segunda-feira, 9 de março de 2026

Perdeu o cargo, perdeu os amigos

 

No cenário político do Brasil, em quase todos os casos, os vínculos de amizade autêntica são raridade quase folclórica. Com frequência, as relações sociais e políticas se organizam em torno de interesses bem calculados e mecanismos eficientes de influência. Basta o poder estar à mesa para surgir uma multidão de aliados, elogios entusiasmados e fidelidades com prazo de validade cuidadosamente escondido no rodapé. Perdido o poder, o roteiro muda com rapidez surpreendente. O “amigo” desaparece, o telefone silencia e a consideração evapora. A regra do jogo é simples e antiga, perdeu o cargo, ficou sem a plateia. A gratidão entra em modo de amnésia seletiva, a memória encurta e o bajulado de ontem passa a ser tratado como inconveniente de agenda. O retrato é conhecido na política brasileira e também na política mineira. Muitas pessoas acabam reduzidas a instrumentos descartáveis. Em vez de projeto coletivo, constrói-se domínio; no lugar da confiança, instala-se a velha e disciplinada submissão. E quem ainda acredita em amizade nesse ambiente logo descobre que, ali, a ingenuidade costuma sair bem mais cara do que qualquer campanha eleitoral. A engrenagem não cultiva sentimentalismo, recicla personagens com eficiência admirável e segue funcionando à base de interesses, vaidades infladas e ambições sempre bem abastecidas. Nesse jogo, vale quem manda. O cargo substitui o caráter, a amizade dura pouco e a traição deixa de ser acidente para virar método. Quando a serventia termina, o projeto de poder trata de arquivar o personagem com a mesma frieza com que antes o aplaudia. Talvez esteja na hora de parar de tratar políticos como heróis de novela e observá-los quando o poder acaba. É justamente nesse momento, quando os holofotes se apagam e os cargos mudam de dono, que se descobre quem tinha convicção e quem estava ali apenas pelo cargo, pelos favores e pela luz conveniente da vitrine pública. A política deveria servir ao público. Mas, na prática, muitas vezes virou território de caça para oportunistas bem treinados. Enquanto o poder continuar sendo tratado como troféu pessoal, e não como instrumento de serviço, a falsidade seguirá em alta, e a tal “amizade” continuará sendo apenas mais uma peça descartável na engrenagem do poder.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

sexta-feira, 6 de março de 2026

"Canetas emagrecedoras", o que é tratamento e o que é ilusão?

 


Os medicamentos injetáveis indicados para o tratamento da obesidade, frequentemente  chamados de “canetas emagrecedoras”, ganharam destaque no debate público nos últimos anos. Resultados clínicos considerados expressivos, somados à divulgação intensa nas redes sociais, ampliaram o alcance dessas terapias e consolidaram sua popularidade. A fama, porém, veio acompanhada de confusão. Não se trata de “milagre de verão”, mas de medicamentos incorporados a protocolos médicos voltados ao tratamento da obesidade, condição crônica reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Ainda assim, a doença continua sendo frequentemente reduzida, no imaginário social, a um suposto capricho estético. Entender o que essas medicações realmente são, para quem se destinam e quais são seus limites não é um detalhe técnico. É um requisito básico, nesse tema, informação separa tratamento sério de entusiasmo irresponsável. O rótulo popular usado para essas terapias pode funcionar como slogan, mas está longe de ser uma definição científica precisa. Para esclarecer dúvidas e evitar o uso inadequado, a endocrinologista Elaine Dias JK, PhD em endocrinologia pela Universidade de São Paulo, apresenta alguns mitos e verdades sobre essas medicações.

1 – Elas provocam emagrecimento rápido? Verdade.

Considera-se boa resposta quando o paciente perde mais de 0,5 kg por semana. Resultados abaixo desse ritmo podem levar o médico a rever a estratégia terapêutica.

2 – O resultado é permanente? Mito.

O medicamento atua enquanto está em uso. Sem mudanças no estilo de vida — como alimentação equilibrada, restrição calórica e atividade física regular — o risco de recuperação do peso é alto.

3 – São vendidas livremente nas farmácias? Mito.

Esses medicamentos exigem prescrição médica no Brasil, embora não sejam classificados como drogas de controle especial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Mesmo quando adquiridos com receita simples, o acompanhamento médico é essencial para avaliar efeitos colaterais e possíveis doenças associadas.

4 – Qualquer pessoa pode usar? Mito.

Medicamentos como Ozempic são contraindicados em casos de: histórico de pancreatite, neoplasia endócrina múltipla tipo 2, carcinoma medular da tireoide, gravidez, amamentação.

5 – São o tratamento mais moderno para obesidade? Verdade.

Essas terapias pertencem a uma classe de medicamentos que imita a ação do hormônio intestinal GLP-1, responsável por regular fome e saciedade. Estudos clínicos demonstram eficácia tanto no tratamento da obesidade quanto do diabetes tipo 2. O estudo clínico SELECT, por exemplo, mostrou que pacientes obesos com doença cardiovascular que utilizaram Semaglutida semanal tiveram redução de 20% nos eventos cardíacos em comparação ao grupo placebo.

6 – Causam enjoo com frequência? Verdade.

Náusea é o efeito colateral mais comum. Também podem ocorrer: vômitos, diarreia, constipação, cansaço.  A intensidade costuma diminuir com ajuste de dose e acompanhamento médico.

7 – Melhoram a qualidade de vida? Verdade.

A perda de peso e o controle glicêmico podem melhorar: disposição, fadiga, qualidade do sono, autoestima.

