Idolatrar
político virou religião moderna, a urna virou templo e o senso crítico, artigo
raro. O líder erra, o fã não questiona, apenas atualiza a desculpa. Na torcida
política, a moral tem dois pesos: o erro do ídolo vira "plano
genial"; o do rival vira "fim do mundo. Em 2026, a polarização criou
uma nova modalidade, futebol sem bola, com políticos como ídolos e eleitores
como torcedores fanáticos. Há quem defenda político como parente de sangue e
trate a própria família como simples espectadora. Para alguns adoradores da
política, pensar é perigoso demais; melhor seguir o rebanho e chamar isso de
convicção. Quanto mais seguidores o político conquista, mais raro fica
encontrar alguém disposto a questionar. A democracia precisa de cidadãos, não
de torcidas organizadas com título de eleitor e pensamento terceirizado.
Defender tudo do próprio ídolo não é lealdade; muitas vezes é apenas orgulho de
não admitir o erro. Político tem mandato com prazo de validade; os problemas
deixados para trás costumam durar muito mais. O político ganha o fã; o fã perde
a crítica. No fim, quem foi realmente manipulado?
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência
crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues
Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.




