Millôr
Fernandes, um dos principais nomes do humor e da crítica política brasileira,
ficou conhecido por expor, com ironia, as contradições do poder. Com essa
afirmação: “Isso sim é um Congresso eficiente! Ele mesmo rouba, ele mesmo
investiga, ele mesmo absolve”, expõe, com sarcasmo, as contradições presentes
nas estruturas do poder... Quem fiscaliza também pode precisar ser fiscalizado?
No atual cenário político brasileiro, a frase permanece atual diante
das denúncias, investigações, disputas partidárias e conflitos institucionais
que atravessam o ambiente político nacional. Millôr não fazia da crítica
política uma questão de alinhamento partidário. Seu foco estava nas
contradições do poder e nos interesses particulares que, muitas vezes, se
sobrepõem ao interesse público. A ironia permanece atual quando o próprio
sistema investiga e julga seus integrantes. A pergunta, então, é inevitável:
quem fiscaliza os fiscais? Millôr fazia humor com a política. O problema começa
quando a realidade supera a piada, a ironia vira notícia e o absurdo ganha
mandato.
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/08/fiscaliza-quem.html), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.




