quinta-feira, 9 de julho de 2026

Fora do Mapa da Fome, milhões ainda passam fome

 


Um ano após deixar o Mapa da Fome, o Brasil ainda registra cerca de 6,5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave. A redução da taxa de subnutrição para menos de 2,5% da população representou um avanço, mas especialistas alertam que a manutenção desse resultado depende da continuidade de políticas públicas de combate à pobreza e de promoção da segurança alimentar. Segundo o pesquisador Lucas de Almeida Moura, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), o enfrentamento da fome exige ações integradas que vão além da distribuição de alimentos. Entre as medidas consideradas essenciais estão a geração de emprego e renda, o acesso à água potável, ao saneamento básico, à educação e aos serviços de saúde. Estudo publicado na revista Sustainability, com base em dados de 2018 a 2022, mostra desigualdades regionais no país. Santa Catarina apresentou os melhores indicadores de segurança alimentar, enquanto Maranhão, Acre e Amazonas registraram os piores resultados, refletindo maior vulnerabilidade nas regiões Norte e Nordeste. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a redução da insegurança alimentar foi impulsionada pelo Plano Brasil Sem Fome e pelo fortalecimento de programas como o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Cadastro Único e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A melhora do mercado de trabalho e a desaceleração dos preços dos alimentos entre 2023 e 2025 também contribuíram para esse cenário. Apesar dos avanços, especialistas destacam que a fome ainda é uma realidade para milhões de brasileiros. Permanecer fora do Mapa da Fome representa uma conquista importante, mas não significa o fim do problema. Em 2026, o desafio continua sendo transformar esse resultado em uma condição permanente, garantindo que todos tenham acesso regular e digno à alimentação adequada.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

O Último Capítulo de um Gênio da TV

 


A morte do dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, na última terça-feira (7), encerra um dos capítulos mais importantes da história da televisão brasileira. Autor de novelas como Pantanal, Renascer, O Rei do Gado, Terra Nostra e Velho Chico, ele transformou o Brasil rural em protagonista da teledramaturgia e elevou a ficção nacional a um patamar raro de identidade cultural. Enquanto grande parte das novelas apostava em tramas urbanas e fórmulas repetidas, Benedito valorizou o campo, a imigração, a cultura popular, os conflitos agrários e as paisagens brasileiras. Em 1990, Pantanal revolucionou a televisão ao provar que era possível conquistar o público com uma narrativa autenticamente brasileira, gravada em locações naturais e distante dos modelos tradicionais. Nascido em Gália (SP), em 1931, Benedito Ruy Barbosa construiu uma carreira marcada pela originalidade e pelo compromisso com histórias que refletiam o país real. Mais do que recordes de audiência, deixou um legado artístico que atravessa gerações. Sua morte representa uma perda difícil de ser substituída. Em um cenário em que a dramaturgia brasileira enfrenta escassez de grandes autores e crescente padronização das produções, Benedito Ruy Barbosa pertence a uma geração cuja dimensão criativa dificilmente voltará a se repetir. Seu legado permanece como referência para a televisão brasileira e para a cultura nacional.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Setenta Anos Depois, o Fim da Linha

 

Após 70 anos de operação, a Viação José Maria Rodrigues encerrou oficialmente suas atividades em 30 de junho de 2026, colocando fim a uma trajetória histórica no transporte intermunicipal da Zona da Mata Mineira. Ao longo de décadas, a empresa ligou municípios como Coronel Pacheco, Goianá, Juiz de Fora, Rio Novo, Guarani, Piraúba, Astolfo Dutra e Piau, tornando-se referência na mobilidade regional. Desde 1º de julho, a operação das linhas passou para a Viação Bassamar, que assume a prestação do serviço na região. A saída da José Maria Rodrigues encerra um ciclo marcado pela contribuição ao desenvolvimento regional. Durante sete décadas, a empresa aproximou cidades, facilitou o acesso da população ao trabalho, à educação, aos serviços de saúde e ajudou a fortalecer a integração entre os municípios atendidos. A Viação Bassamar inicia agora uma nova fase, cercada pela expectativa de manter a regularidade das linhas e elevar a qualidade do atendimento. O desafio vai além da continuidade da operação: passa por preservar um legado construído ao longo de gerações e atender às demandas de uma população que depende diariamente do transporte intermunicipal.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


segunda-feira, 6 de julho de 2026

O Pentacampeão Virou Refém da Própria Arrogância

 

