quarta-feira, 18 de março de 2026

Heróis ou Filtros

 


A influência de alguns homens e mulheres está relacionada ao potencial de repercutir, formar opiniões, atitudes e escolhas de outras pessoas. A capacidade de influenciar fortalece-se por meio de comunicação clara, empatia, autoconhecimento e conexões verdadeiras. Mas, afinal de contas, o que é ser exemplo na sociedade? Ser referência em um país como o Brasil exige que modos de agir e comportamentos expressem, com coerência, os valores éticos que se pretende inspirar nos outros. Além disso, pressupõe ações compatíveis com os princípios que se deseja afirmar. Em termos filosóficos, essa postura associa-se à virtude, à autenticidade e à responsabilidade. Haja vista o impacto político, social, cultural e simbólico, destacam-se algumas personalidades influentes em nosso país: Dom Pedro II, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Tiradentes, Maria Quitéria, Chiquinha Gonzaga, Tarsila do Amaral, Carmen Miranda, Machado de Assis, Rui Barbosa, Santos Dumont e Oscar Niemeyer, entre outros. Esses ícones históricos se destacam por contribuições relevantes em áreas como política, cultura, ciência e sociedade. São reconhecidas por ideias, ações e legados que marcaram a nação ao longo do tempo. Contudo, no século XXI, em 2026, muitas figuras públicas refletem sobretudo os perfis mais populares nas redes sociais. Famosos e famosas tornam-se celebridades e passam a ocupar todos os espaços de visibilidade, da mídia tradicional à internet. Alguns nomes exaltados por milhões de brasileiros são: Neymar, Vinícius Júnior, Endrick, Virginia Fonseca, MC Daniel, Carlinhos Maia, Deolane Bezerra, Gabriel Barbosa, Bruna Marquezine, Anitta, Ludmilla, Gusttavo Lima e Lexa. Em conclusão, qual é a diferença entre as personalidades do passado que deixaram legado no país e as personalidades dos dias atuais? A disparidade é quase constrangedora. Várias estrelas de antigamente ajudaram a erguer a pátria; muitos do presente mal conseguem sustentar uma frase sem roteiro. Uns deixaram ideias, projetos, obras e impacto real; outros deixam bordões reciclados e vaidade em alta. Antes, influência exigia conteúdo. Nos dias atuais, basta boa iluminação e opinião apressada. Legado pede consistência; fama instantânea aceita vazio com filtro. Uns entraram para a história; outros dependem de não desaparecer do feed.

                                                              Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 17 de março de 2026

Breve Existência

 


A brevidade de nossa existência precisa ser valorizada diariamente e vivida de forma significativa. Aprender com os desafios, celebrar as alegrias e compreender que o tempo não retorna constitui uma das lições centrais da vida. Nossa passagem pela Terra é efêmera, e o curso inevitável do tempo reforça o valor de cada instante. Toda despedida carrega consigo a possibilidade de renovação. A vida é breve, mas certos momentos permanecem; por isso, cada minuto merece ser vivido com consciência, presença e aprendizado. A percepção da brevidade da vida também convida ao cuidado com os vínculos e à expressão dos afetos, sobretudo em um tempo marcado pela pressa e pela superficialidade das relações. Valorizar os laços afetivos e reconhecer a importância das experiências acumuladas permitem construir lembranças duradouras e atribuir sentido ao cotidiano. Por fim, a consciência da transitoriedade humana fortalece a busca pelo autoconhecimento e pelo amadurecimento. Cada desafio representa uma possibilidade de aprendizado, enquanto a compreensão da impermanência amplia a capacidade de enfrentar adversidades e perceber valor nos instantes que compõem a experiência humana.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Craques na Arquibancada, Ausentes no País

 

