quarta-feira, 22 de abril de 2026

Votam, performam, não resolvem

 

O Brasil é  pobre, capitalista, desigual. A maioria da população  é alienada, fútil, fanática, analfabeta, intolerante, invejosa, covarde, exploradora e miserável. Diante disso, surge a pergunta que não quer calar: se 11 ministros vão decidir tudo, por que pagamos 594 parlamentares? Em teoria, pagamos 594 parlamentares para representar e preservar o teatro da decisão popular. Eles dominam o microfone e fogem da decisão; outros, porém, mandam no jogo. O martelo já foi batido. Quem se sente ator compõe apenas a plateia. A discussão é ampla; o desfecho, discreto. Votam sempre e resolvem raramente, mas fazem barulho na mídia. A democracia parece uma transmissão ao vivo, muita audiência e pouca consequência. Em paralelo, 11 assinaturas fazem o que 594 discursos não fizeram. É dispendioso manter esse quadro de ideias mutáveis. Na hora da verdade, poder há de sobra; falta vergonha, valentia de palco, covardia de bastidor. E o custo da farsa? Sempre cai no colo de quem insiste em bater palma.

                                                  Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

terça-feira, 21 de abril de 2026

Tiradentes: herói ou farsa oficial?

 

O dia 21 de abril é feriado nacional. Mas por quê? Os livros de história descrevem a Inconfidência Mineira como um movimento de caráter separatista ocorrido em Minas Gerais, em 1789, com o objetivo de instituir uma república autônoma e eliminar os débitos junto à Fazenda Real. A conspiração foi descoberta antes de se concretizar, resultando na prisão e condenação de seus participantes. Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, assumiu maior responsabilidade pelo movimento e foi executado por enforcamento em 21 de abril de 1792. Quase um século depois, a Proclamação da República no Brasil é descrita pela historiografia como o evento ocorrido em 15 de novembro de 1889, marcando o fim do regime monárquico. O movimento foi liderado por Deodoro da Fonseca, com apoio de setores militares e civis. O imperador Dom Pedro II foi deposto e enviado ao exílio, consolidando a adoção do regime republicano presidencialista. No processo de consolidação do novo regime, o país buscou símbolos de unificação nacional. Nesse contexto, Tiradentes, até então pouco lembrado, passou a ser promovido como mártir da República. Diante disso, surge a questão: Tiradentes deve ser considerado um herói nacional ou uma figura posteriormente construída para atender a interesses políticos?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Um novo caminho

 

Às vezes, as chateações de alguns anos, deixam as pessoas decepcionadas.  A viagem não concretizou, o emprego não deu certo,  o resultado do concurso não foi o desejado,  o show foi censurado,   o dinheiro ficou escasso,  o amigo frustrou,  a menina desprezou, o parente sacaneou,  o vizinho criticou, a cidade inteira odiou e nao valorizou.... Alguns sofrem com os dissabores e não conseguem superá-los. Levam para o coração e cultivam o ódio.  Outros esquecem as rugas , as diferenças e, sobretudo,  perdoam.  Portanto, apague da memória o que é ruim. Explore novas experiências, trilhe um novo caminho, seja feliz!

                            Sérgio Lopes 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

A desigualdade também é um estilo de vida

 


Às vezes, muitas pessoas passam anos de suas vidas na busca de objetivos. Cada um aprende com idosos, pais, livros e, sobretudo, com os infortúnios. Alguns conseguem concretizar desejos e vontades. Outros não têm êxito e ficam frustrados. Os menos favorecidos economicamente são tolerados. Os remediados não são reconhecidos e nem valorizados. Os abastados sempre são perdoados. O marginalizado raspa o tacho e ainda agradece pela sobrevivência. O limitado transforma desejo em dívida e finge que é estratégia. O privilegiado paga pelo sossego e acredita que é paz. O excluído se apavora com a escassez. O iludido teme deixar de impressionar. O endinheirado vive com medo de perder o figurino de rico. Todos juram que dinheiro não define, mas ajoelham sem discutir. A régua muda e o vazio continua no mesmo lugar. No topo da pirâmide, o excesso vira rotina. No limbo social, falta tempo para sustentar a própria ilusão. No limite da existência social, nem a falta traz alívio... No fim da linha, a desigualdade mora no preço da queda, não no sofrimento de viver.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Você era amigo, eles eram oportunistas

 

Você sempre foi gentil, agradável, solidário, justo e preocupado com eles.  Já emprestou dinheiro, fizeram viagens juntos, compartilharam refeições, celebraram (aniversários, formaturas, festas, shows).  Sempre foi considerado um amigo ou uma amiga. Mas ele e ela mudaram a forma de tratamento.  Agora, não atendem os telefonemas, não respondem os e-mails, ignoram as mensagens do whatsapp...  Eu era amigo deles, mas eles não eram meus. Essa é uma grande lição que você aprende na vida”.  A amizade com níveis diferentes de envolvimento é relação baseada em expectativas não ditas. Um se dedica, o outro só usufrui. a frase revela uma realidade difícil de aceitar, nem toda convivência demonstra lealdade. há quem mantenha o vínculo, sem reciprocidade. Por fim, não é perda, é a ironia de ter sido leal num papel que nunca te escalaram de verdade.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Parabéns pelo Básico: Agora à Venda

 

Na loucura do século XXI, a sociedade preza pela imagem. As pessoas estão em busca da aparência e da aprovação.  O ideal do corpo perfeito é o sonho de consumo da maioria dos frequentadores das academias. Diante disso, a manifestação: “O Bom Personal não enxerga só músculo e gordura. Ele olha, enxerga e percebe pessoas!", enunciado tenta transmitir sensibilidade em uma mensagem publicitária pouco original. Ao afirmar que o “bom personal” não se restringe a “músculo e gordura”, apresenta uma prática básica, tratar o aluno na qualidade de indivíduo humano, como diferencial competitivo. Não configura um atributo específico. O discurso se repete (“olha, enxerga e percebe”) e usa a emoção para suavizar uma prática ainda focada em resultados físicos e na venda de serviços. A humanização virou maquiagem de marketing, fácil de aplicar e difícil de sustentar. Em síntese: menos clichê de rede social, mais prática profissional consistente. Porque perceber o outro é o essencial, não diferencial anunciado.

                                              Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Cerimônia demais, seriedade de menos

 


O cenário político e as instituições são marcados por uma postura excessivamente formal. Na comunicação política brasileira, esse formalismo se manifesta, por exemplo, na leitura protocolar, na abordagem excessivamente conceitual, no tom institucional rígido, na exposição técnica e detalhada e no uso de linguagem elaborada. Nas organizações, essa rigidez também se evidencia em expressões como: no INSS: “O requerente deverá aguardar deliberação.”; no Banco Central do Brasil: “O cenário requer acompanhamento sistemático.”; no Senado Federal: “Encaminha-se a presente proposição para devida análise.”; no Supremo Tribunal Federal: “Data venia, requer-se a apreciação do pleito.”; e na USP: “O discente deverá regularizar sua situação.” Contudo, nos bastidores do poder, figuras públicas e ocupantes de funções estratégicas adotam uma fala igualmente calculada, mas nem sempre adequada. Com frequência, recorrem a termos pouco apropriados. Assim, o excesso de formalismo é tolerado tanto pelas elites quanto pela população. Ao mesmo tempo, o uso recorrente de expressões de baixo nível evidencia a normalização de condutas problemáticas na vida pública brasileira.

                                                           Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.