“Não é
só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com
as diferenças que a gente inventa.” A frase do escritor
brasileiro Lima Barreto ainda é relevante ao demonstrar a fragilidade das
barreiras sociais impostas pela sociedade. Ao tratar de experiências extremas
comuns à condição humana, sem considerar diferenças sociais ou raciais, o autor
convida o leitor a refletir sobre desigualdades e discriminação. Nascido em
1881, no Rio de Janeiro, Lima Barreto ganhou relevância na literatura
brasileira no começo do século XX. Filho de pais negros, enfrentou um país que
defendia igualdade apenas no discurso, Barreto escreveu sobre um Brasil que
pregava progresso, mas mantinha exclusões. Seu livro mais lembrado é Triste Fim
de Policarpo Quaresma, crítica à sociedade e ao nacionalismo da época. Ao longo
da vida, o escritor carioca enfrentou pobreza, racismo e o abandono de uma
nação que preferia tratar a loucura em hospícios a discutir suas causas. A
própria trajetória influenciou uma escrita ácida, direta e crítica. Mais de cem
anos depois, seus textos continuam atuais diante de problemas sociais que persistem.
A frase de Lima Barreto ironiza uma sociedade obcecada por status, mas que
descobre, diante da doença, da loucura e da morte, que privilégios não garantem
imunidade. Uma crítica ainda atual em um país onde desigualdade muitas vezes
segue tratada como rotina.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade






