O
excelentíssimo senhor Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes
ironizou o sotaque do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, durante
entrevista ao programa JR Entrevista, da Record, em 22 de abril de 2026. Ao
comentar a possível inclusão do governador Romeu Zema no Inquérito das Fake
News, o magistrado afirmou que o político utiliza um “dialeto próximo do
português” e comparou sua forma de falar ao tétum, idioma oficial do
Timor-Leste. Ilustre integrante da
Suprema Corte, o sotaque de Minas Gerais expressa história, identidade e traços
culturais da população. Originário das regiões montanhosas, o modo de falar
reflete a cultura e o estilo de vida dos moradores de Minas. Expressões como
“uai” e “trem” marcam a fala mineira, caracterizada por proximidade e forte
identidade cultural. O jeito mineiro de falar pode soar manso, mas não é
inferior. O sotaque carrega identidade própria e dispensa validação externa. A
forma de expressão tem valor, seja no Brasil ou em Timor-Leste. Quem exerce
função pública deve demonstrar respeito à diversidade cultural. A ausência
dessa postura compromete o papel institucional e fragiliza a relação com a
sociedade. O problema nunca foi o sotaque, é o preconceito tentando se passar
por inteligência. Alguns chamam ignorância de opinião e ainda esperam aplauso.
Sou mineiro, com orgulho. Minas Gerais não precisa diminuir ninguém para provar
que é grande.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com),
em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço
criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como
forma de consciência, sensibilidade e liberdade






