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Brasil é pobre, capitalista, desigual. A maioria da população é alienada, fútil, fanática, analfabeta,
intolerante, invejosa, covarde, exploradora e miserável. Diante disso, surge a pergunta
que não quer calar: se 11 ministros vão decidir tudo, por que pagamos 594
parlamentares? Em teoria, pagamos 594 parlamentares para representar e
preservar o teatro da decisão popular. Eles dominam o microfone e fogem da
decisão; outros, porém, mandam no jogo. O martelo já foi batido. Quem se sente
ator compõe apenas a plateia. A discussão é ampla; o desfecho, discreto. Votam
sempre e resolvem raramente, mas fazem barulho na mídia. A democracia parece
uma transmissão ao vivo, muita audiência e pouca consequência. Em paralelo, 11
assinaturas fazem o que 594 discursos não fizeram. É dispendioso manter esse
quadro de ideias mutáveis. Na hora da verdade, poder há de sobra; falta
vergonha, valentia de palco, covardia de bastidor. E o custo da farsa? Sempre
cai no colo de quem insiste em bater palma.
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade


