tribunal em Nova York para sua primeira audiência, na qual foi formalmente informado das acusações — procedimento padrão da Justiça norte-americana. O juiz responsável marcou nova audiência para 17 de março, quando Maduro e sua esposa prestarão depoimento. Ainda de acordo com o portal, o chefe do Executivo venezuelano declarou: “Sou inocente. Sou um homem decente. Sou um presidente”, reiterando que se considera o legítimo presidente da Venezuela. Em caso de condenação, Maduro poderá receber penas severas, inclusive prisão perpétua. Sem seu líder, a Venezuela enfrenta disputa política interna, maior centralização de poder pelo chavismo, pressão internacional e instabilidade institucional. A reação popular tende a ser fragmentada: apoiadores organizam protestos, enquanto opositores demonstram aprovação. No cenário internacional, as posições também se dividem. Alguns países condenam a prisão; outros a apoiam ou reconhecem a legitimidade da ação norte-americana. Organizações internacionais pedem respeito ao devido processo legal. O episódio expõe um espetáculo de interesses conflitantes, polarização ideológica e disputas geopolíticas. Em síntese, trata-se de um circo diplomático de grandes proporções, com Maduro no centro do picadeiro, evidenciando os limites do direito internacional diante da força e da política de poder.

                                  Sérgio Lopes Jornalista


Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

 


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Verão à Venda

 


As excentricidades do Brasil não tiram férias. Nos últimos dias de 2025, o delírio coletivo teve nome, número e promessa: a Mega da Virada. O país parou. Fantasiou riqueza. Apostou esperança. No dia 31, o sorteio simplesmente não aconteceu. Vieram as suspeitas, os boatos e o velho teatro da desconfiança. Só em 1º de janeiro surgiu o desfecho: seis apostas dividiram mais de um bilhão de reais. A plateia, atrasada, aplaudiu mesmo assim. Pouco antes, em 21 de dezembro, o verão havia estreado oficialmente. Chegou como sempre, calor excessivo, chuvas desordenadas e cidades litorâneas superlotadas. Milhares buscaram descanso... Encontraram outro tipo de pressão econômica, na praia, o sol queima e o preço castiga. Seis pastéis por R$ 150. Batata frita por R$ 80. Água a R$ 10. Cerveja a R$ 20. Não é cardápio; é pedágio. Comer e beber à beira-mar deixou de ser lazer e passou a ser demonstração de renda. A justificativa é conhecida: calor extremo, dificuldade logística, alta demanda. A verdade é mais simples, quando a concorrência some, o abuso aparece. Quando a sede aperta, a escolha desaparece. O consumidor não consome; se submete. No verão brasileiro, o corpo sofre com o clima e o bolso com a esperteza. O abuso se repete, se aceita e se normaliza. E a equação fecha sem erro, pouca oferta, necessidade imediata e exploração bem calculada. O espetáculo muda de cenário, mas o roteiro é o mesmo. Seja na promessa do prêmio bilionário ou na cerveja quente da praia, alguém sempre paga mais caro pelo direito de sonhar ou apenas de matar a sede.

                                                    Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.