terça-feira, 27 de outubro de 2026

Bolsa ou Preguiça?

 

O brasileiro trabalha, empreende e paga impostos. Em troca, espera serviços públicos. O Estado arrecada, mas nem sempre entrega o que a população necessita. Os programas sociais devem amparar quem enfrenta a fome, a doença, a deficiência ou não consegue garantir o próprio sustento. Precisar de ajuda não significa querer viver às custas dos outros. O desemprego, a falta de qualificação e as responsabilidades familiares podem dificultar o acesso ao mercado de trabalho. Receber benefício não significa falta de vontade de trabalhar. O problema está em quem tem condições de procurar emprego, mas se recusa a fazê-lo e transfere aos demais o custo de sua escolha. Trabalhadores e empresários financiam o Estado por meio de tributos sobre a renda, o consumo e as atividades econômicas. Quem trabalha, produz, vende ou compra participa dessa conta. Ninguém deveria ignorar que os recursos públicos saem daquilo que a sociedade produz e paga. Enquanto isso, a população enfrenta filas na saúde, problemas na educação, insegurança e dificuldades no transporte. O governo tem a obrigação de prestar contas e demonstrar como transforma a arrecadação em serviços para a população. A assistência social deve proteger quem precisa, combater fraudes e ampliar o acesso à qualificação e ao emprego. O auxílio deve garantir amparo a quem enfrenta dificuldades, sem substituir as oportunidades de conquistar independência financeira. Quem precisa de ajuda tem direito à proteção. Quem pode trabalhar, mas se recusa a procurar emprego, não pode tratar o esforço alheio como obrigação de sustentá-lo. Quem trabalha e paga impostos não pode ser condenado a sustentar, sem prazo, quem tem condições de contribuir, mas escolhe transferir aos outros o peso de suas responsabilidades. A solidariedade existe para amparar quem precisa, não para bancar a recusa de quem pode fazer sua parte. Direito à assistência não é licença para viver às custas dos outros.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

O Gênio da Ignorância

 

Pensar por conta própria tem um preço: contrariar quem confunde opinião com verdade. Em vez de responder a argumentos, há quem ataque quem aponta seus erros. Admitir que está errado exige mais esforço do que culpar quem expõe a falha. Quem não troca princípios por aprovação incomoda quem exige concordância. Discordar vira ofensa, questionar vira provocação e reconhecer o próprio erro deixa de ser uma opção. O idiota não rebate argumentos: ataca quem os apresenta. Quando falta razão, sobra insulto. E qual é a maior vergonha: ser chamado de idiota por dizer a verdade ou precisar demonstrar, a cada discussão, a própria incapacidade de pensar?

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/o-genio-da-ignorancia.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Domingo, Voto. Segunda, Boleto!

 

 

João Plenário, personagem de A Praça é Nossa, do SBT, interpretado por Saulo Laranjeira, usa o humor para criticar a política brasileira. Uma frase que circula na internet, atribuída a ele, resume essa realidade: “Independentemente de quem ganhar a eleição, segunda-feira o despertador toca às 6h do mesmo jeito.” Em 2026, candidatos disputam votos e eleitores defendem suas escolhas. Nessa disputa, há quem justifique erros e deixe de cobrar resultados. Apoiar um candidato é um direito. Fiscalizar seu mandato é um dever de cidadania. Voto não é cheque em branco, nem autorização para governar sem prestar contas. Na segunda-feira, a rotina recomeça. O trabalhador bate ponto, os impostos vencem e as contas chegam. O político ocupa o cargo; o cidadão arca com as consequências das decisões tomadas em seu nome. Na urna, você escolhe. Na segunda-feira, você paga. E ainda aplaude quem lhe envia a conta?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/domingo-voto-segunda-boleto.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Pare de passar pano

 

Todos falam em princípios, palavra e caráter. As ações, porém, revelam o que cada um pratica. Nas relações humanas, prometer é fácil. Difícil é cumprir. Há quem peça confiança, mas descumpra acordos; cobre respeito, mas ignore os direitos alheios; peça perdão, mas repita os mesmos erros. Diante das contradições, surgem justificativas, raramente o reconhecimento da própria responsabilidade. No fim, o comportamento vale mais que o discurso. Se alguém diz uma coisa e faz outra, a mensagem está dada. Insistir em ignorá-la é enganar a si mesmo.

                                                       Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/pare-de-passar-pano.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Velho de ideias

 


Morrer lentamente não é deixar de viajar, ler ou ouvir música. É repetir hábitos, defender ideias e rejeitar o que questiona nossas convicções. Há quem passe anos sem rever o que pensa. Julga sem conhecer, condena sem compreender e transforma opiniões em verdades. Em vez de aprender, tenta impor sua visão de mundo. Viajar amplia horizontes. Ler confronta crenças. Ouvir música desperta emoções. Rir de si mesmo permite reconhecer limites. O orgulho impede o aprendizado, o preconceito bloqueia o diálogo e o medo alimenta a estagnação. Cumprir obrigações não basta. Viver exige curiosidade, disposição para aprender e coragem para admitir erros. O problema não é envelhecer, mas chegar ao fim da vida sem questionar as próprias ideias ou reconhecer falhas. De que adianta defender suas convicções durante anos se você nunca teve coragem de admitir que pode estar errado?

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/velho-de-ideias.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Caráter de Coleira

 

Entre os seres humanos, a lógica não é diferente. Há quem elogie os poderosos, silencie diante das injustiças e concorde com tudo para obter vantagens. Não defende ideias, negocia a consciência. Outros preferem perder benefícios a abrir mão dos princípios. Não confundem gratidão com submissão nem favor com obrigação de obedecer. O problema não é receber ajuda, mas sacrificar a dignidade em troca dela. E você, conhece pessoas de princípios ou gente que abana o rabo para quem enche a tigela?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/carater-de-coleira.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

O Preço do Privilégio

 

O cidadão paga impostos sobre o que ganha, compra e consome. O governo arrecada, mas a conta não termina nos tributos. Há salários, verbas e benefícios políticos financiados por quem enfrenta o custo de vida e luta para fechar o mês. Para o contribuinte, cobranças. Para parte da classe política, privilégios. O dinheiro sai do bolso de quem trabalha, mas a obrigação de prestar contas nem sempre parece acompanhar o volume da arrecadação. Que vergonha deveria pesar mais: a de quem trabalha quase metade do ano para pagar impostos ou a de quem, na política, mantém privilégios custeados pelo dinheiro desse mesmo cidadão?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/o-preco-do-privilegio.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.