Morrer
lentamente não é deixar de viajar, ler ou ouvir música. É repetir hábitos,
defender ideias e rejeitar o que questiona nossas convicções. Há quem passe
anos sem rever o que pensa. Julga sem conhecer, condena sem compreender e
transforma opiniões em verdades. Em vez de aprender, tenta impor sua visão de
mundo. Viajar amplia horizontes. Ler confronta crenças. Ouvir música desperta
emoções. Rir de si mesmo permite reconhecer limites. O orgulho impede o
aprendizado, o preconceito bloqueia o diálogo e o medo alimenta a estagnação.
Cumprir obrigações não basta. Viver exige curiosidade, disposição para aprender
e coragem para admitir erros. O problema não é envelhecer, mas chegar ao fim da
vida sem questionar as próprias ideias ou reconhecer falhas. De que adianta
defender suas convicções durante anos se você nunca teve coragem de admitir que
pode estar errado?
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/velho-de-ideias.html), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.






