O
brasileiro trabalha, empreende e paga impostos. Em troca, espera serviços
públicos. O Estado arrecada, mas nem sempre entrega o que a população
necessita. Os programas sociais devem amparar quem enfrenta a fome, a doença, a
deficiência ou não consegue garantir o próprio sustento. Precisar de ajuda não
significa querer viver às custas dos outros. O desemprego, a falta de
qualificação e as responsabilidades familiares podem dificultar o acesso ao mercado
de trabalho. Receber benefício não significa falta de vontade de trabalhar. O
problema está em quem tem condições de procurar emprego, mas se recusa a
fazê-lo e transfere aos demais o custo de sua escolha. Trabalhadores e
empresários financiam o Estado por meio de tributos sobre a renda, o consumo e
as atividades econômicas. Quem trabalha, produz, vende ou compra participa
dessa conta. Ninguém deveria ignorar que os recursos públicos saem daquilo que
a sociedade produz e paga. Enquanto isso, a população enfrenta filas na saúde,
problemas na educação, insegurança e dificuldades no transporte. O governo tem
a obrigação de prestar contas e demonstrar como transforma a arrecadação em
serviços para a população. A assistência social deve proteger quem precisa,
combater fraudes e ampliar o acesso à qualificação e ao emprego. O auxílio deve
garantir amparo a quem enfrenta dificuldades, sem substituir as oportunidades
de conquistar independência financeira. Quem precisa de ajuda tem direito à
proteção. Quem pode trabalhar, mas se recusa a procurar emprego, não pode
tratar o esforço alheio como obrigação de sustentá-lo. Quem trabalha e paga
impostos não pode ser condenado a sustentar, sem prazo, quem tem condições de
contribuir, mas escolhe transferir aos outros o peso de suas responsabilidades.
A solidariedade existe para amparar quem precisa, não para bancar a recusa de
quem pode fazer sua parte. Direito à assistência não é licença para viver às
custas dos outros.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.






