quarta-feira, 15 de abril de 2026

Parabéns pelo Básico: Agora à Venda

 

Na loucura do século XXI, a sociedade preza pela imagem. As pessoas estão em busca da aparência e da aprovação.  O ideal do corpo perfeito é o sonho de consumo da maioria dos frequentadores das academias. Diante disso, a manifestação: “O Bom Personal não enxerga só músculo e gordura. Ele olha, enxerga e percebe pessoas!", enunciado tenta transmitir sensibilidade em uma mensagem publicitária pouco original. Ao afirmar que o “bom personal” não se restringe a “músculo e gordura”, apresenta uma prática básica, tratar o aluno na qualidade de indivíduo humano, como diferencial competitivo. Não configura um atributo específico. O discurso se repete (“olha, enxerga e percebe”) e usa a emoção para suavizar uma prática ainda focada em resultados físicos e na venda de serviços. A humanização virou maquiagem de marketing, fácil de aplicar e difícil de sustentar. Em síntese: menos clichê de rede social, mais prática profissional consistente. Porque perceber o outro é o essencial, não diferencial anunciado.

                                              Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Cerimônia demais, seriedade de menos

 


O cenário político e as instituições são marcados por uma postura excessivamente formal. Na comunicação política brasileira, esse formalismo se manifesta, por exemplo, na leitura protocolar, na abordagem excessivamente conceitual, no tom institucional rígido, na exposição técnica e detalhada e no uso de linguagem elaborada. Nas organizações, essa rigidez também se evidencia em expressões como: no INSS: “O requerente deverá aguardar deliberação.”; no Banco Central do Brasil: “O cenário requer acompanhamento sistemático.”; no Senado Federal: “Encaminha-se a presente proposição para devida análise.”; no Supremo Tribunal Federal: “Data venia, requer-se a apreciação do pleito.”; e na USP: “O discente deverá regularizar sua situação.” Contudo, nos bastidores do poder, figuras públicas e ocupantes de funções estratégicas adotam uma fala igualmente calculada, mas nem sempre adequada. Com frequência, recorrem a termos pouco apropriados. Assim, o excesso de formalismo é tolerado tanto pelas elites quanto pela população. Ao mesmo tempo, o uso recorrente de expressões de baixo nível evidencia a normalização de condutas problemáticas na vida pública brasileira.

                                                           Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Multa educa ou só arrecada?

 


O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é responsável por normas e princípios que controlam o trânsito de veículos, pedestres e animais nas vias terrestres do país. Além disso, institui que as infrações são classificadas em quatro divisões de multas, de acordo com a gravidade. Os valores atuais das infrações de trânsito são os seguintes: (infração leve: R$ 130,16 – infração média: R$ 195,23 – infração grave: R$ 293,47 – infração gravíssima: R$ 2.934,70). Essas quantias foram atualizadas segundo a legislação vigente e podem sofrer alterações conforme novas resoluções do CONTRAN – Conselho Nacional de Trânsito –, órgão máximo normativo e consultivo do Sistema Nacional de Trânsito (SNT) no Brasil. Diante disso, surge uma questão relevante: as penalidades de trânsito promovem conscientização ou apenas sancionam os condutores de veículos? A maioria dos indivíduos considera a punição como forma de geração de receita. Já para a lei, no entanto, o critério é mais abrangente e está claramente previsto nos dispositivos legais. O CTB define que as penalidades têm propósito educativo, preventivo e punitivo. Isto é, a multa não se destina apenas a punir, mas a evitar condutas de risco e garantir um trânsito mais seguro. Constata-se que, no dia a dia, esse aspecto educativo nem sempre é percebido pela população. Há divergência em relação ao que a lei prevê e ao que o motorista vivencia no cotidiano. A multa, por si só, não educa; ela indica que há uma irregularidade. Contudo, sem informação e orientação, torna-se apenas uma penalidade financeira. Quando o motorista percebe o erro somente após receber a multa, o sistema não conseguiu prevenir. A educação deve anteceder a infração, e não ocorrer depois. O desafio do trânsito brasileiro não é optar entre punir ou educar, mas equilibrar ambas as abordagens, conforme prevê a legislação. As multas são necessárias; porém, a educação contínua é o que efetivamente transforma o comportamento no longo prazo. Por fim, ao alinhar as políticas públicas de trânsito às necessidades e percepções da população, o Brasil pode avançar rumo a um sistema mais justo e seguro, beneficiando todos os envolvidos, de motoristas a pedestres.

