No país da desigualdade crônica e da memória conveniente, o churrasco
virou artigo de luxo. Há quatro anos, venderam a volta da “picanha e
cervejinha” à mesa popular. A realidade, previsivelmente, ficou de fora da
lista. Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada)
escancaram o enredo, a arroba do boi gordo bateu R$ 367,30 em abril de 2026,
acima do pico de 2024. No fim do mês, ainda rondava os R$ 360. Em bom
português, o churrasco segue mais à vontade no palanque do que no prato. As
causas são as de sempre: oferta curta, exportação aquecida, custo alto, clima
instável. Os números fecham, menos para quem paga a conta com a própria pele.
Portanto, troca-se o corte, engole-se a frustração e efetua-se o pagamento caro
por ela. A picanha segue intocável, suculenta no discurso, inexistente no
prato.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.
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