O
passado deve ser consultado, não habitado. Ainda assim, muita gente insiste em
transformá-lo em residência permanente. Vive de lembranças, coleciona
arrependimentos ou se alimenta de antigas glórias, como se o tempo tivesse
parado. Enquanto os olhos permanecem fixos no ontem, o presente passa
despercebido e o futuro deixa de ser construído. A nostalgia pode ser
reconfortante, mas, em excesso, torna-se uma prisão disfarçada de saudade. O
mundo muda, as pessoas mudam e a realidade não espera por quem insiste em
caminhar de costas. A experiência existe para orientar escolhas, não para
impedir novos caminhos. Quem vive apenas de memórias corre o risco de repetir
os mesmos erros e desperdiçar oportunidades inéditas. O passado explica quem
fomos. O futuro depende do que fazemos agora. Confundir uma coisa com a outra é
trocar a possibilidade de evoluir pelo conforto da estagnação.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.





