Em
ambientes de poder, mérito nem sempre é o principal critério para ascender. Em
muitos casos, cultivar alianças convenientes parece trazer resultados mais
rápidos do que defender opiniões próprias. Cercados por aplausos seletivos e
concordâncias automáticas, muitos líderes passam a tratar bajulação como
fidelidade, enquanto qualquer crítica minimamente sincera ganha status de
afronta imperdoável. O problema é que relações sustentadas apenas por
conveniência costumam durar exatamente até o instante em que deixam de oferecer
vantagem. Quem hoje demonstra lealdade absoluta pode amanhã trocar de posição com
a mesma rapidez com que adapta o próprio discurso às circunstâncias. Ainda
assim, o teatro segue lotado: concordâncias instantâneas, aplausos calculados e
uma impressionante vocação para transformar conveniência em virtude e bajulação
em carreira. Em última análise, esse
tipo de convivência produz ambientes artificiais, onde manter as aparências
costuma valer mais do que qualquer traço de honestidade. E enquanto alguns
acreditam estar cercados de aliados leais, talvez estejam apenas acumulando
profissionais da conveniência, sempre prontos para mudar de lado conforme o
vento do poder.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade






