Vamos falar de privilégios em alta definição. O primeiro ocupa o cargo
mais cobiçado do Brasil atualmente. Tem prerrogativa legal para responder
judicialmente em instâncias superiores , ou seja, nada de justiça comum para
ele. Recebe salário definido em lei, mora no Palácio da Alvorada, passa fins de
semana na Granja do Torto, voa nos jatos da Força Aérea para compromissos
oficiais e ainda manuseia cartões corporativos, tudo conforme as normas da
administração pública. Conduz o governo, sanciona leis e conta com estrutura
oficial para apoiar suas decisões, mas, claro, ainda precisa respeitar os
limites constitucionais..., tipo pedir licença ao Congresso para a maioria das
coisas. Essas mordomias existem para garantir que ele possa trabalhar
“tranquilo” e cumprir suas funções com a máxima eficácia. O segundo já pendurou
o terno de presidente, mas não foi largado à própria sorte. Tem direito a
segurança pessoal e equipe de apoio, dois veículos oficiais bancados pela
Presidência, viagens custeadas pelo Estado com direito a passagens e diárias,
tudo pago com o suor do contribuinte. Essa estrutura visa proteger e dar
condições mínimas para que o ex-chefe continue circulando pelo palco político
sem riscos. E adivinhem quem são esses senhores? O atual presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Curiosamente, ambos
compartilham algumas “virtudes”: falar de forma direta, construir legiões de
seguidores fanáticos, ostentar imagem pública, governar cercados de ruído e
aliados problemáticos, aprofundar divisões sociais e políticas e, claro,
provocar amor e ódio quase como uma religião. O líder do PT ainda tem seu
histórico de prisão entre 7 de abril de 2018 e 8 de novembro de 2019 na Polícia
Federal em Curitiba, com suas condenações da Lava Jato posteriormente anuladas
pelo Supremo Tribunal Federal por questões processuais. Já o ex-mandatário da
República está preso desde 22 de novembro de 2025, cumprindo 27 anos por
conspiração contra a transição democrática, acusado de tentar interferir no
processo eleitoral que o sucederia. Diferenças? Claro que existem. Um vem do
sindicalismo e defende maior atuação do Estado; o outro, militar e legislativo,
priorizou pautas liberais. Um é de esquerda; o outro, de direita. Um fala em
inclusão social; o outro grita por conservadorismo. Em resumo, Luiz Inácio Lula
da Silva e Jair Messias Bolsonaro conhecem bem o truque, manter o público em
guerra enquanto o circo jamais fecha as portas. Milhões de brasileiros
se descabelam, gritam e se estraçalham por nada. Eles brindam, gargalham e aplaudem…
O vazio que chamam de espetáculo. Nós? Barulho de plateia, útil durante o
período que serve, invisível quando termina.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.


