E, ao
que tudo indica, tem neurônio fazendo hora extra. Pena que sem resultado! Basta um cargo, meia
dúzia de aplausos e pronto. O sujeito se
convence de que virou autoridade, porém só ganhou um crachá. De repente, o indivíduo
descobre que nasceu para mandar. Estranho... Até ontem, ninguém tinha
percebido. Confunde autoridade com superioridade, respeito com medo e liderança
com submissão. Passa a distribuir ordens como quem oferece favores, e ainda
espera aplausos pela generosidade de mandar. O problema não é o poder; é quando
ele encontra uma cabeça vazia... Aí, a arrogância finalmente encontra onde
morar. Porque, quando falta caráter, sobra cinismo. E ainda aparece quem
confunda isso com autoridade. E quando falta competência, o personagem compensa
no gogó e chama de autoridade o que não passa de mediocridade. Por isso, não
foi o poder que subiu à cabeça, apenas encontrou espaço. E quando a cabeça vem
vazia, qualquer cargo parece grande demais. Coincidência ou falta de conteúdo
mesmo?
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/cabeca-vazia-cargo-cheio-e-agora.html), em comemoração aos 10 anos de resistência
crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues
Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

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