As religiões são diversas e todas merecem
respeito. O direito de crer ou não crer, é inegociável. Ainda assim, em determinadas
estruturas de poder religioso, o que se observa não é apenas fé, mas também
fanatismo e intolerância. Embora se repita que o julgamento pertence a Deus,
parte dos grupos religiosos adota práticas que negam esse princípio:
intolerância, legitimação de discriminações sob justificativa espiritual,
crença inquestionável, pressão por conversão e controle moral travestido de fé.
Em certos contextos, a religião deixa de ser espaço de espiritualidade e passa
a operar como mecanismo de autoridade. A verdade se torna monopólio, lideranças
se tornam intocáveis e o dissenso é tratado como ameaça. Nesses ambientes, a
devoção permanece visível, mas valores como empatia, tolerância e solidariedade
tornam-se secundários, quando não descartáveis. No fim, ocupar um banco em um
templo é simples. Difícil é ocupar o lugar do respeito ao outro. Nem toda fé
proclamada resiste ao teste básico da convivência humana.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com),
em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço
criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como
forma de consciência, sensibilidade e liberdade.



