Milhões
de eleitores brasileiros escolhem, nas eleições, os representantes dos Poderes
Executivo e Legislativo. Entre os cargos em disputa estão Presidente da
República, vice-presidente, Governador, vice-governador, Prefeito,
vice-prefeito, Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual e Vereador. Muitos
eleitores anulam o voto, votam em branco ou simplesmente não comparecem às
urnas. Embora seja um direito democrático, essas escolhas afetam o processo eleitoral
e a qualidade da representação política. Em geral, refletem insatisfação com
candidatos ou com o sistema. Na prática, porém, influenciam a legitimidade dos
eleitos e o funcionamento da democracia. Além disso, uma parcela do eleitorado
ainda vota sem consciência política. Em muitos casos, o voto é trocado por
favores ou benefícios imediatos como: saco de cimento, caminhão de areia, camisa de
time de futebol, engradado de cerveja, churrasco, promessa de emprego ou
dinheiro. Quem age assim pouco se preocupa com as questões sociais, econômicas
e culturais do país. Em diversas situações, prevalecem a alienação, o fanatismo
e o interesse imediato. Sem argumentos para sustentar ideias ou projetos,
ignoram os erros de políticos corruptos, rejeitam opiniões divergentes e adotam
discursos autoritários. O resultado é a incapacidade de diálogo e convivência
democrática, cenário que pode abrir espaço para intolerância, conflitos e até
violência. Conter o extremismo político
no Brasil exige mais do que discursos solenes sobre democracia. Requer algo
mais raro, disposição para ouvir, questionar, conviver com ideias divergentes
um exercício cada vez menos comum em tempos de política tratada como torcida
organizada. Liberdade de expressão, diversidade de opiniões e respeito ao
contraditório costumam aparecer em discursos oficiais. Na prática, porém, viram
conceitos descartáveis sempre que contrariam a paixão partidária da vez. Sem
educação política e senso crítico, o debate público se reduz a gritos, slogans
e fidelidade cega a líderes. O resultado é previsível: menos reflexão, mais
gritaria. A democracia continua de pé, cambaleando, mas ainda funcionando no
modo improviso.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.