“O Brasileiro mata e morre pelo seu time de futebol. Mas não luta pelo seu país, pela sua geração nem a de seus filhos”. A frase revela uma contraposição secular do Brasil. O envolvimento coletivo costuma se manifestar com mais intensidade quando há símbolos de identificação, cânticos compartilhados e um adversário claramente definido. Pelos times de futebol, muitos torcedores discutem, brigam, sacrificam madrugadas, recitam escalações de memória e protegem dirigentes com fervor quase cívico, como se a administração do clube tivesse peso de assunto de Estado e cada cartola ocupasse lugar de herói nacional. Já quando o assunto é o próprio país, o entusiasmo costuma perder volume, a voz baixa, o interesse oscila e a disposição para o debate raramente alcança o mesmo fervor reservado às arquibancadas. No estádio, um lateral mal cobrado vira crise de proporção histórica; fora dele, direitos, deveres e decisões públicas costumam passar quase sem plateia, o placar do país fica para depois do intervalo. Do árbitro se exige precisão absoluta sob gritos e indignação; da gestão política, muitas vezes aceita-se o erro repetido com uma paciência quase profissional na arte de se conformar. Um impedimento duvidoso costuma incendiar mais ânimos do que um orçamento público mal explicado, talvez, porque a linha do VAR pareça mais compreensível que certas planilhas oficiais. Há certo alívio em confiar expectativas a uma partida, naquele roteiro, ao menos existe vencedor, derrotado e prazo marcado para o sofrimento terminar no apito final. Na vida pública, o torneio corre sem tabela confiável, a regra muda durante o jogo e o resultado costuma aparecer decidido longe do público. A ironia é que muita gente recita tabela, saldo e retrospecto sem hesitar, mas tropeça quando precisa lembrar quem assina decisões em seu nome.  Vibra com cifras de contratações milionárias, mas esquece a educação, a saúde e o futuro...  Esses temas são relevantes demais para disputar atenção com a próxima rodada. No fundo, a nação parece dominar uma arte peculiar, fabrica torcedores incansáveis, mas ainda produz poucos interessados em participar do jogo fora das arquibancadas. Enfim, os principais estádios do Brasil lotam com facilidade admirável; a cidadania ainda joga diante de cadeiras vazias.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

sexta-feira, 13 de março de 2026

O País do Voto Barato

 

Milhões de eleitores brasileiros escolhem, nas eleições, os representantes dos Poderes Executivo e Legislativo. Entre os cargos em disputa estão Presidente da República, vice-presidente, Governador, vice-governador, Prefeito, vice-prefeito, Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual e Vereador. Muitos eleitores anulam o voto, votam em branco ou simplesmente não comparecem às urnas. Embora seja um direito democrático, essas escolhas afetam o processo eleitoral e a qualidade da representação política. Em geral, refletem insatisfação com candidatos ou com o sistema. Na prática, porém, influenciam a legitimidade dos eleitos e o funcionamento da democracia. Além disso, uma parcela do eleitorado ainda vota sem consciência política. Em muitos casos, o voto é trocado por favores ou benefícios imediatos como:  saco de cimento, caminhão de areia, camisa de time de futebol, engradado de cerveja, churrasco, promessa de emprego ou dinheiro. Quem age assim pouco se preocupa com as questões sociais, econômicas e culturais do país. Em diversas situações, prevalecem a alienação, o fanatismo e o interesse imediato. Sem argumentos para sustentar ideias ou projetos, ignoram os erros de políticos corruptos, rejeitam opiniões divergentes e adotam discursos autoritários. O resultado é a incapacidade de diálogo e convivência democrática, cenário que pode abrir espaço para intolerância, conflitos e até violência.  Conter o extremismo político no Brasil exige mais do que discursos solenes sobre democracia. Requer algo mais raro, disposição para ouvir, questionar, conviver com ideias divergentes um exercício cada vez menos comum em tempos de política tratada como torcida organizada. Liberdade de expressão, diversidade de opiniões e respeito ao contraditório costumam aparecer em discursos oficiais. Na prática, porém, viram conceitos descartáveis sempre que contrariam a paixão partidária da vez. Sem educação política e senso crítico, o debate público se reduz a gritos, slogans e fidelidade cega a líderes. O resultado é previsível: menos reflexão, mais gritaria. A democracia continua de pé, cambaleando, mas ainda funcionando no modo improviso.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Rocky Avisou. A Vida Confirmou

 


A citação acima do personagem Rocky Balboa, interpretado por Sylvester Stallone no filme "Rocky", tornou-se quase manual de sobrevivência emocional.  A vida impacta, atinge em cheio sem aviso, sem luva e sem juiz para separar a briga. Enquanto uns ficam pelo caminho, outros só estão atrasados na fila. No ano de 2026, A frase continua atual, a vida segue distribuindo porrada sem cerimônia. A diferença é que, fora do ringue de Rocky Balboa, ninguém escolhe quando começa a luta, ela apenas inicia, normalmente no pior momento. O cidadão brasileiro enfrenta o básico do cotidiano: inflação persistente, boletos que não dão trégua e escândalos políticos recorrentes. A carga tributária é alta, a qualidade da educação deixa a desejar, a saúde pública agoniza, o transporte piora e a violência assusta. No meio disso tudo, promessas de campanha somem rápido, reaparecem apenas no próximo palanque. Rocky tomava pancadas de um adversário, o cidadão comum sofre golpes de vários: governo, mercado, juros e algoritmo, às vezes até da própria esperança. No cinema, a multidão grita “levanta!”. Na vida real, quem aparece primeiro é a notificação do banco. A lição segue intacta, resistir. Em 2026, a frase ganhou um adendo irônico, seguir em frente deixou de ser heroísmo; virou sobrevivência. Prosseguimos, não por heroísmo nem por título de campeão. Nos filmes, a luta encerra com música de vitória. Na vida real, termina com o despertador tocando no dia seguinte.

                                                 Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


quarta-feira, 11 de março de 2026

Entre Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva e Flávio Dino: extratos voam, sigilos caem

 


Segundo o jornal Estado de Minas, a chamada Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal do Brasil em parceria com a Controladoria-Geral da União, investiga um esquema que pode ter drenado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social entre 2019 e 2024. O método era quase elegante na sua simplicidade, descontos associativos não autorizados aplicados diretamente em aposentadorias e pensões. As entidades prometiam convênios médicos, auxílio funerário e outros confortos de catálogo. Na prática, entregavam algo bem mais concreto, um pequeno desaparecimento mensal de dinheiro. O mecanismo que permite esse tipo de desconto existe desde 1991. Ficou décadas funcionando discretamente, até descobrir, por volta de 2019, que podia operar em escala industrial. Em 2022, o Congresso Nacional do Brasil ajudou involuntariamente no enredo ao eliminar a exigência de revalidação periódica das autorizações. Resultado, uma autorização que pode durar para sempre, o sonho de qualquer cobrador automático. No centro da investigação aparece Alessandro Stefanutto, então presidente do INSS, preso preventivamente em novembro do ano passado por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Ele é suspeito de manter em postos estratégicos servidores ligados ao grupo investigado, apesar de alertas internos. Stefanutto, como manda o roteiro, afirma não ter nada a ver com o assunto. Diante do escândalo, o Congresso reagiu da maneira tradicional, criou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. Em Brasília, quando o problema cresce demais, abre-se uma comissão. É quase um reflexo institucional. No meio da investigação surgiram extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, foram registradas 1.531 transações, somando cerca de R$ 19,5 milhões. Parte do dinheiro circulou entre contas do próprio empresário, algo que, na contabilidade, pode ser estratégia financeira, ou apenas dinheiro passeando. Os documentos também mostram três transferências do presidente Lula ao filho, totalizando R$ 721 mil entre 2022 e 2023. A comissão aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha, transformando a sessão no que o Congresso faz melhor: gritos, acusações cruzadas e suspensão dos trabalhos. Pouco depois, o ministro Flávio Dino, também do STF, anulou a quebra de sigilo. Quando a decisão chegou, porém, os extratos já tinham circulado pela comissão e pelos jornais, porque, em Brasília, certas informações têm uma curiosa capacidade de vazar antes de serem oficialmente protegidas. O resultado é o de sempre, governo e oposição defendendo versões opostas da mesma história. Enquanto isso, a investigação continua, e o país aguarda o próximo capítulo, que provavelmente trará mais números, mais discursos e, como de costume, menos respostas do que perguntas.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


terça-feira, 10 de março de 2026

O incômodo chamado inveja

 

A inveja é um estado emocional de ganância ou insatisfação pelo êxito, bens e recursos materiais de outros indivíduos.  Alguns atributos marcantes dos invejosos são: análises comparativas recorrentes, dificuldade em admitir o sucesso de terceiros, desvalorização das conquistas alheias, elogios seguidos de alfinetadas, interesse desmedido pela vida pessoal, necessidade de competir por tudo, prazer contido diante das dificuldades de outros, repentina mudança de atitude após o seu sucesso, busca contínua por reconhecimento. A inveja é uma emoção humana comum, porém, sem reconhecimento ou controle, pode provocar desgastes nas relações. Assim, os efeitos podem atingir tanto quem manifesta a inveja quanto quem é objeto dela. Por isso, é recomendável observar os sinais e agir de forma ponderada. Buscar o diálogo, oferecer apoio ou, quando necessário, estabelecer limites podem ser caminhos possíveis. O mais importante é preservar o próprio equilíbrio e cultivar relações baseadas no respeito, na admiração mútua e no crescimento conjunto.

                                                    Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.