8 – Eliminam gordura localizada? Mito.

O medicamento reduz a fome e aumenta a saciedade, favorecendo o emagrecimento global. Não há ação direta sobre gordura localizada.

9 – Reduzem a fome? Verdade.

A ação ocorre no centro regulador da fome no hipotálamo e também em áreas do sistema límbico relacionadas ao comportamento alimentar.

10 – Podem ser usadas por tempo prolongado? Verdade.

Em muitos casos, o uso contínuo é necessário, especialmente em pacientes com obesidade ou diabetes tipo 2, doenças crônicas que exigem tratamento prolongado.

11 – Funcionam durante a menopausa? Verdade.

A menopausa envolve alterações hormonais e metabólicas que favorecem o ganho de peso. Com acompanhamento médico adequado, o tratamento pode apresentar bons resultados nessa fase.

No fim, a conta é simples. A medicação ajuda, mas não faz milagre. Ela não corre na esteira, não recusa sobremesa e não substitui hábitos saudáveis. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia são claras, o tratamento da obesidade exige reeducação alimentar, atividade física e acompanhamento médico. O resto é expectativa demais para uma única caneta.

 

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Personagem famoso, caráter anônimo

 


Likes e curtidas não mensuram índole nem personalidade. No máximo, indicam o grau de dissimulação social. A proximidade elimina filtros, expõe o bruto, sem edição, sem legenda, sem atuação. O que aparece em casa não se publica, e, muitas vezes, nem se suporta assistir. A imagem exibida é construída para parecer coerente, ainda que distante da realidade. Se não sobrevive à realidade, não há inspiração, há estratégia. E das mais baratas, excesso de discurso, ausência de consistência. Criar personagem é simples, difícil é sustentar coerência quando a audiência se dispersa e resta o silêncio; aquele que revela o que se tenta esconder. A máscara não cai, ela escorrega. Nas atitudes, nas contradições, nas pequenas covardias que você acredita invisíveis. Spoiler estraga o prazer ou entrega o jogo? Sabiam, sempre souberam, só estavam assistindo, sem pressa, sem alarde. No fim, não é o ataque que derruba. É a incoerência que expõe. Ela corrói por dentro, devagar, até restar apenas um perfil bonito sustentando uma vida vazia.  Continue postando! Continue encenando! A mentira veste melhor do que a verdade. Portanto, relaxa: quando cair, você descobre. Nunca foi verdade, apenas pose.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


quarta-feira, 4 de março de 2026

Crachá de Ouro, Miolo de Isopor

 

“Não é o cargo que faz o líder, é a postura”. A frase é bonita no papel. Difícil é sustentar fora dele. Cargo é elevador social, sobe rápido, faz barulho e impressiona a vizinhança. Postura não, conduta é índole em pé, e isso não vem no kit admissão nem no contracheque. Crachá abre porta, caráter sustenta teto, o resto é altura sem base. Observe Jair Messias Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. O cargo é o mesmo, a cadeira é a mesma, a faixa também. O que muda é a forma de ocupar o espaço. O título diz “Presidente da República”, a liturgia depende do temperamento.  A grandeza? Essa não consta no decreto de posse, e, curiosamente, nunca aparece no Diário Oficial.  No mundo corporativo, o CEO de terno italiano palestra sobre “liderança humanizada” com microfone sem fio e agenda cheia de aplausos. Entre o café e a sobremesa, dispara a demissão em massa com a naturalidade de quem responde e-mail automático. No interior, longe do palco e do filtro corporativo, a gerente anônima segura meta impraticável, equipe exausta, crise permanente, sem hashtag, sem plateia, sem TED Talk. Um coleciona cargo e selfie, a outra entrega resultado e assume a conta. Ele performa liderança, ela pratica.  Na arte, alguns não pedem licença, fazem acontecer. Taylor Swift (cantora pop americana) regravou seu próprio catálogo e transformou contrato em troféu, sem esperar autorização, assinou a própria história. Enquanto isso, muitos “diretores criativos” vivem de reunião longa e ideia curta, chamando enrolação de processo. Uns deixam legado, outros só ata. No fim, cargo é só moldura dourada, bonita na vitrine, vazia no conteúdo. Obra? Nem sempre, às vezes, é só tela em branco. Cargo? Embalagem premium para miolo vazio. Conteúdo? Edição limitada, quando existe. Liderança não se mede pela sala cheia, mas pelo que sobra quando o aplauso termina. Plateia cheia inflama ego; silêncio expõe caráter. O resto? Só crachá turbinado com ego de balão, sobe rápido e estoura antes do café.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 3 de março de 2026

Combustível em Guerra

 


Ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã já estão estrelando no preço do petróleo. O brasileiro? Esse sente antes mesmo de entender o motivo e chora depois. Os iluminados do mundo falam em “geopolítica complexa”, enquanto a gasolina dispara e a energia não perdoa. O Irã, um dos pesos-pesados do petróleo global, vê sua produção ameaçada, e qualquer risco faz o barril subir como foguete de sexta-feira à noite. O resultado? Combustíveis nas nuvens, transporte à beira do colapso e a inflação mostrando quem manda no bolso. O histórico de conflitos no Oriente Médio ensina, o efeito dominó chega antes do contracheque e sai depois da dignidade... E quem sente primeiro é a família brasileira, convocada a compreender o cenário internacional enquanto reorganiza o orçamento doméstico. O real perde força, o dólar dispara e produtos importados viram luxo. Para não ser esmagado sem misericórdia, dizem os sábios de plantão, é hora de cortar gasolina, lotar ônibus e encarar preços como prova de sobrevivência em reality show. O Irã lá longe, os mísseis no céu, e o brasileiro aqui, colecionando contas e frustração. A carteira que sangra primeiro, sem anestesia, sem licença e sem qualquer simpatia. Diplomacia elegante? Para o brasileiro comum, só sobra a conta, entregue com sorriso irônico.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

