Em
época de eleição, “vote consciente” vira quase um mantra. Bonito de ouvir,
fácil de repetir e, aparentemente, difícil de colocar em prática. Votar conscientemente
significa, antes de tudo, conhecer os candidatos, comparar propostas, conferir
seus históricos e avaliar se existe preparo e compromisso com o interesse
público. Porque discurso bonito, convenhamos, não paga conta, não administra
cidade e muito menos governa país. Também não basta escolher alguém porque
“fala a minha língua” ou porque pertence ao meu lado político. É preciso olhar
o que o candidato fez, o que defendeu, com quem se aliou e se suas promessas
combinam com sua trajetória. Informações estão disponíveis no Tribunal Superior
Eleitoral, na "imprensa" e em fontes confiáveis. O problema é que pesquisar dá
trabalho. Repetir o que alguém disse nas redes sociais é bem mais confortável. Outro
ponto importante é entender as regras da eleição: financiamento de campanha,
coligações, quociente eleitoral, propaganda e atribuições de cada cargo.
Afinal, escolher quem vai administrar dinheiro público deveria exigir um pouco
mais de critério do que escolher um time para torcer. E há uma regra que
deveria ser óbvia. Voto não é mercadoria,
vendê-lo por dinheiro, favor, emprego ou promessa significa trocar um direito
de cidadania por uma vantagem passageira. Depois, não adianta reclamar do
político que “se vendeu”. Às vezes, o negócio começou bem antes da posse. No
fim, o voto é individual e a escolha pertence a cada eleitor. Mas existe uma
diferença entre escolher um representante e simplesmente entregar o voto. Se
você vota por idolatria, paixão, promessa ou fanatismo, talvez não esteja
escolhendo um candidato. Está apenas terceirizando sua consciência. E tem um
detalhe cruel, depois de votar errado, só resta assistir à conta chegar.
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/08/votou-sem-pensar-agora-pense-nas.html), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.




