A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 esteve longe de ser um acidente. O resultado foi consequência de um ciclo marcado por decisões contestáveis, planejamento deficiente e uma sucessão de erros que se repetem há décadas. Pela sexta Copa do Mundo consecutiva, o Brasil caiu diante de uma seleção europeia em confrontos de mata-mata, prolongando um jejum que já dura desde o pentacampeonato, em 2002. O fracasso começou antes da estreia. A convocação gerou questionamentos pela presença de jogadores sem o melhor momento técnico ou físico. O caso mais simbólico foi o de Neymar, chamado sem ritmo de jogo e distante da condição que o consagrou. Também causaram críticas as escolhas de Danilo, Alex Sandro e Weverton, enquanto atletas em melhor fase ficaram fora da lista. Mais uma vez, a impressão foi de que prestígio, influência e apelo comercial pesaram tanto quanto o desempenho em campo. A CBF reafirmou sua incapacidade de promover mudanças estruturais. A entidade acumula anos de instabilidade administrativa, planejamento inconsistente e baixa transparência, enquanto troca técnicos e dirigentes sem enfrentar as causas dos sucessivos fracassos. O problema deixou de ser circunstancial para se tornar um modelo de gestão incapaz de recolocar o futebol brasileiro no mais alto nível competitivo. Parte da cobertura da Rede Globo também merece críticas. Em vez de estimular uma análise equilibrada, predominou uma narrativa excessivamente otimista. A convocação de Neymar foi tratada como um grande acontecimento, enquanto vitórias sobre adversários tecnicamente inferiores alimentaram a impressão de que o hexacampeonato era apenas uma questão de tempo. A euforia frequentemente substituiu a análise crítica, contribuindo para criar expectativas incompatíveis com o desempenho apresentado pela equipe ao longo do ciclo. Dentro de campo, a eliminação apenas confirmou problemas conhecidos: deficiência tática, falta de organização coletiva, dificuldade para enfrentar seleções de elite e excessiva dependência de iniciativas individuais. Diante de uma Noruega organizada, disciplinada e eficiente, o Brasil repetiu erros vistos nas últimas Copas. Também cabe uma reflexão sobre parte da torcida brasileira. A cada Mundial, ressurge o velho ufanismo, sustentado pelo discurso de que "o hexa é nosso" e pela crença de que a tradição da camisa basta para superar qualquer adversário. Esse patriotismo acrítico transforma o debate esportivo em torcida cega, ignora sinais evidentes de fragilidade e alimenta expectativas que desmoronam diante dos primeiros confrontos realmente difíceis. O roteiro tornou-se previsível. Antes da Copa, predominam o marketing, a exaltação e o discurso de favoritismo. Depois da eliminação, multiplicam-se os culpados de ocasião, enquanto CBF, patrocinadores, emissoras e toda a engrenagem econômica do futebol seguem praticamente intocados. Muda o discurso, mas preserva-se o sistema que produz os mesmos resultados. A derrota para a Noruega expôs muito mais do que uma eliminação. Escancarou o esgotamento de um modelo sustentado por decisões questionáveis, cobertura complacente e um ambiente de euforia que frequentemente substitui a autocrítica. Enquanto critérios técnicos continuarem subordinados ao peso dos nomes, a CBF permanecer resistente à profissionalização, parte da imprensa insistir em vender ilusões e uma parcela da torcida preferir o ufanismo à realidade, o futebol brasileiro seguirá preso ao mesmo ciclo: promessas antes da Copa e frustração quando ela termina.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

22ª Cabra Fest reúne grandes shows e valoriza tradições de Coronel Pacheco MG

 




