Carlos Drummond de Andrade foi
um dos maiores poetas brasileiros do século XX. Nascido em 31 de outubro de
1902, em Itabira (MG), destacou-se também como cronista e jornalista. Estreou
na literatura com Alguma Poesia, em 1930, e construiu uma obra marcada pela
reflexão sobre o cotidiano, o amor, a memória, o tempo e a sociedade. Entre
seus livros mais conhecidos estão Sentimento do Mundo e A Rosa do Povo. Morreu
no Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1987, aos 84 anos.
Poema de
Sete Faces Carlos Drummond de Andrade
Quando
nasci, um anjo torto
Desses que
vivem na sombra
Disse: Vai,
Carlos, ser gauche na vida
As casas
espiam os homens
Que correm
atrás de mulheres
A tarde
talvez fosse azul
Não houvesse
tantos desejos
O bonde
passa cheio de pernas
Pernas
brancas, pretas, amarelas
Para que
tanta perna, meu Deus? Pergunta meu coração
Porém, meus
olhos
Não
perguntam nada
O homem
atrás do bigode
É sério,
simples e forte
Quase não
conversa
Tem poucos,
raros amigos
O homem
atrás dos óculos e do bigode
Meu Deus,
por que me abandonaste?
Se sabias
que eu não era Deus
Se sabias
que eu era fraco
Mundo,
mundo, vasto mundo
Se eu me
chamasse Raimundo
Seria uma
rima, não seria uma solução
Mundo,
mundo, vasto mundo
Mais vasto é
meu coração
Eu não devia
te dizer
Mas essa Lua
Mas esse
conhaque
Botam a
gente comovido como o diabo
Sérgio Lopes Jornalista
Texto publicado
no Blog dos Letrados Desalienados
(https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/mais-vasto-e-o-coracao.html),
em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado
pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de
consciência, sensibilidade e liberdade.





