Existe
uma diferença enorme entre ocupar uma posição de comando e saber liderar. O
chefe medíocre, geralmente, descobre o cargo antes de descobrir a própria
competência. Confunde a cadeira que ocupa com inteligência, o medo que provoca
com respeito e a obediência que exige com liderança. Sem argumentos para
convencer, usa a autoridade como escudo. Grita porque não sabe dialogar,
controla porque não sabe confiar e pune porque não sabe desenvolver pessoas.
Precisa repetir diariamente quem manda, talvez porque, no fundo, saiba que
ninguém o seguiria se tivesse a liberdade de escolher. O chefe autoritário
constrói um ambiente onde todos aprendem uma perigosa lição: pensar demais pode
ser um problema. Ele pede inovação, mas recompensa a concordância. Exige
resultados, mas destrói a motivação. Coleciona funcionários calados e chama
isso de disciplina. A ironia é que muitos chefes passam a vida tentando provar
que são indispensáveis, mas revelam justamente o contrário, quando se afastam,
a equipe respira aliviada e o ambiente melhora. O líder não precisa lembrar que
tem poder. Sua postura demonstra. Ele escuta, orienta, assume responsabilidades
e prepara pessoas para caminhar sem depender de sua presença constante. No fim,
a diferença é simples: o chefe precisa do cargo para ser obedecido; o líder
conquista respeito mesmo sem o cargo. Porque autoridade pode vir de uma
nomeação. Mas liderança exige algo que nenhum crachá, sala exclusiva ou título
de gerente consegue fabricar: competência, humildade e caráter.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.



