quarta-feira, 6 de maio de 2026

Crime seletivo

 

Segundo o dicionário da língua portuguesa, “ladrão” é quem subtrai bens alheios, também chamado de gatuno, larápio, assaltante ou delinquente. Na prática, furtos, roubos, estelionatos, fraudes e corrupção atravessam diferentes contextos, de instituições financeiras a empresas, comércios e serviços, sem poupar setores políticos, religiosos ou culturais, no Brasil e fora dele. A interpretação do termo varia conforme o cenário e pode apontar tanto para o criminoso comum quanto para quem opera esquemas mais sofisticados de desvio, com a diferença de que alguns vestem farda, outros terno, e há ainda os que discursam. Em nosso país e na escala internacional, a palavra costuma recair sobre quem se apropria do que não é seu, seja no cotidiano, seja nos bastidores de grandes estruturas. Trata-se, portanto, de uma prática recorrente, amplamente conhecida... Embora a régua que a mede insista em mudar conforme o endereço, o cargo ou a conveniência. Diante disso, quando você lê ou ouve a palavra “ladrão”, está pensando exatamente em quem, ou em quais prefere não pensar?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Prometeram picanha, entregaram preço



No país da desigualdade crônica e da memória conveniente, o churrasco virou artigo de luxo. Há quatro anos, venderam a volta da “picanha e cervejinha” à mesa popular. A realidade, previsivelmente, ficou de fora da lista. Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) escancaram o enredo, a arroba do boi gordo bateu R$ 367,30 em abril de 2026, acima do pico de 2024. No fim do mês, ainda rondava os R$ 360. Em bom português, o churrasco segue mais à vontade no palanque do que no prato. As causas são as de sempre: oferta curta, exportação aquecida, custo alto, clima instável. Os números fecham, menos para quem paga a conta com a própria pele. Portanto, troca-se o corte, engole-se a frustração e efetua-se o pagamento caro por ela. A picanha segue intocável, suculenta no discurso, inexistente no prato.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Senado em liquidação: fim de mandato, sobra de dúvidas

 

Levantamento do portal Gazeta do Povo indica que dois terços do Senado Federal, o equivalente a 54 parlamentares, encerrarão seus mandatos ao fim da atual legislatura. Entre os partidos mais impactados estão o PSD, com 11 senadores em fim de mandato, e o MDB, com 10. Na sequência aparecem o PL, com sete, e o PT, com seis. O cenário também evidencia a complexidade do alinhamento político no Congresso. Embora parte dos parlamentares esteja formalmente vinculada a partidos de centro, suas posições podem variar conforme afinidades ideológicas ou estratégias políticas.  Diante desse cenário, abre-se a temporada em que o eleitor é convidado, ainda que tardiamente, a fazer o básico, avaliar o desempenho de quem ocupou o cargo. Resta saber se os senadores que se despedem deixaram algo além de discursos protocolares e presença em votações previsíveis. O questionamento é simples, ainda que frequentemente ignorado:  produziram projetos relevantes ou apenas ocuparam espaço? Contribuíram para o desenvolvimento do país ou para a própria sobrevivência política? E, claro, passaram ilesos por escândalos ou apenas navegaram bem entre eles? No fim, o voto exige memória, justamente, o item mais escasso em ano eleitoral.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

sábado, 2 de maio de 2026

Tem final, tem samba, só falta você aparecer

 

O domingo (03/05/2026) promete clima de arquibancada cheia e futebol raiz em Coronel Pacheco, às 9 horas, o campo do Aymoré recebe a grande final do Cinquentão. De um lado, a tradição do Aymoré, do outro, a competitividade do Botafoguinho. Em campo, experiência, rivalidade e um futebol bem jogado, sem firula, do jeito que o torcedor e a torcedora gostam. E não para por aí. Após o apito final, às 11h, a festa segue além das quatro linhas.  A banda pachequense Samba Raiz assume o comando com muito pagode. Lailinha, Ratinho, Zé Mazinho e Nandão entram em cena para garantir a animação do público. Som de qualidade, talento da casa e resenha garantida. Domingo completo, bola rolando e samba no pé.

Sérgio Lopes Jornalista


Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

 


sexta-feira, 1 de maio de 2026

A verdade

 

Todos cometem erros,  alguns reconhecem,  outros não admitem,  muitos insistem.  Mas o pior é quando um indivíduo realiza equívoco contra um homem e uma mulher,  e passa evitá-los .   Essa realidade afeta milhares de pessoas.  Infelizmente,   os que prejudicaram seus semelhantes não têm humildade para pedir desculpa ou perdão.  Enfim,  quem erra  e ignora a situação,  é digno ou digna de pena.

                  Sérgio Lopes Jornalista 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Sotaque não é erro. Arrogância, sim

 

O excelentíssimo senhor Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes ironizou o sotaque do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, durante entrevista ao programa JR Entrevista, da Record, em 22 de abril de 2026. Ao comentar a possível inclusão do governador Romeu Zema no Inquérito das Fake News, o magistrado afirmou que o político utiliza um “dialeto próximo do português” e comparou sua forma de falar ao tétum, idioma oficial do Timor-Leste.  Ilustre integrante da Suprema Corte, o sotaque de Minas Gerais expressa história, identidade e traços culturais da população. Originário das regiões montanhosas, o modo de falar reflete a cultura e o estilo de vida dos moradores de Minas. Expressões como “uai” e “trem” marcam a fala mineira, caracterizada por proximidade e forte identidade cultural. O jeito mineiro de falar pode soar manso, mas não é inferior. O sotaque carrega identidade própria e dispensa validação externa. A forma de expressão tem valor, seja no Brasil ou em Timor-Leste. Quem exerce função pública deve demonstrar respeito à diversidade cultural. A ausência dessa postura compromete o papel institucional e fragiliza a relação com a sociedade. O problema nunca foi o sotaque, é o preconceito tentando se passar por inteligência. Alguns chamam ignorância de opinião e ainda esperam aplauso. Sou mineiro, com orgulho. Minas Gerais não precisa diminuir ninguém para provar que é grande.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

quarta-feira, 29 de abril de 2026