Na loucura do século XXI, a sociedade preza pela imagem. As pessoas estão em busca da aparência e da aprovação. O ideal do corpo perfeito é o sonho de consumo da maioria dos frequentadores das academias. Diante disso, a manifestação: “O Bom Personal não enxerga só músculo e gordura. Ele olha, enxerga e percebe pessoas!", o enunciado tenta transmitir sensibilidade em uma mensagem publicitária pouco original. Ao afirmar que o “bom personal” não se restringe a “músculo e gordura”, apresenta uma prática básica, tratar o aluno na qualidade de indivíduo humano, como diferencial competitivo. Não configura um atributo específico. O discurso se repete (“olha, enxerga e percebe”) e usa a emoção para suavizar uma prática ainda focada em resultados físicos e na venda de serviços. A humanização virou maquiagem de marketing, fácil de aplicar e difícil de sustentar. Em síntese: menos clichê de rede social, mais prática profissional consistente. Porque perceber o outro é o essencial, não diferencial anunciado.
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.




