quinta-feira, 12 de março de 2026

Rocky Avisou. A Vida Confirmou

 


A citação acima do personagem Rocky Balboa, interpretado por Sylvester Stallone no filme "Rocky", tornou-se quase manual de sobrevivência emocional.  A vida impacta, atinge em cheio sem aviso, sem luva e sem juiz para separar a briga. Enquanto uns ficam pelo caminho, outros só estão atrasados na fila. No ano de 2026, A frase continua atual, a vida segue distribuindo porrada sem cerimônia. A diferença é que, fora do ringue de Rocky Balboa, ninguém escolhe quando começa a luta, ela apenas inicia, normalmente no pior momento. O cidadão brasileiro enfrenta o básico do cotidiano: inflação persistente, boletos que não dão trégua e escândalos políticos recorrentes. A carga tributária é alta, a qualidade da educação deixa a desejar, a saúde pública agoniza, o transporte piora e a violência assusta. No meio disso tudo, promessas de campanha somem rápido, reaparecem apenas no próximo palanque. Rocky tomava pancadas de um adversário, o cidadão comum sofre golpes de vários: governo, mercado, juros e algoritmo, às vezes até da própria esperança. No cinema, a multidão grita “levanta!”. Na vida real, quem aparece primeiro é a notificação do banco. A lição segue intacta, resistir. Em 2026, a frase ganhou um adendo irônico, seguir em frente deixou de ser heroísmo; virou sobrevivência. Prosseguimos, não por heroísmo nem por título de campeão. Nos filmes, a luta encerra com música de vitória. Na vida real, termina com o despertador tocando no dia seguinte.

                                                 Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


quarta-feira, 11 de março de 2026

Entre Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva e Flávio Dino: extratos voam, sigilos caem

 


Segundo o jornal Estado de Minas, a chamada Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal do Brasil em parceria com a Controladoria-Geral da União, investiga um esquema que pode ter drenado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social entre 2019 e 2024. O método era quase elegante na sua simplicidade, descontos associativos não autorizados aplicados diretamente em aposentadorias e pensões. As entidades prometiam convênios médicos, auxílio funerário e outros confortos de catálogo. Na prática, entregavam algo bem mais concreto, um pequeno desaparecimento mensal de dinheiro. O mecanismo que permite esse tipo de desconto existe desde 1991. Ficou décadas funcionando discretamente, até descobrir, por volta de 2019, que podia operar em escala industrial. Em 2022, o Congresso Nacional do Brasil ajudou involuntariamente no enredo ao eliminar a exigência de revalidação periódica das autorizações. Resultado, uma autorização que pode durar para sempre, o sonho de qualquer cobrador automático. No centro da investigação aparece Alessandro Stefanutto, então presidente do INSS, preso preventivamente em novembro do ano passado por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Ele é suspeito de manter em postos estratégicos servidores ligados ao grupo investigado, apesar de alertas internos. Stefanutto, como manda o roteiro, afirma não ter nada a ver com o assunto. Diante do escândalo, o Congresso reagiu da maneira tradicional, criou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. Em Brasília, quando o problema cresce demais, abre-se uma comissão. É quase um reflexo institucional. No meio da investigação surgiram extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, foram registradas 1.531 transações, somando cerca de R$ 19,5 milhões. Parte do dinheiro circulou entre contas do próprio empresário, algo que, na contabilidade, pode ser estratégia financeira, ou apenas dinheiro passeando. Os documentos também mostram três transferências do presidente Lula ao filho, totalizando R$ 721 mil entre 2022 e 2023. A comissão aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha, transformando a sessão no que o Congresso faz melhor: gritos, acusações cruzadas e suspensão dos trabalhos. Pouco depois, o ministro Flávio Dino, também do STF, anulou a quebra de sigilo. Quando a decisão chegou, porém, os extratos já tinham circulado pela comissão e pelos jornais, porque, em Brasília, certas informações têm uma curiosa capacidade de vazar antes de serem oficialmente protegidas. O resultado é o de sempre, governo e oposição defendendo versões opostas da mesma história. Enquanto isso, a investigação continua, e o país aguarda o próximo capítulo, que provavelmente trará mais números, mais discursos e, como de costume, menos respostas do que perguntas.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


terça-feira, 10 de março de 2026

O incômodo chamado inveja

 

A inveja é um estado emocional de ganância ou insatisfação pelo êxito, bens e recursos materiais de outros indivíduos.  Alguns atributos marcantes dos invejosos são: análises comparativas recorrentes, dificuldade em admitir o sucesso de terceiros, desvalorização das conquistas alheias, elogios seguidos de alfinetadas, interesse desmedido pela vida pessoal, necessidade de competir por tudo, prazer contido diante das dificuldades de outros, repentina mudança de atitude após o seu sucesso, busca contínua por reconhecimento. A inveja é uma emoção humana comum, porém, sem reconhecimento ou controle, pode provocar desgastes nas relações. Assim, os efeitos podem atingir tanto quem manifesta a inveja quanto quem é objeto dela. Por isso, é recomendável observar os sinais e agir de forma ponderada. Buscar o diálogo, oferecer apoio ou, quando necessário, estabelecer limites podem ser caminhos possíveis. O mais importante é preservar o próprio equilíbrio e cultivar relações baseadas no respeito, na admiração mútua e no crescimento conjunto.

                                                    Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Perdeu o cargo, perdeu os amigos

 

No cenário político do Brasil, em quase todos os casos, os vínculos de amizade autêntica são raridade quase folclórica. Com frequência, as relações sociais e políticas se organizam em torno de interesses bem calculados e mecanismos eficientes de influência. Basta o poder estar à mesa para surgir uma multidão de aliados, elogios entusiasmados e fidelidades com prazo de validade cuidadosamente escondido no rodapé. Perdido o poder, o roteiro muda com rapidez surpreendente. O “amigo” desaparece, o telefone silencia e a consideração evapora. A regra do jogo é simples e antiga, perdeu o cargo, ficou sem a plateia. A gratidão entra em modo de amnésia seletiva, a memória encurta e o bajulado de ontem passa a ser tratado como inconveniente de agenda. O retrato é conhecido na política brasileira e também na política mineira. Muitas pessoas acabam reduzidas a instrumentos descartáveis. Em vez de projeto coletivo, constrói-se domínio; no lugar da confiança, instala-se a velha e disciplinada submissão. E quem ainda acredita em amizade nesse ambiente logo descobre que, ali, a ingenuidade costuma sair bem mais cara do que qualquer campanha eleitoral. A engrenagem não cultiva sentimentalismo, recicla personagens com eficiência admirável e segue funcionando à base de interesses, vaidades infladas e ambições sempre bem abastecidas. Nesse jogo, vale quem manda. O cargo substitui o caráter, a amizade dura pouco e a traição deixa de ser acidente para virar método. Quando a serventia termina, o projeto de poder trata de arquivar o personagem com a mesma frieza com que antes o aplaudia. Talvez esteja na hora de parar de tratar políticos como heróis de novela e observá-los quando o poder acaba. É justamente nesse momento, quando os holofotes se apagam e os cargos mudam de dono, que se descobre quem tinha convicção e quem estava ali apenas pelo cargo, pelos favores e pela luz conveniente da vitrine pública. A política deveria servir ao público. Mas, na prática, muitas vezes virou território de caça para oportunistas bem treinados. Enquanto o poder continuar sendo tratado como troféu pessoal, e não como instrumento de serviço, a falsidade seguirá em alta, e a tal “amizade” continuará sendo apenas mais uma peça descartável na engrenagem do poder.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

sexta-feira, 6 de março de 2026

"Canetas emagrecedoras", o que é tratamento e o que é ilusão?

