sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A Escravidão Consentida

 

Nicolau Maquiavel, autor de “O Príncipe”, não tratava a política como um jogo de inocentes. Enxergava o poder como ele realmente é: uma luta permanente por domínio, interesses e controle. Ainda hoje, a pergunta permanece desconfortavelmente atual... Quando a corrupção é aceita, o abuso é tolerado e a lei se curva aos interesses de quem manda, quem ainda pode falar em liberdade? No atual cenário político, a divisão se aprofunda, as instituições perdem credibilidade e a desconfiança avança. A descrença no STF (Supremo Tribunal Federal) ganha força, enquanto a disputa entre os Poderes transforma a crise institucional em rotina. Maquiavel provavelmente reconheceria o cenário. Uma democracia não apodrece apenas pela ação dos corruptos, mas pela tolerância de quem os aceita, os defende e transforma a corrupção em rotina. A impunidade também se alimenta de cidadãos que trocam princípios por fanatismo e defendem o erro quando o criminoso veste a camisa do próprio lado. Para quem escolhe político como time, justiça virou questão de torcida. A escravidão moderna não precisa de correntes. Basta a submissão de quem troca a própria consciência pela defesa de quem está no poder. Maquiavel estudou os governantes. A democracia exige homens e mulheres dispostos a fazer o que eles mais temem: fiscalizar, questionar e impor limites. Quem exerce o poder se incomoda quando encontra uma sociedade que enxerga a manipulação, questiona discursos e se recusa a obedecer cegamente. Em conclusão, quem mantém o povo de joelhos: o governante que pisa no pescoço ou o eleitor que, por covardia e conveniência, segura a própria coleira e ainda chama isso de liberdade?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/a-escravidao-consentida.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Todo Mundo Quer Curtida. Quem Vai Construir?

 

Todo mundo quer seguidores, curtidas e visualizações. Ao mesmo tempo, profissões essenciais enfrentam falta de trabalhadores. Na construção civil, faltam pedreiros qualificados. Quem ergue paredes e transforma projetos em realidade pode não aparecer nas redes sociais, mas está presente em cada tijolo assentado, cada casa construída e cada obra concluída. Seu trabalho transforma ideias em realidade onde pessoas moram, trabalham e vivem. O influenciador também tem seu valor. Pode informar, divertir, criar oportunidades e alcançar milhares de pessoas. O problema não está em aparecer. Está em uma sociedade que, às vezes, parece confundir visibilidade com reconhecimento. A ironia é que curtidas podem transformar alguém em fenômeno na internet, mas não levantam paredes. Assim como uma obra não depende de milhões de seguidores, a influência também não precisa de cimento para existir. Cada profissão tem seu valor. A questão é quando a sociedade passa a premiar quem aparece e esquecer quem faz. Se todos quiserem palco, quem vai ficar no canteiro de obras? Curtida pode fazer barulho. Mas parede continua esperando pedreiro.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/todo-mundo-quer-curtida-quem-vai.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Voto Não Tem Dono

 

Em 2026, cada eleitor terá novamente uma escolha diante da urna. O voto é pessoal, livre e secreto. Ninguém precisa da bênção do vizinho, da autorização do amigo, da opinião do influenciador ou da cartilha de grupo político. Discordar é democrático. Querer mandar no voto alheio, não. Defendem a liberdade até você pensar diferente. Depois, querem controlar até o que passa pela sua cabeça. Seu voto não tem dono, muito menos procuração para quem acredita ter poder sobre sua escolha. Se a decisão é pessoal, por que ainda há quem queira decidir por outros?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/voto-nao-tem-dono.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Cadeira Não Dá Caráter

 

