No
cenário atual, a internet se apresenta como uma espécie de “terra de ninguém”,
marcada pelo acesso permanente à rede e pelo fluxo constante de notificações em
tempo real. No século XXI, todos passaram a ter voz, mas muitos abriram mão do
filtro. As opiniões circulam em volume massivo, frequentemente sem verificação,
sem contexto e, em muitos casos, sem o devido cuidado na exposição. A promessa
inicial era a democratização da informação. O que se observou, na prática, foi
a amplificação do ruído. O resultado é um ambiente comunicacional de alta
dispersão e baixa densidade informativa, no qual conteúdos relevantes disputam
atenção em desvantagem, enquanto interpretações apressadas e certezas frágeis
ocupam o centro do debate. O usuário médio passou a desempenhar simultaneamente
os papéis de público, palco e espetáculo. Nesse contexto, fala-se muito,
escuta-se pouco e revisa-se quase nada. A velocidade, com frequência, se
sobrepõe à precisão. No fim, a internet não é exatamente uma terra de ninguém,
mas uma terra de todos ao mesmo tempo. E talvez seja justamente aí que resida o
problema.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade
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