Daniel Vorcaro é proprietário do Banco Master
Em novembro de 2025, o Banco Master deixou de
constar como instituição ativa no sistema do Banco Central. O motivo decorreu
de múltiplas falhas que teve forte efeito sobre o sistema financeiro brasileiro.
O episódio envolve suspeitas de irregularidades financeiras bilionárias, emprego
de fundos de investimento para dissimular perdas, e medidas de suporte
financeiro articuladas com banco público. Sob controle do banqueiro Daniel
Vorcaro, o Master avançou rapidamente ao oferecer Certificados de Depósitos
Bancários (CDB) com rentabilidade substancialmente superior à média do setor. Para
assegurar a continuidade do modelo, conforme a Polícia Federal, o banco passou
a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam
artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real (dinheiro imediatamente
disponível para ressarcir os investidores) se deteriorava. O prejuízo
financeiro associado à quebra do Master atinge R$ 47 bilhões, as investigações da PF e os relatórios do BC indicam que o colapso do
Master não se limitou ao aspecto financeiro, alcançando também o âmbito
institucional. A negociação de venda com o Banco de Brasília (BRB) e as movimentações
direcionadas a órgãos reguladores transformaram o caso em um cenário de elevada
complexidade, com impacto imediato sobre investidores e sobre a confiança nas
instituições. Daniel Vorcaro, proprietário
do Master, tentou embarcar para Dubai. Porém foi preso, em novembro do ano
passado, na “Operação Compliance Zero” da Polícia Federal, que investiga fraude
bilionária e gestão fraudulenta. Vorcaro ficou preso dez dias, contestou a
acusação de fraude em depoimento à Polícia Federal e apontou alterações nas
regras do Fundo Garantidor de Créditos como causa da crise de liquidez do
Master. Depois, obteve liberdade, por
decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1)), sob cumprimento de
medidas cautelares determinadas judicialmente, com determinação de uso de
tornozeleira eletrônica e retenção do passaporte. Em uma nação democrática como o Brasil, a
aplicação da lei não é igual para todos. Um abastado acusado de fraude e
irregularidades no sistema bancário, ficou poucos dias presos e passou a
cumprir medidas cautelares. O contraste
é evidente, enquanto investigados com poder econômico obtêm determinações
judiciais preventivas, cidadãos pobres permanecem detidos por crimes
semelhantes. Em conclusão, a lei é dura com uns, flexível com outros e o
critério muda conforme quem está no banco dos réus.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.
