A
busca por benefícios pessoais é um comportamento recorrente nas relações
humanas. Em muitos casos, pessoas recorrem à ajuda de terceiros quando
enfrentam dificuldades e aceitam determinadas condições para obter o auxílio
necessário. No entanto, após a resolução de seus problemas, nem sempre
demonstram a mesma compreensão ou tolerância diante de situações semelhantes.
Um exemplo ilustra esse contexto. Uma mãe deseja participar de uma festa, mas
não se sente confortável em deixar o filho sozinho. Como uma amiga também irá
ao evento e costuma deixar seus filhos desacompanhados, ela solicita que seu
filho permaneça com as crianças da colega durante a comemoração. O pedido é
aceito, permitindo que ela aproveite a noite sem preocupações. Dias depois, a
mesma mãe pede que o filho durma na residência da amiga. A solicitação é novamente
atendida, mas os responsáveis pela casa informam que terão um compromisso na
manhã seguinte. Ela concorda com a condição e deixa a criança no local. No dia
seguinte, ao entrar em contato com os proprietários do imóvel, é informada de
que eles saíram para cumprir seus compromissos e que as crianças permaneceram
sozinhas. Inconformada, passa a criticar e ofender o casal pela decisão tomada.
A situação evidencia uma contradição de comportamento. Afinal, se a condição
foi previamente informada e aceita, é coerente condenar posteriormente uma
atitude que já era conhecida e tolerada quando atendia aos próprios interesses?
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.