O cargo fica para trás, o dinheiro muda de dono, os títulos perdem a força. O que permanece é o que você realmente é. Basta ganhar poder, dinheiro ou alguns aplausos para alguém acreditar que virou importante. Assume uma função e já se imagina acima de todos. Alcança uma posição de destaque e passa a olhar os outros de cima. O problema começa quando alguém confunde ter importância com ser importante. Poder confere autoridade. Dinheiro abre portas. O prestígio impressiona. Nada disso fabrica caráter. O crachá pode até mandar. Só não consegue ensinar dignidade. E há quem passe a vida confundindo a cadeira que ocupa com o valor que possui. Ter impressiona. Ser revela. Quando o dinheiro, o poder e os títulos deixam de falar por você, o que resta?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/cadeira-nao-da-carater.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Quando a Burrice Faz Quórum

 

Nelson Rodrigues constatou uma ideia que permanece atual: a inteligência nem sempre prevalece, mas a falta de senso crítico pode ganhar força quando se torna coletiva. A realidade oferece exemplos. Muitas pessoas opinam sobre temas que pouco conhecem. Nem sempre o conhecimento acompanha o poder de decidir. Há quem tenha poucas informações, mas muitas certezas. E, quando sua opinião encontra eco em um grupo, confunde consenso com razão. O problema não está apenas na falta de conhecimento. Está quando alguém encontra muitos que pensam como ele e passa a acreditar que a quantidade é prova de acerto. A democracia conta votos. Quantidade não é sinônimo de qualidade. Quando todos aplaudem o absurdo, quem ainda tem coragem de vaiar? Ou será que a sociedade já se acostumou tanto à mediocridade que passou a chamá-la de normalidade?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/quando-burrice-faz-quorum.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Cabeça Vazia, Cargo Cheio. E Agora?

 

E, ao que tudo indica, tem neurônio fazendo hora extra.  Pena que sem resultado! Basta um cargo, meia dúzia de aplausos e pronto.  O sujeito se convence de que virou autoridade, porém só ganhou um crachá. De repente, o indivíduo descobre que nasceu para mandar. Estranho... Até ontem, ninguém tinha percebido. Confunde autoridade com superioridade, respeito com medo e liderança com submissão. Passa a distribuir ordens como quem oferece favores, e ainda espera aplausos pela generosidade de mandar. O problema não é o poder; é quando ele encontra uma cabeça vazia... Aí, a arrogância finalmente encontra onde morar. Porque, quando falta caráter, sobra cinismo. E ainda aparece quem confunda isso com autoridade. E quando falta competência, o personagem compensa no gogó e chama de autoridade o que não passa de mediocridade. Por isso, não foi o poder que subiu à cabeça, apenas encontrou espaço. E quando a cabeça vem vazia, qualquer cargo parece grande demais. Coincidência ou falta de conteúdo mesmo?

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/cabeca-vazia-cargo-cheio-e-agora.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Uai, Vêvei Tu Vida!

 


“Vêvei tu vida e deixa a do zôto em paz!”. A recomendação é simples, porém parece difícil de cumprir. Muitas pessoas não conseguem varrer a própria calçada, mas fiscaliza até a poeira da casa dos outros. Sabe quem trabalha, o que veste, quanto ganha, o que come, com quem namora e até como deveria viver. Enquanto isso, o próprio quintal está caindo aos pedaços. Mas deixa estar, cuidar da própria vida dá trabalho. Da vida alheia, basta abrir a boca. Nas redes sociais, então, tem fiscal para tudo. Palpita, julga, condena e, muitas vezes, nem sabe da história inteira. Fala como quem tem procuração para administrar a vida dos outros. Quando alguém reage, vem o velho “Calma, era só minha opinião”. Uai, pode ser, mas falar o que pensa não dá procuração para mandar na vida de ninguém. Talvez o incômodo seja mais simples, há quem não suporte ver os outros escolhendo, pensando e vivendo do jeito que bem entendem. Enfim, cuidar da própria vida dá trabalho. Já a dos outros é fácil: opinião, julgamento e fofoca. E ainda tem quem se ache dono da verdade. “Então, uai: vêvei tu vida!” Da minha, deixa que eu dou conta. Palpite?  Se eu quiser, eu peço.

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/uai-vevei-tu-vida.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.