 

 


segunda-feira, 2 de março de 2026

Bombas em Nome da Ordem

 


Em 28 de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel recorreram ao recurso mais honesto da diplomacia contemporânea, bombardear. No comunicado, “necessidade estratégica”, no terreno, o de sempre.  De acordo com a mídia iraniana, no último sábado, foram 201 mortos e 747 feridos, suficientes para estatística, insuficientes para incômodo. O então presidente Donald Trump anunciou a morte de Ali Khamenei, confirmada horas depois. Décadas de poder encerradas com precisão técnica e indiferença burocrática. Teerã foi atingida, a resposta veio no automático: mísseis, retaliação, previsibilidade travestida de surpresa. Washington registrou “danos mínimos”, expressão que funciona melhor quando os mortos são do outro lado. O fechamento do Estreito de Ormuz redefiniu prioridades, petróleo interrompido mobiliza; vidas interrompidas se explicam. Negociações seguem em curso, bombas já estão em uso. A coerência virou peça decorativa, elimina-se o centro de poder e chama-se de operação. Atualiza-se o vocabulário para evitar rever o método. O resultado é o habitual?  Escalada, tensão contínua, conflito reciclado, o Oriente Médio não entra em crise, aprende a operar dentro dela. No resto do mundo, a dor vira gráfico, energia sobe, mercado suspira, discurso posa de firme sem sujar as mãos. Dentro do Irã, nada se perde, ataque de fora vira argumento oficial, o aperto ainda sai com cara de defesa. Artilharia não modera, educa pelo impacto, disciplina pelo medo e mantêm a máquina lucrando. Redige-se a nota, autoriza-se o disparo, o que sobra é silêncio. A crise muda de nome, o método permanece. Resultado: mortos. O que ficou não mente, só dói.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Amanhã é outro dia

 


A banda carioca Biquíni cantou Amanhã é outro dia. Porém, muitos moradores da Zona da Mata Mineira (Juiz de Fora, Ubá, Matias Barbosa), o ontem ainda não terminou. A chuva destruiu bens, vivências, memórias. E, em alguns casos, pessoas. A queda de água acabou? Não sabemos, mas o prejuízo ficou. E o silêncio pesa mais, porque nele, ninguém se importa. O que fazer quando a casa vira lama? Esperar. Quando o pouco que havia some? Aceitar. Recomeçar não é escolha, é sentença. Do zero, sem poesia, só desgaste, dor e dúvida. Enquanto isso, o discurso escorre, fácil, inútil, tardio. A prevenção virou conversa fiada e não segura encosta, só sustenta desculpa. A tragédia não é apenas da chuva, decorre do abandono que se antecipa e se prolonga posteriormente.  Contudo, em meio aos danos, observa-se a atuação solidária entre as pessoas. É o vizinho que acolhe. É o desconhecido que contribui. É a sociedade que se mobiliza quando o poder público falha. A solidariedade mineira atua de forma discreta, mas ampara quem foi atingido. Não resolve todos os problemas, mas reduz o impacto da dor. Porque amanhã é outro dia. Mas, para quem perdeu tudo, o amanhã não traz esperança. Traz conta, barro e ausência. E, como sempre, a reconstrução começa sem o Estado e termina com ele pedindo crédito.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Escala 6x1: Fique de Olho nas Mudanças!

 


Você já ouviu falar da escala 6x1? É comum em saúde, segurança e indústria. Funciona assim: seis dias de trabalho seguidos de uma folga. Por exemplo, quem trabalha de segunda a sábado descansa no domingo, e na semana seguinte o ciclo recomeça. O objetivo da escala é organizar a jornada, manter a produtividade e garantir folgas periódicas. Mas atenção, ela só vale quando existe acordo formal, negociado com sindicato ou previsto em convenção coletiva. Para as empresas, a escala 6x1 tem vantagens, operação diária garantida, cobertura constante e previsibilidade. Algumas ainda oferecem horas extras, bônus ou banco de horas. Para o trabalhador, também há benefício? A folga é certa, o descanso é contínuo e a rotina previsível. Dá para planejar melhor a vida pessoal. Mas nem tudo são vantagens. Seis dias seguidos de trabalho podem causar cansaço, desgaste físico e impactar a vida familiar. Cuidar da saúde e do bem-estar é essencial. E atenção! A escala 6x1 pode estar chegando ao fim. Sindicatos, trabalhadores e especialistas discutem alternativas, alertando para os riscos dessa rotina intensa. Estudos mostram que jornadas longas aumentam o estresse, o cansaço e o risco de acidentes. Com mais dias de descanso, o trabalhador tem tempo para cuidar da saúde, da família e da vida pessoal, sem comprometer o trabalho. O objetivo é criar escalas mais justas e equilibradas, protegendo direitos e promovendo o bem-estar. Fique atento, mudanças na sua rotina de trabalho podem estar a caminho!                                             

                                                    Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Hipocrisia Institucional

 

A frase de Enéas Carneiro: “Na verdade, nós não somos mais uma sociedade, somos um bando. Porque não há ordem, não há mais respeito, não há decência”, propõe uma crítica fundamentada ao afirmar que “não somos mais uma sociedade, somos um bando. A escolha linguística tem intenção definida: “sociedade” requer normas comuns, responsabilidade conjunta e algum grau de coesão ética; “bando”, em contrapartida, indica uma lógica de sobrevivência mais elementar, baseada no interesse imediato, na força e na conveniência. Representa uma quebra simbólica do acordo social. Não é uma afirmação literal, mas um estímulo à reflexão. Evidencia o contraste entre o ideal institucional e a prática cotidiana, marcada por seletividade e baixa confiança. O problema não é a ausência de ordem, mas sua aplicação desigual, regras existem, mas variam conforme o contexto. No cenário político brasileiro atual, a crítica segue pertinente, a polarização substitui o debate e o discurso de ordem convive com práticas inconsistentes. O resultado? Um Estado presente, porém, caprichosamente corrupto, moral e instituições à venda, caos embrulhado em papel oficial. Essa percepção apodrece o senso coletivo e legitima o “cada participante age de maneira independente”. Perante o evento das chuvas em Juiz de Fora MG, nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2026, a frase deixa de ser ideia e vira prova, o desastre não cria a desordem, só arranca a máscara. A repetição das tragédias demonstra a deterioração que já se encontrava presente: planejamento frágil, risco ignorado, prevenção inexistente e resposta desigual. Nesse cenário, a “fatalidade” climática é só desculpa, o desastre já estava armado. A crítica de Enéas Carneiro troca o foco, não é o evento, é a estrutura. Se não protege os vulneráveis nem prevê o óbvio, não é sociedade é cenário. O problema não é falta de lei, é a distância entre regra e prática, daí nasce o cinismo.  Norma que não é aplicada efetivamente, funcionando apenas como formalidade. E há o risco no próprio diagnóstico de Enéas Carneiro, ao radicalizar, simplifica e ignora avanços e reduz tudo ao colapso. O país não é um “bando”; a governança permanece, ainda que limitada em eficácia. A força da frase é provocar, incomodar, cutucar e expor as rachaduras. Em síntese, não descreve, acusa... Quando a regra vira teatro e o interesse próprio manda, o tecido social se rompe e cada um joga por si. Alerta. Civilização? Apenas pele, corrupção disfarçada de ordem. No momento em que a farsa desmorona, a verdade vem à tona, e o “bando” surge: sempre no comando, sorrateiro, cruel e intocável.

                                                 Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A colonização inaugurou o roubo e ele nunca foi embora

 


De 1500 a 1822, o Brasil foi colônia de Portugal. Entre 1808 e 1821, sob o governo de Dom João VI, a corte portuguesa foi transferida para o Brasil, que passou a sediar o governo, resultando em transformações políticas, econômicas e sociais, como a abertura dos portos e a criação de instituições. Em 1822, o monarca português já havia retornado a Lisboa e deixou seu filho Dom Pedro I como príncipe regente no Brasil. Com a pressão pela volta de Pedro, o território nacional corria risco de perder autonomia ou cair sob controle instável. Diante de um cenário iminente de independência, Dom João VI teria dito a Dom Pedro I: “Pedro, se o Brasil se separar de Portugal, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”.  Entre 7 de setembro de 1822 e 24 de fevereiro de 2026, o nosso país passou por diferentes regimes: Império, República, fases democráticas e períodos autoritários, com lideranças e contextos diversos.  O afastamento de Portugal foi mais uma reconfiguração de poder do que um processo de emancipação popular. O estado brasileiro se constitui formalmente livre, porém sob condução das elites, limitando a participação popular. A independência manteve privilégios, sem ampliar de forma efetiva a participação democrática. Ao longo do tempo, observa-se a substituição de lideranças, enquanto as estruturas permanecem em grande medida inalteradas. A retórica se transforma, mas o poder permanece concentrado. A política brasileira apresenta alternância de lideranças, com relativa continuidade nas práticas. Entre 1822 e 2026, a autonomia anunciada permanece condicionada. A ideia sugere que mudanças são admitidas desde que preservem a influência das elites. Assim, a independência se consolida com limites institucionais e sociais. No fim, “aventureiro” é o vendedor de milagre vencido, grita mudança, entrega mesmice e ainda exige aplauso. Promete ruptura, pratica adaptação, sempre a favor de si. Democrático no palanque, seletivo no poder, troca o slogan, mantém o vício. A novidade é só maquiagem; o resto é o mesmo jogo, mais cínico.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Não brigue por política: os políticos nem sabem que você existe.

 


Os habitantes da redondeza entraram em conflito. Qual foi o motivo? Antes de explicar, é preciso relatar alguns fatos. Eles gastam excessivamente por impulso, adoram compras parceladas sem planejamento; cartão de crédito sem controle; comer fora de casa frequentemente; consumir sem preocupação com o futuro; não dedicar tempo ou recursos ao aprendizado sobre finanças; não manter economias para imprevistos. Além disso, têm dificuldade em pagar as parcelas do carro, atrasa com frequência o financiamento do imóvel e desembolsa valores altos pelo iPhone 16 Pro Max, com desempenho superior, câmeras avançadas e suporte a IA. Dito isso, a discussão entre os residentes próximos surgiu por causa de política: um apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o outro, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Nesse cenário, as pessoas se digladiam por questões políticas, defendendo identidade, crenças e valores… Ao mesmo tempo, esquecem que diálogo e respeito às diferenças são opcionais. No Brasil, a polarização política se alimenta sozinha, graças à mídia e às redes sociais, que só inflacionam ilusões e distribuem o útero confortável do rebanho aos covardes que terceirizam o próprio cérebro. Hoje, esquerda e direita são amuletos tribais pendurados no vazio, reluzem na vaidade, apodrecem na razão e regem, com prazer mórbido, o ritual de autodestruição de uma sociedade que trocou consciência por histeria e ainda batiza a própria degradação de virtude. Na medida em que fanáticos partidários se estraçalham por seus candidatos, os medalhões políticos nadam no luxo e na riqueza, completamente alheios ao sofrimento e à realidade de seus próprios correligionários. Em conclusão, não desperdice sua sanidade nem destrua relações por partidos. Você se desgasta defendendo siglas que jamais saberão seu nome. Lula, Bolsonaro, Aécio, Alckmin, Flávio, Tarcísio, Zema, Haddad, Marina e todo o conjunto da classe política vivem no luxo, brindando à sua ingenuidade. Por você? Nem o copo levantam. Seus triunfos virão do seu esforço e da sua persistência, não da expectativa de soluções prometidas por líderes que raramente entregam o que anunciam.

