A
CEMIG chama de instabilidade o que, nos pequenos municípios mineiros, atende
por estrago. A energia oscila. Os aparelhos queimam. A fatura chega intacta e pontual
como sempre. A saída? Ligar 116. Não é atendimento, é um rito de desgaste
emocional. A música repete. A paciência evapora. O defeito continua ali,
confortável. Promete ajuda, transfere, empurra para outro ramal. Depois, some. A
ligação cai. A falha, não. O que deveria ser obrigação aparece maquiado de gentileza.
As cidades sangram. Os moradores pagam. A concessionária se explica. Explicar,
aliás, é o único serviço contínuo. Muito discurso. Nenhuma entrega. Rede
cansada, equipamentos no limite, tolerância em colapso. Os apagões são
frequentes. A criatividade é só no nome. O prejuízo é concreto, o pico vem
rápido, a indenização nunca. O relógio
corre. A responsabilidade, como sempre, finge não ouvir. Senhora CEMIG: falta
luz, sobra cobrança. E, no fim, respeito e competência seguem fora de área.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

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