segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Filho de Velório

A frase traz uma questão que muitos preferem evitar. Há filhos que passam meses ou anos sem visitar os pais, telefonar ou perguntar como estão. A ausência passa a fazer parte da rotina. Quando a morte chega, aparecem lágrimas, abraços e declarações de saudade. Mas onde estavam essas pessoas quando ainda havia tempo? O caixão não permite conversa. As flores não substituem uma visita. O choro não muda o que deixou de ser feito. Enquanto os pais vivem, existe uma escolha. Se você não esteve presente quando eles precisavam de você, por que deveria aparecer quando já não podem responder?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/filho-de-velorio.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Sextou

Muitos comemoram o início da sexta-feira.. O sextou  é alegria da vida,  de milhões de peessoa. Eles devem ter motivos para comemorar.  Talvez,  seja bom! Mas,  todas as sextas são iguais. O que fazer? Qual é a alternativa? Você vai sextar com quem?

             Sérgio Lopes Jornalista 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Nobreza de Fachada

 

Gregório de Matos, o Boca do Inferno, foi um dos principais poetas do Barroco brasileiro. Conhecido pela sátira mordaz, criticou autoridades, costumes, hipocrisias e vícios da sociedade de seu tempo. Sua língua afiada lhe rendeu o apelido que atravessou os séculos. 

Conselhos a qualquer tolo para parecer fidalgo, rico e discreto

Bote a sua casaca de veludo,

E seja capitão sequer dois dias,

Converse à porta de Domingos Dias,

Que pega fidalguia mais que tudo.

 

Seja um magano, um pícaro, um cornudo,

Vá a palácio, e após das cortesias.

Perca quanto ganhar nas mercancias,

E em que perca o alheio, esteja mudo.

 

Sempre se ande na caça e montaria,

Dê nova solução, novo epíteto,

E diga-o, sem propósito, à porfia;

 

Que em dizendo: “facção, pretexto, efecto”.

Será no entendimento da Bahia.

Mui fidalgo, mui rico e mui discreto.

Gregório de Matos

O poema ironiza quem tenta parecer nobre pela roupa, pelo discurso e pela ostentação. Gregório de Matos exagera de propósito para expor o esnobismo e a aparência vazia da elite de seu tempo.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/nobreza-de-fachada.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Quando a Certeza Proíbe Pensar

 

Ariano Suassuna fez da sátira e do espírito crítico instrumentos para expor as contradições da sociedade. Sua reflexão continua atual, quando a paixão ultrapassa a razão, o primeiro a ser silenciado é o questionamento. Na política, há quem relativize os erros do próprio grupo e transforme qualquer opinião divergente em ameaça. Na religião, a fé pode virar instrumento de julgamento. No futebol, o rival deixa de ser adversário e passa a ser tratado como inimigo. Defender ideias, convicções ou paixões não é o problema. A questão começa quando a certeza fecha a porta ao diálogo e transforma quem pensa diferente em inimigo. A ironia é cruel... Quanto mais o fanatismo grita, menos espaço sobra para a razão. Suassuna mostrou que o humor também pode incomodar, provocar e fazer pensar. Por isso, sua crítica continua atual. No fundo, estamos defendendo nossas ideias, ou apenas procurando uma desculpa elegante para não pensar?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/quando-certeza-proibe-pensar.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Malandragem ou Burrice?

 

A frase atribuída a Jorge Ben Jor ainda merece uma pergunta: quem ganha com a malandragem? Levar vantagem sobre alguém é esperteza? Mentir, burlar uma regra ou obter algo sem ter direito pode resolver uma situação. Mas o que acontece depois? A confiança diminui. A palavra perde valor. A convivência fica mais difícil. Honestidade não garante recompensa imediata. Constrói credibilidade. Então, qual é o sentido de enganar para obter benefício? Que tipo de inteligência depende do prejuízo alheio? Se uma vantagem exige a perda de outra pessoa, quem realmente ganhou? E você, chamaria isso de esperteza?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/malandragem-ou-burrice.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Mario Quintana e a pressa do tempo

 


Mario Quintana foi poeta, escritor, tradutor e jornalista. Sua obra é marcada pela linguagem simples, pelo humor e pelo uso de metáforas para tratar de situações do cotidiano. Entre seus poemas mais conhecidos está “Seiscentos e Sessenta e Seis”, no qual o autor reflete, de forma breve e bem-humorada, sobre a passagem do tempo e o significado atribuído ao número seis.

Seiscentos e Sessenta e Seis (Mario Quintana)

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são 6 horas…

Quando se vê, já é 6.ª feira…

Quando se vê, passaram 60 anos…

Agora, é tarde demais para ser reprovado…

E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,

eu nem olhava o relógio.

seguia sempre, sempre em frente …

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/mario-quintana-e-pressa-do-tempo.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Quer Salvar a Humanidade, Mas Usa a Mãe de Empregada?

 

A frase de P. J. O’Rourke, “Todos querem salvar a Terra; ninguém quer ajudar a mãe a lavar a louça”, é atual e revela que há uma distância curiosa entre querer salvar o mundo no discurso e não conseguir nem ajudar a mãe dentro de casa. Nas redes, não faltam candidatos a salvadores do planeta. Dentro de casa, o salvador do planeta vira criança mimada: deixa louça, roupa e bagunça pelo caminho e espera que a mãe faça o serviço que ele não tem disposição para fazer. É curioso cobrar justiça do mundo enquanto se trata a própria mãe como empregada da casa. Querem consertar a sociedade, mas não conseguem sequer assumir a parte que lhes cabe dentro de casa. Responsabilidade não nasce de hashtag, postagem indignada ou discurso de rede social. Começa quando o militante de sofá larga o celular, levanta da cadeira e assume o que lhe cabe. Lavar a louça, guardar a própria bagunça e colaborar em casa não rende curtida, mas revela caráter. É fácil posar de cidadão consciente diante da tela; difícil é sair do conforto e fazer o básico sem precisar ser cobrado. A Terra pode esperar. A louça, não. E quem pretende salvar a humanidade, por que não começa tirando a própria mãe da escala de serviço?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/quer-salvar-humanidade-mas-usa-mae-de.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.