Sérgio Lopes Jornalista

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Albert Einstein sempre teve razão

 

Entre 1879 e 1955, Albert Einstein marcou a história como um dos maiores cientistas de todos os tempos. Físico e matemático, tornou-se referência mundial ao revolucionar a ciência com contribuições decisivas para a Física Moderna, especialmente a Teoria da Relatividade e a célebre equação E=mc², que redefiniu a compreensão sobre energia e matéria. Em 1921, recebeu o Prêmio Nobel de Física por suas pesquisas sobre o efeito fotoelétrico, consideradas relevantes para o avanço da física quântica. Embora a Teoria da Relatividade tenha ampliado sua notoriedade internacional, a premiação concedida pela Academia Sueca referiu-se oficialmente aos seus estudos sobre a interação entre luz e matéria. Para além de suas descobertas, o cientista teórico também se manifestou publicamente em favor da paz. Foi um dos signatários do Manifesto Russell-Einstein, documento que advertia sobre os riscos das armas nucleares e instava a comunidade internacional a assumir responsabilidade científica e política... O formulador da Teoria da Relatividade também propôs análises que transcendem a física e evidenciam fragilidades no comportamento humano, questionando a ciência dissociada da consciência, o conhecimento desvinculado da ética e o progresso alheio à responsabilidade social. Entre as diversas citações a ele atribuídas, sobressai a que sintetiza seu pensamento acerca da condição humana: “Chegará um dia em que a tecnologia ultrapassará a interação humana, e o mundo terá uma geração de idiotas”. O Mestre já alertava, muita conexão, nenhum laço, telas cheias, humanidade vazia. Não condena a tecnologia em si, mas o uso irresponsável que dela se faz. Sem ética e maturidade emocional, o progresso técnico produz equipamentos cada vez mais sofisticados, e indivíduos gradualmente substituíveis. No fim, Albert Einstein sempre teve razão, as ferramentas tecnológicas evoluem com atualização automática; o homem insiste na versão beta da própria ignorância. O erro? Claro, não é do código, é do “usuário avançado”.

Sérgio Lopes Jornalista

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Fé não é espetáculo

 


A súplica escolhida, a convicção de que algo inesperado poderia ocorrer e as emoções intensas e significativas se concretizam na passagem Mateus (9,28 – 30): “E, quando chegou à casa, os cegos se aproximaram dele; e Jesus disse-lhes: Credes vós que eu possa fazer isto? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor. Tocou então os olhos deles, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé.  E os olhos se lhes abriram. E Jesus ameaçou-os, dizendo: Olhai que ninguém o saiba”. O episódio bíblico ilustra o fortalecimento da fé e da esperança, ao mostrar Jesus orientando os homens reestabelecidos a manterem silêncio sobre a cura. Na hipótese de agir assim, poderiam ser afetados por críticas céticas ou depreciativas de terceiros. Essa circunstância, estaria sujeito a descaracterizar o benefício recebido de Jesus, ao incutirem na mente sentimentos de apreensão, incerteza, expectativa.  Em conclusão, o versículo indica que a fé não se limita a palavras, mas se expressa em confiança prática. Os cegos não solicitaram evidências, apenas confiaram. O milagre resulta da fé, não da exibição. Jesus responde à confiança genuína, não ao interesse superficial. E recorda que nem toda graça precisa ser divulgada.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Sem água e sem luz

 

O século XXI é  marcado por tecologias como: internet,   cibernética, robótica, realidade virtual,  inteligência artificial , impressão 3D.  Na era da evolução é inadmissível a falta de energia elétrica e  água.   A incompetência e a desconsideração das empresas  CEMIG e COPASA ainda fazem o povo sofrer.   Em Goianá MG,  voltamos para o Brasil rural,  o país do abandono,  da precariedade, da falta  de estrutura, uma verdadeira lástima! Ontem faltou luz e  continuamos sem energia.   De sexta _feira passada até o presente momento,  a água sumiu das torneiras.  O carnaval inicia oficialmente no dia 13 de fevereiro de 2026,  a situação será resolvida?  Torcemos para que tudo seja solucionado.. Mas antes da folia começar, as  famílias goianaenses precisam sobreviver.  Queremos uma satisfação! CEMIG ?  COPASA ? PREFEITURA MUNICIPAL? Autoridades locais? Até quando ficaremos sem água e sem luz? 

