segunda-feira, 30 de maio de 2022

Dom Quixote

 


A banda gaúcha Engenheiros do Hawaii foi um dos grandes ícones do rock nacional, da década de 1980. O vocalista Humberto Gessinger fez músicas marcadas pela crítica social, e algumas tornaram-se hinos. Já outras merecem uma análise mais profunda. A canção “Dom Quixote”, foi lançada no ano de 2003, e faz parte do álbum “Dançando no Campo Minado”. A letra refere ao personagem, o Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, do escritor espanhol Miguel de Cervantes. Na história de Cervantes, o protagonista da canção dos Engenheiros era um cavaleiro andante e considerado um bom homem. Todavia, Dom Quixote era um indivíduo que não regulava bem da cabeça... Ele passou a viver o seu próprio romance de cavalaria, pelo fato de ler vários livros a respeito do tema. Todavia, as fantasias de Dom Quixote eram em todo momento refutadas...  Diante disso, o líder dos Engenheiros sempre demonstrou conhecimento de filosofia e de literatura. A letra “Dom Quixote” nos faz refletir que não estamos vivendo em uma sociedade fantasiosa e idealista como do personagem de Miguel de Cervantes. Em síntese, podemos aceitar como verdadeiro, que não obstante de tudo, as causas valem a pena!!!

Dom Quixote

(Engenheiros do Hawaii – Humberto Gessinger)

Muito prazer, meu nome é otário

Vindo de outros tempos, mas sempre no horário

Peixe fora d'água, borboletas no aquário

Muito prazer, meu nome é otário

Na ponta dos cascos e fora do páreo

Puro sangue, puxando carroça

 

Um prazer cada vez mais raro

Aerodinâmica num tanque de guerra

Vaidades que a terra um dia há de comer

Ás de Espadas fora do baralho

Grandes negócios, pequeno empresário

Muito prazer, me chamam de otário

 

Por amor às causas perdidas

Tudo bem, até pode ser

Que os dragões sejam moinhos de vento

Tudo bem, seja o que for

Seja por amor às causas perdidas

 

Por amor às causas perdidas

Tudo bem, até pode ser

Que os dragões sejam moinhos de vento

Muito prazer, ao seu dispor

Se for por amor às causas perdidas

Por amor às causas perdidas

Sérgio Lopes - Jornalista, Professor, Especialista em (TV, Cinema e Mídias Digitais) e em Letras (Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa e Inglesa)

 


sexta-feira, 27 de maio de 2022

Verdades da Profissão de Professor

 O Reajuste de 33% para os servidores da Educação de Minas Gerais é oneroso para os cofres públicos. O gasto R$ 8,68 bilhões vai desequilibrar as contas do Estado. Contudo, a Suprema Corte aprovou o fundo eleitoral de R$ 4,9 bilhões. As legendas partidárias que disputarão as eleições de 2022, terão direito aos bilhões de reais... Já os professores não conseguiram o reajuste. Até quando os docentes serão desvalorizados no Brasil???

Verdades da Profissão de Professor

Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.

Paulo Freire

Sérgio Lopes (Jornalista e Professor)

sábado, 30 de abril de 2022

Autopsicografia

O poeta português Fernando Pessoa escreveu a respeito da sua relação com a escrita, a poesia e o leitor.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

 

E os que leem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

 

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

 

Fernando Pessoa

 

 


quinta-feira, 21 de abril de 2022

Vício na Fala

 

O Brasil é marcado pelo preconceito, tais como: preconceito contra mulheres (machismo, sexismo), preconceito social (classismo), preconceito racial (racismo), preconceito contra pessoas trans (transfobia), preconceito contra homossexuais (homofobia), preconceito contra judeus (antissemitismo)... Contudo, um tipo de discriminação que ocorre cotidianamente, de norte a sul do brasil, o preconceito linguístico não é muito discutido... Afinal, o que é preconceito linguístico? Segundo o linguista e filólogo Marcos Bagno, é uma forma de discriminação com graves implicações sociais. Este preconceito nasce da ideia de que existe apenas uma língua correta, que é aquela baseada na gramática. Ainda de acordo com Bagno, não existem formas certas ou erradas de fazer uso do idioma. Muitos creem que o português falado nas regiões Sudeste e Sul do Brasil é “superior” ou “mais bem falado” que o português das regiões Nordeste, Norte, Centro-Oeste. Bem como, acreditam que as pessoas de condições financeiras mais favoráveis possuem um português mais brilhante e elaborado que pessoas das classes economicamente desfavorecidas. No século passado, Oswald de Andrade, consagrado escritor e poeta paulista da primeira fase do modernismo (1922 – 1930), relatou no poema “Vício na Fala” a pronúncia incorreta de alguns vocábulos reduzidos pelos falantes da língua portuguesa. De acordo com Oswald, “mio”, “mió”, “pió”, “teia”, “teiado”, de certo modo criam um “telhado”.  A norma culta é deixada de lado e as novas palavras fazem parte da realidade dos falantes. O poema de Oswald de Andrade pode ser considerado crítica contra o preconceito linguístico e desperta o senso crítico do leitor em relação à divergência entre as línguas. Por fim, em pleno século XXI, o preconceito linguístico é real na sociedade brasileira. Confira o poema “Vício na fala”!

