quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Velho de ideias

 


Morrer lentamente não é deixar de viajar, ler ou ouvir música. É repetir hábitos, defender ideias e rejeitar o que questiona nossas convicções. Há quem passe anos sem rever o que pensa. Julga sem conhecer, condena sem compreender e transforma opiniões em verdades. Em vez de aprender, tenta impor sua visão de mundo. Viajar amplia horizontes. Ler confronta crenças. Ouvir música desperta emoções. Rir de si mesmo permite reconhecer limites. O orgulho impede o aprendizado, o preconceito bloqueia o diálogo e o medo alimenta a estagnação. Cumprir obrigações não basta. Viver exige curiosidade, disposição para aprender e coragem para admitir erros. O problema não é envelhecer, mas chegar ao fim da vida sem questionar as próprias ideias ou reconhecer falhas. De que adianta defender suas convicções durante anos se você nunca teve coragem de admitir que pode estar errado?

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/velho-de-ideias.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Caráter de Coleira

 

Entre os seres humanos, a lógica não é diferente. Há quem elogie os poderosos, silencie diante das injustiças e concorde com tudo para obter vantagens. Não defende ideias, negocia a consciência. Outros preferem perder benefícios a abrir mão dos princípios. Não confundem gratidão com submissão nem favor com obrigação de obedecer. O problema não é receber ajuda, mas sacrificar a dignidade em troca dela. E você, conhece pessoas de princípios ou gente que abana o rabo para quem enche a tigela?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/carater-de-coleira.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

O Preço do Privilégio

 

O cidadão paga impostos sobre o que ganha, compra e consome. O governo arrecada, mas a conta não termina nos tributos. Há salários, verbas e benefícios políticos financiados por quem enfrenta o custo de vida e luta para fechar o mês. Para o contribuinte, cobranças. Para parte da classe política, privilégios. O dinheiro sai do bolso de quem trabalha, mas a obrigação de prestar contas nem sempre parece acompanhar o volume da arrecadação. Que vergonha deveria pesar mais: a de quem trabalha quase metade do ano para pagar impostos ou a de quem, na política, mantém privilégios custeados pelo dinheiro desse mesmo cidadão?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/o-preco-do-privilegio.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

VOTO NA URNA, PÉ NA BUNDA

 

 

Antes de 4 de outubro de 2026, os políticos se aproximaram do povo em busca de votos. Abraçaram, beijaram, apertaram mãos, fizeram promessas e chamaram eleitores pelo nome. Na campanha, conquistar a vaga era prioridade. Encerrada a disputa, a relação muda. O discurso perde espaço, a proximidade desaparece e o compromisso fica para depois. O abraço não chega ao mandato. Quem recebeu a cadeira deveria lembrar quem colocou seu nome na urna. Voto contado, promessa esquecida e pé na bunda. A eleição acaba, o mandato começa e as promessas ficam pelo caminho. Quem acreditou que espere a próxima campanha. Em 2026, a lição continua: para certos políticos, o eleitor serve até a apuração. Depois, sai de cena. E depois de entregar o voto, o eleitor espera o quê: um abraço ou outro pé na bunda?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/voto-na-urna-pe-na-bunda.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Poder Demais, Gente de Menos

A frase continua atual porque trata de uma questão que vai além de quem ocupa o governo. Quanto mais decisões ficam concentradas, maior é a disputa pelo comando. Recursos, regras, cargos e oportunidades passam a depender de quem administra a estrutura pública. Quem controla esse mecanismo pode interferir na vida de muitas pessoas. O problema não está apenas em quem chega ao poder, mas também na quantidade de autoridade disponível para quem ocupa essa posição. Quando poucas pessoas decidem sobre muitas questões, a política pode se transformar em uma disputa por recursos e decisões. Nesse cenário, relações e interesses podem passar à frente do mérito. A capacidade de interferir na vida de outros se torna parte dessa disputa. Hayek fazia um alerta sobre esse risco. Quanto maior a concentração, maior pode ser o impacto de uma escolha. A pergunta permanece: se concentrar poder pode levar os piores ao topo, por que permitir que tão poucas mãos decidam tanto?

Sérgio Lopes, jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/poder-demais-gente-de-menos.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O Doido Enxerga Mais

 

Talvez o problema não esteja em quem pensa diferente, mas em quem aprendeu a olhar tudo pela mesma janela. Há quem aceite a primeira explicação, repita o que ouviu e siga a maioria sem questionar. O chamado doido pode ser justamente quem interrompe esse caminho. Ele muda o ângulo, questiona o que parece normal e percebe o que muitos preferem ignorar. O escritor faz algo parecido: observa, duvida e transforma o cotidiano em pergunta. Enquanto uns cuidam das aparências, outros procuram entender o que existe por trás delas. A ironia está aí: às vezes, é preciso parecer louco para enxergar o que ninguém quer ver. Pensar não é concordar com todos. É ter coragem de discordar. Afinal, quem está mais perto da loucura: quem questiona o mundo ou quem aceita tudo sem pensar?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/o-doido-enxerga-mais.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Cegueira Voluntaria

 

Conviver com quem pensa diferente permite rever ideias, reconhecer erros e aprender. Na política, porém, há quem confunda discordância com ofensa e mudança de opinião com derrota. Nas eleições de 2026, apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro mostram como a lealdade política pode sufocar o pensamento crítico. Criticar o próprio lado é traição. Admitir um acerto do adversário, quase um pecado. Quando a paixão vale mais que os fatos, o debate perde o sentido. Votar não significa entregar a consciência a quem recebe o mandato. Quem condena no adversário aquilo que desculpa no próprio representante não defende princípios. Apenas muda de critério conforme a conveniência. O político erra, você passa pano e o país paga a conta. Seu ídolo continua no poder, e você abre mão de cobrá-lo. Afinal, para que exigir responsabilidade de quem você já decidiu absolver?

Sérgio Lopes, jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/cegueira-voluntaria.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.