          Sérgio Lopes Jornalista 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A incompetência da COPASA continua em 2026

 


No final de dezembro de 2025, a cidade de Goianá MG sofreu com falta de água. Os bairros Progresso, Morro São Sebastião e arredores foram prejudicados. Decorridos menos de 60 dias, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) segue firme com a mesma incompetência de sempre.  Em fevereiro de 2026, (06, 07, 08) e hoje (09), as torneiras estão em situação de escassez.  A incapacidade da COPASA é fruto de um conjunto bem ensaiado de falhas estruturais, entre as quais: deficiência na comunicação clara e eficiente com os usuários, ausência de responsabilidade na prestação do serviço e desrespeito aos direitos dos consumidores. A rotina de falta de água  transforma a incapacidade da companhia em fato notório, não em mera acusação. A ausência de soluções efetivas para a qualidade da água e a resistência quase militante à modernização expõem uma administração que prefere a estagnação ao dever. Quem, afinal, será capaz de pôr fim ao recorrente desabastecimento de água em Goianá? A falta de água só começa a ser “resolvida” quando gestão municipal, COPASA e população resolvem, finalmente, fazer algo além de empurrar a responsabilidade uns para os outros. Exige o fim do teatro, políticas que não sejam mentira, conservação que não seja maquiagem, infraestrutura que saia da sucata e uma “sustentabilidade” que não morra no slide de abertura. Os moradores de Goianá precisam parar de fingir que a falta d’água é castigo da natureza e começar a tratá-la como o que é: um direito básico sistematicamente negado. As autoridades municipais, por sua vez, precisam abandonar o conforto das notas oficiais e trocar a retórica burocrática por fiscalização de verdade e pressão política sobre a COPASA. Contratos devem ser revistos e metas cobradas. A reincidência do desabastecimento já não sugere falha, confirma vocação. Na Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a ineficiência é estável, a omissão é política institucional e a responsabilidade segue em eterno regime de terceirização, sempre distante, sempre alheia, sempre impune.

  

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

 

 

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Informações referentes ao IPVA

 


As pessoas físicas e jurídicas proprietárias de veículos automotores registrados no Brasil estão sujeitas ao pagamento anual do imposto conhecido como Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Embora faça parte da obrigação anual de milhões de contribuintes, ainda é alvo de questionamentos frequentes. Qual é a finalidade? Qual é a origem desse tributo? Qual é a destinação dos recursos arrecadados? Como ocorre o processo de arrecadação?  O IPVA é um imposto patrimonial que incide sobre a propriedade do veículo, independentemente de estar em circulação. A posse do bem já gera a obrigação tributária. Foi instituído na década de 1980 em substituição à Taxa Rodoviária Única (TRU), que visava financiar a manutenção das rodovias, mas apresentava limitações estruturais e de arrecadação. Com a Constituição Federal de 1988, os Estados passaram a ter competência para instituir o IPVA, consolidando-o como imposto estadual sem vinculação específica à manutenção de rodovias. A partir de então, passou a representar uma relevante fonte de receita para os Estados, com reflexos diretos no orçamento público. Ao contrário da ideia difundida, o IPVA não possui destinação exclusiva para rodovias, pois, como imposto, não tem vinculação específica. Do valor arrecadado, metade é destinada ao Estado e a outra metade ao município onde o veículo está registrado. Esses recursos são aplicados em áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura urbana e transporte, de acordo com as prioridades orçamentárias de cada ente federativo. O contribuinte do IPVA é o proprietário do veículo em 1º de janeiro de cada exercício. Assim, mesmo que haja alienação posterior, a responsabilidade pelo imposto permanece com quem figurava como proprietário nessa data. O IPVA tem como base de cálculo o valor venal do veículo, definido por tabelas de referência ou por critérios estabelecidos pela legislação de cada Estado.  As alíquotas variam segundo o Estado e o tipo de veículo, refletindo as políticas fiscais e econômicas estaduais. É comum confundir o IPVA com o licenciamento e as multas. O IPVA é um imposto sobre a propriedade, enquanto o licenciamento autoriza a circulação e as multas decorrem de infrações. Embora distintos, o não pagamento do IPVA pode impedir o licenciamento anual. Cada Estado estabelece suas próprias hipóteses de isenção, que costumam abranger veículos antigos, pessoas com deficiência, táxis, veículos de transporte coletivo ou escolar, além de veículos oficiais ou vinculados a entidades específicas. Assim, é necessário consultar a legislação estadual para verificar a existência de benefício aplicável.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Artigo Tribuna de Minas

Meu artigo divulgado no Jornal Tribuna de Minas    Leia no link abaixo: https://tribunademinas.com.br/opiniao/tribuna-livre/05-02-2026/acostamentos-e-calcadas.htm

Sérgio Lopes Jornalista 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Ano letivo 2026 é vida nova, será?

 


