sexta-feira, 24 de abril de 2026

Democracia de Fachada

 

A troca de lideranças no cenário político atual raramente vem acompanhada de mudança real de conduta. O poder alterna protagonistas, mas preserva a lógica que sustenta práticas recorrentes.  Mudam os nomes e permanecem os vícios... No Brasil, o discurso se mantém formal e institucional, enquanto a prática segue refém de padrões já conhecidos. Anunciam agendas de Estado, porém entregam resultados atravessados por interesses imediatos. A aparência se renova; o método resiste. E o constrangimento persiste...  Parte dos que hoje denunciam a erosão institucional já participou, direta ou indiretamente, de sua consolidação. No fim, o poder não transforma, apenas expõe o que sempre foi tolerado. A pergunta que fica: se o poder virou chiqueiro, a responsabilidade é só de quem ocupa… ou também de quem nunca deixou de aplaudir?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Família terceirizada

 

No cenário atual, observa-se que parte da população tem adotado condutas que destoam do habitual  e queda de reconhecimento de outros nas relações sociais. O Cláudio Duarte, pastor, conferencista, escritor, empresário e apresentador, é conhecido pelo uso de humor em palestras e pregações sobre temas religiosos, como sexualidade e casamento. Recentemente, Duarte fez uma declaração que gerou polêmica: “Temos uma geração estranha que põe os filhos na creche, os pais no asilo e vai passear com os cães na praça”. A afirmação caracteriza-se como uma análise de ordem ética. Porém, reduz uma circunstância complexa a uma interpretação simplificada. Colocar filhos em creches não caracteriza abandono; frequentemente decorre de necessidades econômicas. Encaminhar idosos a instituições pode garantir cuidados especializados, sem implicar negligência afetiva. Ainda assim, a frase evidencia um ponto sensível, há indícios de inversão de prioridades nas relações sociais. Verificam-se casos em que vínculos são delegados e o afeto passa a ser tratado como elemento secundário. O passeio com o cachorro vira o álibi perfeito, um símbolo conveniente para disfarçar prioridades bastante seletivas. Ironia? Discursa-se muito sobre “qualidade de vida”, enquanto a presença real se torna cada vez mais rara. A crítica funciona porque exagera e, só assim, consegue ser notada. No fundo, não envolve creche, asilo ou pets; revela uma ausência emocional disfarçada de rotina. No fim, se incomoda, talvez não seja pela frase, mas pelo que ela reflete.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Votam, performam, não resolvem

 

O Brasil é  pobre, capitalista, desigual. A maioria da população  é alienada, fútil, fanática, analfabeta, intolerante, invejosa, covarde, exploradora e miserável. Diante disso, surge a pergunta que não quer calar: se 11 ministros vão decidir tudo, por que pagamos 594 parlamentares? Em teoria, pagamos 594 parlamentares para representar e preservar o teatro da decisão popular. Eles dominam o microfone e fogem da decisão; outros, porém, mandam no jogo. O martelo já foi batido. Quem se sente ator compõe apenas a plateia. A discussão é ampla; o desfecho, discreto. Votam sempre e resolvem raramente, mas fazem barulho na mídia. A democracia parece uma transmissão ao vivo, muita audiência e pouca consequência. Em paralelo, 11 assinaturas fazem o que 594 discursos não fizeram. É dispendioso manter esse quadro de ideias mutáveis. Na hora da verdade, poder há de sobra; falta vergonha, valentia de palco, covardia de bastidor. E o custo da farsa? Sempre cai no colo de quem insiste em bater palma.

                                                  Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

terça-feira, 21 de abril de 2026

Tiradentes: herói ou farsa oficial?

 

O dia 21 de abril é feriado nacional. Mas por quê? Os livros de história descrevem a Inconfidência Mineira como um movimento de caráter separatista ocorrido em Minas Gerais, em 1789, com o objetivo de instituir uma república autônoma e eliminar os débitos junto à Fazenda Real. A conspiração foi descoberta antes de se concretizar, resultando na prisão e condenação de seus participantes. Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, assumiu maior responsabilidade pelo movimento e foi executado por enforcamento em 21 de abril de 1792. Quase um século depois, a Proclamação da República no Brasil é descrita pela historiografia como o evento ocorrido em 15 de novembro de 1889, marcando o fim do regime monárquico. O movimento foi liderado por Deodoro da Fonseca, com apoio de setores militares e civis. O imperador Dom Pedro II foi deposto e enviado ao exílio, consolidando a adoção do regime republicano presidencialista. No processo de consolidação do novo regime, o país buscou símbolos de unificação nacional. Nesse contexto, Tiradentes, até então pouco lembrado, passou a ser promovido como mártir da República. Diante disso, surge a questão: Tiradentes deve ser considerado um herói nacional ou uma figura posteriormente construída para atender a interesses políticos?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Um novo caminho

 

Às vezes, as chateações de alguns anos, deixam as pessoas decepcionadas.  A viagem não concretizou, o emprego não deu certo,  o resultado do concurso não foi o desejado,  o show foi censurado,   o dinheiro ficou escasso,  o amigo frustrou,  a menina desprezou, o parente sacaneou,  o vizinho criticou, a cidade inteira odiou e nao valorizou.... Alguns sofrem com os dissabores e não conseguem superá-los. Levam para o coração e cultivam o ódio.  Outros esquecem as rugas , as diferenças e, sobretudo,  perdoam.  Portanto, apague da memória o que é ruim. Explore novas experiências, trilhe um novo caminho, seja feliz!

                            Sérgio Lopes 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

A desigualdade também é um estilo de vida

 


Às vezes, muitas pessoas passam anos de suas vidas na busca de objetivos. Cada um aprende com idosos, pais, livros e, sobretudo, com os infortúnios. Alguns conseguem concretizar desejos e vontades. Outros não têm êxito e ficam frustrados. Os menos favorecidos economicamente são tolerados. Os remediados não são reconhecidos e nem valorizados. Os abastados sempre são perdoados. O marginalizado raspa o tacho e ainda agradece pela sobrevivência. O limitado transforma desejo em dívida e finge que é estratégia. O privilegiado paga pelo sossego e acredita que é paz. O excluído se apavora com a escassez. O iludido teme deixar de impressionar. O endinheirado vive com medo de perder o figurino de rico. Todos juram que dinheiro não define, mas ajoelham sem discutir. A régua muda e o vazio continua no mesmo lugar. No topo da pirâmide, o excesso vira rotina. No limbo social, falta tempo para sustentar a própria ilusão. No limite da existência social, nem a falta traz alívio... No fim da linha, a desigualdade mora no preço da queda, não no sofrimento de viver.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Você era amigo, eles eram oportunistas

 

Você sempre foi gentil, agradável, solidário, justo e preocupado com eles.  Já emprestou dinheiro, fizeram viagens juntos, compartilharam refeições, celebraram (aniversários, formaturas, festas, shows).  Sempre foi considerado um amigo ou uma amiga. Mas ele e ela mudaram a forma de tratamento.  Agora, não atendem os telefonemas, não respondem os e-mails, ignoram as mensagens do whatsapp...  Eu era amigo deles, mas eles não eram meus. Essa é uma grande lição que você aprende na vida”.  A amizade com níveis diferentes de envolvimento é relação baseada em expectativas não ditas. Um se dedica, o outro só usufrui. a frase revela uma realidade difícil de aceitar, nem toda convivência demonstra lealdade. há quem mantenha o vínculo, sem reciprocidade. Por fim, não é perda, é a ironia de ter sido leal num papel que nunca te escalaram de verdade.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.