 


Os medicamentos injetáveis indicados para o tratamento da obesidade, frequentemente  chamados de “canetas emagrecedoras”, ganharam destaque no debate público nos últimos anos. Resultados clínicos considerados expressivos, somados à divulgação intensa nas redes sociais, ampliaram o alcance dessas terapias e consolidaram sua popularidade. A fama, porém, veio acompanhada de confusão. Não se trata de “milagre de verão”, mas de medicamentos incorporados a protocolos médicos voltados ao tratamento da obesidade, condição crônica reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Ainda assim, a doença continua sendo frequentemente reduzida, no imaginário social, a um suposto capricho estético. Entender o que essas medicações realmente são, para quem se destinam e quais são seus limites não é um detalhe técnico. É um requisito básico, nesse tema, informação separa tratamento sério de entusiasmo irresponsável. O rótulo popular usado para essas terapias pode funcionar como slogan, mas está longe de ser uma definição científica precisa. Para esclarecer dúvidas e evitar o uso inadequado, a endocrinologista Elaine Dias JK, PhD em endocrinologia pela Universidade de São Paulo, apresenta alguns mitos e verdades sobre essas medicações.

1 – Elas provocam emagrecimento rápido? Verdade.

Considera-se boa resposta quando o paciente perde mais de 0,5 kg por semana. Resultados abaixo desse ritmo podem levar o médico a rever a estratégia terapêutica.

2 – O resultado é permanente? Mito.

O medicamento atua enquanto está em uso. Sem mudanças no estilo de vida — como alimentação equilibrada, restrição calórica e atividade física regular — o risco de recuperação do peso é alto.

3 – São vendidas livremente nas farmácias? Mito.

Esses medicamentos exigem prescrição médica no Brasil, embora não sejam classificados como drogas de controle especial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Mesmo quando adquiridos com receita simples, o acompanhamento médico é essencial para avaliar efeitos colaterais e possíveis doenças associadas.

4 – Qualquer pessoa pode usar? Mito.

Medicamentos como Ozempic são contraindicados em casos de: histórico de pancreatite, neoplasia endócrina múltipla tipo 2, carcinoma medular da tireoide, gravidez, amamentação.

5 – São o tratamento mais moderno para obesidade? Verdade.

Essas terapias pertencem a uma classe de medicamentos que imita a ação do hormônio intestinal GLP-1, responsável por regular fome e saciedade. Estudos clínicos demonstram eficácia tanto no tratamento da obesidade quanto do diabetes tipo 2. O estudo clínico SELECT, por exemplo, mostrou que pacientes obesos com doença cardiovascular que utilizaram Semaglutida semanal tiveram redução de 20% nos eventos cardíacos em comparação ao grupo placebo.

6 – Causam enjoo com frequência? Verdade.

Náusea é o efeito colateral mais comum. Também podem ocorrer: vômitos, diarreia, constipação, cansaço.  A intensidade costuma diminuir com ajuste de dose e acompanhamento médico.

7 – Melhoram a qualidade de vida? Verdade.

A perda de peso e o controle glicêmico podem melhorar: disposição, fadiga, qualidade do sono, autoestima.

8 – Eliminam gordura localizada? Mito.

O medicamento reduz a fome e aumenta a saciedade, favorecendo o emagrecimento global. Não há ação direta sobre gordura localizada.

9 – Reduzem a fome? Verdade.

A ação ocorre no centro regulador da fome no hipotálamo e também em áreas do sistema límbico relacionadas ao comportamento alimentar.

10 – Podem ser usadas por tempo prolongado? Verdade.

Em muitos casos, o uso contínuo é necessário, especialmente em pacientes com obesidade ou diabetes tipo 2, doenças crônicas que exigem tratamento prolongado.

11 – Funcionam durante a menopausa? Verdade.

A menopausa envolve alterações hormonais e metabólicas que favorecem o ganho de peso. Com acompanhamento médico adequado, o tratamento pode apresentar bons resultados nessa fase.

