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e curtidas não mensuram índole nem personalidade. No máximo, indicam o grau de
dissimulação social. A proximidade elimina filtros, expõe o bruto, sem edição,
sem legenda, sem atuação. O que aparece em casa não se publica, e, muitas
vezes, nem se suporta assistir. A imagem exibida é construída para parecer
coerente, ainda que distante da realidade. Se não sobrevive à realidade, não
há inspiração, há estratégia. E das mais baratas, excesso de discurso, ausência
de consistência. Criar personagem é simples, difícil é sustentar coerência
quando a audiência se dispersa e resta o silêncio; aquele que revela o que se
tenta esconder. A máscara não cai, ela escorrega. Nas atitudes, nas
contradições, nas pequenas covardias que você acredita invisíveis. Spoiler
estraga o prazer ou entrega o jogo? Sabiam, sempre souberam, só estavam
assistindo, sem pressa, sem alarde. No fim, não é o ataque que derruba. É a incoerência
que expõe. Ela corrói por dentro, devagar, até restar apenas um perfil bonito
sustentando uma vida vazia. Continue
postando! Continue encenando! A mentira veste melhor do que a verdade. Portanto,
relaxa: quando cair, você descobre. Nunca foi verdade, apenas pose.
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.
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