 

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Arrogância também adoece

 

Indiferença, vaidade, soberba, superioridade, falta de consideração e comportamento defensivo são particularidades de homens e mulheres arrogantes. A arrogância agrava o ambiente de trabalho e o meio familiar.  Além disso, provoca mal estar, angustia, incômodo, discórdia, desavença, discussão, atrito, polêmica. Em conclusão, diante de atitudes arrogantes, a resposta mais eficaz costuma ser equilíbrio, compreender sem ceder, responder com firmeza e impor limites no momento necessário. Quando o diálogo perde qualidade, afastar-se deixa de ser excesso e passa a ser cuidado.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Gentileza? Moda para medíocres

 

A frase: Fui criado para tratar a tia da limpeza da mesma forma que trato o dono da empresa” denota que sentimento de consideração ou estima não se julga por postura hierárquica e remuneração.   A coletividade humana entra por completo na dinâmica de contato com os outros de maneira imparcial.  No fim, no curso das atividades do cotidiano, demonstramos nossa essência. Somos gentis com uns, indiferentes com outros, gentileza de fachada? Apenas fantasia para disfarçar a mediocridade. Infelizmente, a hipocrisia é o traje obrigatório de milhões de homens e mulheres da sociedade atual.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Deus não mora aqui, só o lucro

 


Jesus de Nazaré sempre foi descrito como pacífico, sossegado, tranquilo, bondoso.  Contudo a ira do personagem central dos evangelhos foi manifestada, quando “Jesus não abençoou os que comercializavam no templo. Ele virou as mesas.”  Uma postura contundente de Cristo, o equilíbrio foi sucedido por ação enérgica: estruturas ao chão, valores dispersos, vendedores afastados, indignação sem protocolo. O Redentor não agiu por descontrole, a reação moral ocorreu diante da transformação do sagrado em lógica de mercado. O que se convencionou chamar de “nervosismo de Jesus” não foi fruto de descarga emocional, surgiu do choque entre fé e interesse financeiro, entre oração e cálculo comercial. O templo, destinado ao recolhimento, havia se tornado espaço de comércio, onde devoção e interesse financeiro conviviam com naturalidade burocrática. O problema ia além da venda, a espiritualidade havia sido convertida em arrecadação. Séculos depois, a cena persiste, mudaram os meios, multiplicaram-se campanhas e promessas de prosperidade em linguagem financeira. Em certos ambientes, a fé adotou lógica de investimento... Contribui-se esperando retorno, a graça circula com preço implícito... Não se pede dinheiro, assina-se pacto; o discurso finge propósito, o caixa sabe a verdade. A lógica financeira é intacta, a retórica é polida. Em alguns casos, o altar se aproxima de práticas de mercado, onde a transcendência convive com foco no lucro. Com o dinheiro no centro, o sentido da fé se altera de forma silenciosa. Ao transformar o sagrado em promessa de vantagem pessoal, a devoção perde reflexão e passa a conviver com uma lógica implícita: a contribuição segue a lei do retorno. O detalhe desconfortável é que muitos citam Jesus Cisto, o alvo do templo? O sagrado virou mercadoria e detalhe irrelevante para todos. Prega-se renúncia em estrutura cara, humildade em ambiente tarifado e crítica ao materialismo com contabilidade em dia. Isso não apaga o trabalho sério de muitas comunidades, apesar disso revela que parte do meio religioso aprendeu a transformar emoção em arrecadação. Se o Nazareno cruzasse certos corredores hoje, talvez visse resquício de fé e balanço intacto.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade


terça-feira, 7 de abril de 2026

Profissionais da Desculpa

 

Quem vive de desculpas raramente consegue transmitir algo útil. Falta de compromisso vira “caos cotidiano”, esforço mínimo ganha o nome de “fadiga sob medida” e tentativas mal resolvidas aparecem embaladas como sinceridade. Em tempos em que explicação parece valer mais que atitude, multiplicam-se justificativas prontas, quase sempre acompanhadas do velho repertório: relógio culpado, trânsito providencial, momento desfavorável, acaso conveniente ou alguma conspiração invisível. A responsabilidade pessoal, quase nunca, entra em cena. A desculpa tornou-se peça recorrente do discurso contemporâneo, encobre falhas, suaviza omissões e ainda tenta parecer sensata. No fim, confirma-se o essencial, excesso de justificativa costuma significar escassez de resultado

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.