A maioria da população brasileira é mal
remunerada e vive para pagar aluguel, comida e contas básicas. Possibilidade de
viajar e aproveitar o tempo livre, infelizmente, parece algo fora de
alcance. E, de fato, para muitos homens
e mulheres, o descanso está cada vez mais distante do cotidiano. Entretanto, há
um outro extremo igualmente triste. Alguns brasileiros têm condições
favoráveis, mas dedicam a maior parte da existência ao trabalho e ao acúmulo
financeiro. Pessoas que enxergam descanso e diversão quase como culpa, não como
parte da vida. Buscar momentos de felicidade não deveria ser privilégio de
poucos. De vez em quando, um passeio simples, uma viagem curta ou instantes com
quem se ama valem mais do que anos vivendo apenas para trabalhar e juntar
dinheiro. Muitas pessoas passam a vida em busca de estabilidade financeira e se
esquecem de si mesmas. Trabalha sem parar, corta tudo que pode, julga quem aproveita
a vida e envelhece achando que felicidade se mede pela conta bancária. No fim,
o dinheiro fica, mas o tempo vai embora. E então chega o choque mais cruel...
Perceber, aos 70 anos, que conheceu mais o caminho do trabalho do que o mundo,
guardou mais boletos do que memórias e viveu mais cansaço do que felicidade.
Porque pobreza nem sempre tem relação com dinheiro. Às vezes, miserável é quem
tem condição de viver, viajar, descansar e aproveitar a vida, mas prefere
existir trancado entre trabalho, contas e avareza, como se fosse levar o saldo
bancário para o cemitério.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.