No fim, a conta é simples. A medicação ajuda, mas não faz milagre. Ela não corre na esteira, não recusa sobremesa e não substitui hábitos saudáveis. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia são claras, o tratamento da obesidade exige reeducação alimentar, atividade física e acompanhamento médico. O resto é expectativa demais para uma única caneta.

 

Sérgio Lopes Jornalista

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quinta-feira, 5 de março de 2026

Personagem famoso, caráter anônimo

 


Likes e curtidas não mensuram índole nem personalidade. No máximo, indicam o grau de dissimulação social. A proximidade elimina filtros, expõe o bruto, sem edição, sem legenda, sem atuação. O que aparece em casa não se publica, e, muitas vezes, nem se suporta assistir. A imagem exibida é construída para parecer coerente, ainda que distante da realidade. Se não sobrevive à realidade, não há inspiração, há estratégia. E das mais baratas, excesso de discurso, ausência de consistência. Criar personagem é simples, difícil é sustentar coerência quando a audiência se dispersa e resta o silêncio; aquele que revela o que se tenta esconder. A máscara não cai, ela escorrega. Nas atitudes, nas contradições, nas pequenas covardias que você acredita invisíveis. Spoiler estraga o prazer ou entrega o jogo? Sabiam, sempre souberam, só estavam assistindo, sem pressa, sem alarde. No fim, não é o ataque que derruba. É a incoerência que expõe. Ela corrói por dentro, devagar, até restar apenas um perfil bonito sustentando uma vida vazia.  Continue postando! Continue encenando! A mentira veste melhor do que a verdade. Portanto, relaxa: quando cair, você descobre. Nunca foi verdade, apenas pose.

Sérgio Lopes Jornalista

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quarta-feira, 4 de março de 2026

Crachá de Ouro, Miolo de Isopor

 

“Não é o cargo que faz o líder, é a postura”. A frase é bonita no papel. Difícil é sustentar fora dele. Cargo é elevador social, sobe rápido, faz barulho e impressiona a vizinhança. Postura não, conduta é índole em pé, e isso não vem no kit admissão nem no contracheque. Crachá abre porta, caráter sustenta teto, o resto é altura sem base. Observe Jair Messias Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. O cargo é o mesmo, a cadeira é a mesma, a faixa também. O que muda é a forma de ocupar o espaço. O título diz “Presidente da República”, a liturgia depende do temperamento.  A grandeza? Essa não consta no decreto de posse, e, curiosamente, nunca aparece no Diário Oficial.  No mundo corporativo, o CEO de terno italiano palestra sobre “liderança humanizada” com microfone sem fio e agenda cheia de aplausos. Entre o café e a sobremesa, dispara a demissão em massa com a naturalidade de quem responde e-mail automático. No interior, longe do palco e do filtro corporativo, a gerente anônima segura meta impraticável, equipe exausta, crise permanente, sem hashtag, sem plateia, sem TED Talk. Um coleciona cargo e selfie, a outra entrega resultado e assume a conta. Ele performa liderança, ela pratica.  Na arte, alguns não pedem licença, fazem acontecer. Taylor Swift (cantora pop americana) regravou seu próprio catálogo e transformou contrato em troféu, sem esperar autorização, assinou a própria história. Enquanto isso, muitos “diretores criativos” vivem de reunião longa e ideia curta, chamando enrolação de processo. Uns deixam legado, outros só ata. No fim, cargo é só moldura dourada, bonita na vitrine, vazia no conteúdo. Obra? Nem sempre, às vezes, é só tela em branco. Cargo? Embalagem premium para miolo vazio. Conteúdo? Edição limitada, quando existe. Liderança não se mede pela sala cheia, mas pelo que sobra quando o aplauso termina. Plateia cheia inflama ego; silêncio expõe caráter. O resto? Só crachá turbinado com ego de balão, sobe rápido e estoura antes do café.

Sérgio Lopes Jornalista

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