O ano letivo de 2026 inicia-se sem mudanças significativas. Apesar do discurso oficial de renovação, a realidade mantém problemas já conhecidos. Em Minas Gerais, a educação passou a reproduzir um processo anual marcado pela falta de efetividade. Parte dos estudantes ingressa nas instituições sem envolvimento consistente com o processo educacional. Regras e normas têm sido frequentemente relativizadas. Muitos responsáveis continuam a lidar com condutas em desacordo com regulamentos internos como se não devessem ser objeto de correção. A responsabilidade é, com frequência, atribuída aos professores, evitando-se a corresponsabilização. Paralelamente, alguns Diretores desfilam com sonhos megalomaníacos de “escola modelo”, modelos que só existem em PowerPoint e na mente de iluminados delirantes. Determinados supervisores exercem práticas excessivamente burocráticas e interventivas, classificando-as como ações de gestão. Enquanto isso, o professor afunda em papéis, relatórios e cobranças inúteis. Trata-se de uma burocracia que não contribui para o ensino, não promove melhorias e não soluciona problemas, limitando-se a gerar desgaste. Nas Secretarias de Educação, alguns profissionais sem experiência direta em sala de aula exercem funções decisórias e administrativas. Os criadores das leis, protegidos pelo ar-condicionado, legislam no escuro. Não conhecem a fome do aluno, nem o cansaço do docente. Desconhecem as dificuldades enfrentadas pelo magistério no deslocamento entre municípios, muitas vezes realizado sob condições adversas para cumprimento de horários. Não consideram o adoecimento dos educadores, enquanto o sistema mantém a aparência de normalidade. Ansiedade, depressão, dores na coluna, voz destruída, mas o silêncio prevalece nos gabinetes.  Marginalização dos professores no processo e os poderosos seguem aplaudindo a própria incompetência... A educação tem se configurado como um esforço cotidiano sustentado à custa da saúde física e mental da mão de obra pedagógica precarizada, enquanto instâncias de poder mantêm avaliações complacentes sobre sua própria atuação. Seria trágico se não fosse tão grotescamente previsível, há possibilidade de mudanças em 2026? Apenas mediante uma ruptura profunda com práticas institucionais marcadas pela incoerência entre discurso e ação. Caso os responsáveis decidam sair da omissão, de forma efetiva e com diluição conveniente da culpa pela educação de filhos com comportamentos indisciplinados. Caso certos diretores, embalados por utopias pessoais, larguem seus delírios de grandeza. Caso alguns gestores compreendam, ainda que por acidente, a diferença entre autoridade e autoritarismo, talvez parem de confundir liderança com controle e responsabilidade com retórica vazia. Se legisladores conhecerem a escola e a categoria agir, a precariedade pode deixar de ser política. Em tese, 2026 poderia anunciar vida nova. Na prática, com os mesmos de sempre no comando, será apenas o velho desastre com embalagem relançada. Nada muda porque não é para mudar. O sistema não falha, ele funciona exatamente assim, produzindo fracasso em série, legitimado por normas, discursos vazios e eficiência burocrática.

                                                      Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A distribuição de remédios no SUS

 


A assistência farmacêutica no Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamental para assegurar o acesso igualitário aos medicamentos e apoiar as ações de saúde pública, especialmente, no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS). Amostra analisada pelo Banco Mundial, com base na avaliação dos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de modo geral, apontou que os gastos com saúde correspondem a 13% do orçamento das famílias brasileiras. Desconsiderando os planos de saúde privados, os dispêndios com assistência médica representam, em média, 10,5% do orçamento das famílias. “Os mais ricos gastam mais com plano de saúde e os mais pobres, mais com remédio", observa Edson Correia Araújo, economista sênior do Banco Mundial e um dos autores do estudo, ao lado de Bernardo Dantas Pereira Coelho. Ainda de acordo com os pesquisadores, em média, os medicamentos representam 46% do gasto com saúde das famílias brasileiras. Para os mais pobres, o peso é de 84%, quase três vezes a média das famílias mais ricas (29%). De forma complementar, medicamentos para doenças raras têm alto custo, e o produto final inclui impostos e taxas de importação, que variam conforme a legislação de cada país. o Brasil enfrenta desafios como dificuldades logísticas na distribuição de medicamentos, falta de qualificação técnica e baixa articulação entre os níveis de atenção do SUS. Em vista disso, esses fatores comprometem o funcionamento do sistema e impactam diretamente a qualidade do atendimento à população. As necessidades de grupos em situação de vulnerabilidade, áreas afastadas, pacientes com condições financeiras menos favoráveis deveriam ser contemplados com o desenvolvimento de políticas sólidas e integradas A qualidade do cuidado, a uniformidade no ingresso e o uso racional dos recursos públicos têm de ser objeto de análise aprofundada. A implementação de iniciativas governamentais para integrar os níveis de gestão e reforçar a atenção à saúde deve ser aprimorada.  Em resumo, pesquisas sobre administração e utilização adequada de medicamentos são essenciais para a assistência farmacêutica no SUS e para um sistema de saúde acessível a todos.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Manuel Bandeira foi o poeta visionário e incompreendido

 


O pernambucano, Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968), nasceu em Recife, ainda criança mudou para Rio de Janeiro. Estudou no Colégio Pedro II, iniciou o curso de Engenharia na Escola Politécnica de São Paulo, porém desistiu, em função de condições de saúde decorrentes da tuberculose, que o afetou ao longo de grande parte de sua vida. Mesmo diante da doença, Bandeira iniciou a produção literária no início do século XX, com poemas publicados em periódicos. Seu primeiro livro, A Cinza das Horas (1917), reflete sua experiência com a tuberculose, com temas de melancolia e desencanto, destacando-se pelo verso livre e pela linguagem coloquial. Em 1930, publicou Libertinagem, obra que reúne o poema “Vou-me Embora pra Pasárgada” e marca a transição entre a primeira e a segunda gerações do modernismo brasileiro; também teve participação indireta na Semana de Arte Moderna de 1922, com o poema “Os Sapos”. Bandeira dedicou sua vida à literatura (poesia, ensaios críticos, crônicas) e ao enfrentamento da tuberculose. É um dos principais poetas brasileiros, influenciou gerações, integrou a Academia Brasileira de Letras e sua obra destaca-se pela inovação estilística e relevância literária. Entretanto, o célebre pernambucano é apontado por muitos como poeta incompreendido. O fato decorre da criação literária  de linguagem acessível, marcada por profundidade emocional e crítica social nem sempre assimiladas de imediato. Sua poesia reflete o cotidiano e a fragilidade da vida, promovendo reflexão sobre a condição humana, o que pode gerar incompreensão em alguns leitores. A iminência da morte esteve presente ao longo de sua vida; nascido em 19 de abril de 1886, na capital pernambucana, recebeu diagnóstico de tuberculose aos 18 anos, o que marcou sua trajetória, embora tenha vivido 82 anos. A reflexão final desta crônica é  o poema “O Bicho”, produzido na década de quarenta do século passado.