Vício na Fala

Para dizerem milho dizem mio

Para melhor dizem mió

Para pior pió

Para telha dizem teia

Para telhado dizem teiado

E vão fazendo telhados.

Oswald de Andrade

Artigo elaborado por Sérgio Lopes - Jornalista, Professor, Especialista em (TV, Cinema e Mídias Digitais) e em Letras (Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa e Inglesa)

 

quinta-feira, 31 de março de 2022

Simplesmente Drummond

O poeta Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, Minas Gerais, no ano de 1902 e faleceu 1987, no Rio de Janeiro.  O poeta mineiro foi integrante da segunda fase do modernismo brasileiro (1930 – 1945). Ele produziu poemas marcados por versos livres. A crítica a política, a sociedade e aos temas do cotidiano foram essenciais nas obras de Drummond.  Há diversos poemas do itabirano, tais como: Congresso Internacional do Medo, No meio do caminho, Partido, Quadrilha, Mãos Dadas, Poema de Sete Faces, José, dentre outros...  A frase abaixo é uma excelente reflexão a respeito do momento político conturbado, no Brasil do século XXI.

Jornalista e Professor Sérgio Lopes

O poet

quinta-feira, 10 de março de 2022

Greve

O movimento literário Concretismo surgiu no Brasil, na década de 1950. O intuito primordial foi as transformações na forma de produzir poesia. Os artistas do Concretismo (Augusto de Campos e Haroldo de Campos, que são conhecidos como "os irmãos Campos" e Décio Pignatari) aboliram o verso tradicional dos poemas em prol de uma edificação que examina os recursos sonoros, visuais, semânticos. Bem como, o espaço tipográfico e a disposição geométrica das palavras na página. No ano de 1962, o poeta Augusto de Campos fez o poema Greve. O autor apresentou posição social nos tempos de euforia política do país, o vocábulo “greve” e  outras produções concretistas colocaram o movimento Concretismo no centro das discussões do Brasil dos anos 60. Há cinquenta anos, em 2022, a paralisação de várias categorias profissionais e a cessação coletiva do trabalho para fins reivindicatórios continuam...  Os Profissionais da Escola Estadual São Pedro reivindicam ao governo de Minas Gerais o cumprimento do Piso Salarial da Educação.  Sérgio Lopes (Jornalista e Professor) 

Greve (1962)  Augusto de Campos


"Arte    longa    vida   breve
escravo    se    não    escreve
escreve   se   não  descreve
grita   grifa   grafa   grava
uma    única    palavra"




quarta-feira, 2 de março de 2022

Graciliano Ramos


O escritor Graciliano Ramos foi da segunda geração do modernismo (1930 – 1945), “Vidas Secas” e “São Bernardo” foram as obras mais importantes . A característica relevante da 2° fase do modernismo de Ramos foi marcado, sobretudo, pelo regionalismo....  Graciliano teve ligação com o comunismo. Foi preso no ano de 1936, no governo de Getúlio Vargas. Além disso, exerceu as funções de jornalista, político, contista, cronista, romancista. Por fim,  no ano de 1915, Graciliano escreveu no Jornal de Alagoas , o artigo intitulado “ O Chefe Político” . Leiam e reflitam !!!

O Chefe Político

 Graciliano Ramos

Possuímos, segundo dizem os entendidos, três poderes: o Executivo, que é o dono da casa, o Legislativo e o Judiciário, domésticos, moços de recados; gente assalariada para o patrão fazer figura e deitar empáfia diante das visitas. Resta ainda um quarto poder, coisa vaga, imponderável, mas que é tacitamente considerado o sumário dos outros três. (…) Aí está o rombo na Constituição quando ela for revista, metendo-se nela a figura interessante do chefe político, que é a única força de verdade. O resto é lorota. * De um artigo publicado em 1915 no Jornal de Alagoas

Quais são as diferenças e semelhanças entre o  Chefe Político de 1915 e  o Chefe Político de 2022?

Sérgio Lopes (Jornalista e Professor)