O
pernambucano, Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968), nasceu em
Recife, ainda criança mudou para Rio de Janeiro. Estudou no Colégio Pedro II,
iniciou o curso de Engenharia na Escola Politécnica de São Paulo, porém
desistiu, em função de condições de saúde decorrentes da tuberculose, que o
afetou ao longo de grande parte de sua vida. Mesmo diante da doença, Bandeira
iniciou a produção literária no início do século XX, com poemas publicados em
periódicos. Seu primeiro livro, A Cinza das Horas (1917), reflete sua
experiência com a tuberculose, com temas de melancolia e desencanto,
destacando-se pelo verso livre e pela linguagem coloquial. Em 1930, publicou
Libertinagem, obra que reúne o poema “Vou-me Embora pra Pasárgada” e marca a
transição entre a primeira e a segunda gerações do modernismo brasileiro;
também teve participação indireta na Semana de Arte Moderna de 1922, com o
poema “Os Sapos”. Bandeira dedicou sua vida à literatura (poesia,
ensaios críticos, crônicas) e ao enfrentamento da tuberculose. É um dos
principais poetas brasileiros, influenciou gerações, integrou a Academia
Brasileira de Letras e sua obra destaca-se pela inovação estilística e
relevância literária. Entretanto, o célebre pernambucano é apontado por muitos como
poeta incompreendido. O fato decorre da criação literária de linguagem acessível,
marcada por profundidade emocional e crítica social nem sempre assimiladas de
imediato. Sua poesia reflete o cotidiano e a fragilidade da vida, promovendo
reflexão sobre a condição humana, o que pode gerar incompreensão em alguns
leitores. A iminência da morte esteve presente ao longo de sua vida; nascido em
19 de abril de 1886, na capital pernambucana, recebeu diagnóstico de tuberculose aos 18 anos,
o que marcou sua trajetória, embora tenha vivido 82 anos. A reflexão final desta crônica é o poema “O Bicho”, produzido na década de quarenta do século passado.
O Bicho
Vi ontem
um bicho
Na
imundície do pátio
Catando
comida entre os detritos.
Quando
achava alguma coisa,
Não
examinava nem cheirava:
Engolia
com voracidade.
Não era
um gato,
Não era
um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Manuel
Bandeira
Em suma, “O Bicho”
continua mais atual do que nunca, a obra utiliza linguagem simples para
expressar crítica à miséria, à fome e à exclusão social dos anos de 1940,
infelizmente, ainda presente nos anos 2000.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com),
em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço
criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como
forma de consciência, sensibilidade e liberdade.
Muito interessante, mesmo com doença não deixou se abater. Conseguiu seu mérito. Uma coisa que fiquei impressionada. A tuberculose ela matava emediatamente. Não havia remédio certo. Creio que teve ter cido plantas medicinais.
ResponderExcluirA tuberculose foi considerada mal do século XIX, no tempo de Manuel Bandeira não havia cura. Bandeira foi um grande guerreiro, enfrentou a doença até a morte e produziu uma literária de alto nível.
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