O Bicho

Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

 O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Manuel Bandeira

Em suma, “O Bicho” continua mais atual do que nunca, a obra utiliza linguagem simples para expressar crítica à miséria, à fome e à exclusão social dos anos de 1940, infelizmente, ainda presente nos anos 2000. 

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

 


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O insuportável e A Insuportável

 


O pessimismo existencial, o egoísmo latente, a impaciência real, a raiva incontrolável, a procrastinação dominante, a intolerância cotidiana são imperfeições dos insuportáveis.  Eles e elas podem ser reconhecidos como: Intolerável, intragável, inconveniente, detestável, abominável, irritante. Os atributos marcantes do insuportável e da insuportável são os seguintes:

1 – Interromper conversas: interrompem os outros quando estão falando, seja para expor seu ponto de vista, relatar uma história ou somente para chamar a atenção.

2 – Reclamação incessante: encontram razões para desaprovar, sem apresentar resoluções. Sempre estão prontos para mostrar o que está incorreto e jamais apontam respostas.

3 – Falam em voz alta: propendem a esbravejar ao invés de conversa. O rompante da fala é extremamente desagradável e execrável. 

4 – Criticam excessivamente: os criticados são familiares, amigos, colegas. Aliás, tudo é alvo de crítica.

5 – Busca ativa para ser notado ou reconhecido: deseja ser o centro das atenções, se considera o inteligente, acha que tem conhecimento a respeito de qualquer assunto.

O insuportável pode ser considerado o autêntico aproveitador. Não é capaz de arcar com as próprias responsabilidades, busca atribuir o ônus a outra pessoa, a quem acredita caber tal obrigação. Por isso mesmo, o insuportável e a insuportável manifestam competitividade e inveja em suas relações. Além disso, sempre requerem auxílio alheio. Porém frequentemente, desvalorizam terceiros e enfatizam excessivamente a si próprios. E para evitar atrair ou manter pessoas de convivência difícil ao seu redor, abstenha-se de jogos críticos cujo objetivo seja provocar culpa e vulnerabilidade, sustente a autoconfiança, interrompa a interação e permita que a outra parte gerencie seus próprios impasses. Confie no próprio discernimento, distancie-se da interação e permita que a pessoa enfrente seu próprio processo de amadurecimento, aprendendo a oferecer e acolher atitudes positivas.   Em síntese, não assuma o processo do outro em prejuízo próprio. Posicione-se, estabeleça limites e siga adiante. O que não acrescenta apenas sobrecarrega e dificulta o caminho. Priorize uma trajetória mais leve.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A decadência do Banco Master e os contrastes da Justiça

 

Daniel Vorcaro é proprietário do Banco Master

Em novembro de 2025, o Banco Master deixou de constar como instituição ativa no sistema do Banco Central. O motivo decorreu de múltiplas falhas que teve forte efeito sobre o sistema financeiro brasileiro. O episódio envolve suspeitas de irregularidades financeiras bilionárias, emprego de fundos de investimento para dissimular perdas, e medidas de suporte financeiro articuladas com banco público. Sob controle do banqueiro Daniel Vorcaro, o Master avançou rapidamente ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade substancialmente superior à média do setor. Para assegurar a continuidade do modelo, conforme a Polícia Federal, o banco passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real (dinheiro imediatamente disponível para ressarcir os investidores) se deteriorava. O prejuízo financeiro associado à quebra do Master atinge R$ 47 bilhões,  as investigações da PF e os relatórios do BC indicam que o colapso do Master não se limitou ao aspecto financeiro, alcançando também o âmbito institucional. A negociação de venda com o Banco de Brasília (BRB) e as movimentações direcionadas a órgãos reguladores transformaram o caso em um cenário de elevada complexidade, com impacto imediato sobre investidores e sobre a confiança nas instituições.  Daniel Vorcaro, proprietário do Master, tentou embarcar para Dubai. Porém foi preso, em novembro do ano passado, na “Operação Compliance Zero” da Polícia Federal, que investiga fraude bilionária e gestão fraudulenta. Vorcaro ficou preso dez dias, contestou a acusação de fraude em depoimento à Polícia Federal e apontou alterações nas regras do Fundo Garantidor de Créditos como causa da crise de liquidez do Master.  Depois, obteve liberdade, por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1)), sob cumprimento de medidas cautelares determinadas judicialmente, com determinação de uso de tornozeleira eletrônica e retenção do passaporte.  Em uma nação democrática como o Brasil, a aplicação da lei não é igual para todos. Um abastado acusado de fraude e irregularidades no sistema bancário, ficou poucos dias presos e passou a cumprir medidas cautelares.  O contraste é evidente, enquanto investigados com poder econômico obtêm determinações judiciais preventivas, cidadãos pobres permanecem detidos por crimes semelhantes. Em conclusão, a lei é dura com uns, flexível com outros e o critério muda conforme quem está no banco dos réus.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.