Entre os dias 3 e 5 de julho de 2026, a 22ª Cabra Fest será realizada na Praça Carlos Chagas, em Coronel Pacheco (MG). A programação reúne atrações nacionais, artistas regionais e atividades voltadas à valorização das tradições do município. A abertura da festa, na sexta-feira (3), terá como principal atração o Bonde do Forró, grupo conhecido pelo ritmo contagiante e pela presença de palco de Juliana, que se destaca pelo carisma e interação com o público. No sábado (4), o cantor Wilson Sideral sobe ao palco com um repertório que mistura rock, pop e MPB, prometendo um show marcado pela versatilidade musical. Encerrando a programação de shows nacionais, no domingo (5), a dupla Felipe e Rodrigo, um dos principais nomes da nova geração da música sertaneja, apresenta seus maiores sucessos. Entre eles está "Gosta de Rua", música mais ouvida do Brasil em 2024. A programação também contará com apresentações dos artistas regionais Pedro Frizzon, DJ Alex, Alan e Alysson, DJ Netinho e Bruno Henrique, reforçando o espaço destinado aos talentos locais.  Além dos shows, a programação inclui a 1ª edição da Feira Gastronômica Praça Viva, a premiação do tradicional concurso leiteiro, realizada na quadra central, e a apresentação do Grupo de Ginástica Viva Mais, reunindo entretenimento, cultura e valorização das atividades da comunidade. O prefeito Marcos Aurélio Valério Venâncio "Coléu" e o vice-prefeito Eder Rodrigues Lopes "Pretinho" destacam que a Cabra Fest é um dos mais importantes eventos do calendário de Coronel Pacheco, fortalecendo a cultura, movimentando a economia local e promovendo o encontro entre moradores e visitantes. Eles convidam os pachequenses, turistas e moradores das cidades vizinhas a prestigiarem a 22ª edição da festa, celebrando juntos um dos marcos do município.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Mais dispositivos, mais desenvolvimento?

 


O Brasil já tem mais smartphones do que habitantes. Segundo a 35ª edição da Pesquisa do Uso da Tecnologia da Informação, da Fundação Getúlio Vargas (FGVcia), o país reúne 258 milhões de celulares inteligentes em uso, média de 1,2 aparelho por pessoa. A população brasileira em 2026 é estimada em 213,6 milhões de habitantes. Ao considerar notebooks e tablets, o total chega a 384 milhões de dispositivos portáteis, equivalente a 1,8 equipamento por habitante. Com os computadores de mesa, o país soma cerca de 480 milhões de dispositivos digitais em funcionamento, média de 2,2 aparelhos por brasileiro. Apesar da expansão da tecnologia, o mercado de computadores perdeu ritmo. Em 2025, foram vendidos 12 milhões de PCs, queda de 3% em relação ao ano anterior. A expectativa é de estabilidade, sustentada principalmente pela demanda por notebooks no trabalho híbrido. O levantamento também confirma os smartphones como principal ferramenta para estudo, trabalho e entretenimento. Pela primeira vez, a pesquisa analisou o uso de inteligência artificial generativa e apontou o ChatGPT como o assistente virtual mais utilizado no Brasil, à frente do Google Gemini e do Microsoft Copilot. Os números evidenciam o avanço da transformação digital no país, mas também levantam um questionamento: o crescimento contínuo do uso de dispositivos eletrônicos tem sido acompanhado por ganhos efetivos em conhecimento, produtividade e inclusão ou tem ampliado problemas como dependência digital, excesso de tempo de tela, sedentarismo e impactos na saúde física e mental da população?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


quarta-feira, 1 de julho de 2026

MG Motor chega ao Brasil, mas eletrificação ainda enfrenta desafios

 


A chinesa MG Motor confirmou que iniciará a montagem de veículos no Brasil no fim de 2026. A produção será instalada em Horizonte (CE), na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em parceria com a Comexport. Será a primeira fábrica da marca na América do Sul. O projeto prevê investimento de R$ 400 milhões, sendo R$ 60 milhões destinados à adaptação da linha de montagem e R$ 340 milhões a pesquisa, desenvolvimento e inovação. A fábrica adotará um modelo flexível e multimarcas. Inicialmente, produzirá os modelos elétricos MG4 Urban e MGS5. A empresa também desenvolve veículos com tecnologia flex para atender às características do mercado brasileiro. A expectativa é fabricar 50 mil veículos nos próximos quatro anos e gerar cerca de 600 empregos diretos e indiretos no Nordeste. A chegada da MG Motor reforça o movimento de eletrificação da indústria automotiva no país. Entretanto, a expansão dos veículos elétricos ainda enfrenta obstáculos como a limitada rede de recarga, o alto custo de aquisição e a necessidade de maior adaptação do consumidor. Diante desse cenário, o Brasil avança na transição para a mobilidade elétrica, mas ainda enfrenta limitações para sua adoção em larga escala. A tecnologia apresenta potencial, especialmente nos grandes centros urbanos, porém sua expansão dependerá da ampliação da infraestrutura de recarga, da redução dos preços e de políticas que ampliem o acesso do consumidor aos veículos elétricos.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.