No
final de dezembro de 2025, a cidade de Goianá MG sofreu com falta de água. Os
bairros Progresso, Morro São Sebastião e arredores foram prejudicados. Decorridos
menos de 60 dias, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) segue
firme com a mesma incompetência de sempre. Em fevereiro de 2026, (06, 07, 08) e hoje (09),
as torneiras estão em situação de escassez.
A incapacidade da COPASA é fruto de um conjunto bem ensaiado de falhas
estruturais, entre as quais: deficiência na comunicação clara e eficiente com
os usuários, ausência de responsabilidade na prestação do serviço e desrespeito
aos direitos dos consumidores. A rotina de falta de água transforma a incapacidade da companhia em fato notório, não em mera acusação.
A ausência de soluções efetivas para a qualidade da água e a resistência quase
militante à modernização expõem uma administração que prefere a estagnação ao
dever. Quem, afinal, será capaz de pôr fim ao recorrente desabastecimento de
água em Goianá? A falta de água só começa a ser “resolvida” quando gestão municipal,
COPASA e população resolvem, finalmente, fazer algo além de empurrar a responsabilidade
uns para os outros. Exige o fim do teatro, políticas que não sejam mentira,
conservação que não seja maquiagem, infraestrutura que saia da sucata e uma
“sustentabilidade” que não morra no slide de abertura. Os moradores de Goianá
precisam parar de fingir que a falta d’água é castigo da natureza e começar a
tratá-la como o que é: um direito básico sistematicamente negado. As
autoridades municipais, por sua vez, precisam abandonar o conforto das notas
oficiais e trocar a retórica burocrática por fiscalização de verdade e pressão
política sobre a COPASA. Contratos devem ser revistos e metas cobradas. A
reincidência do desabastecimento já não sugere falha, confirma vocação. Na
Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a ineficiência é estável, a omissão é
política institucional e a responsabilidade segue em eterno regime de
terceirização, sempre distante, sempre alheia, sempre impune.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.
