quarta-feira, 6 de maio de 2026

Crime seletivo

 

Segundo o dicionário da língua portuguesa, “ladrão” é quem subtrai bens alheios, também chamado de gatuno, larápio, assaltante ou delinquente. Na prática, furtos, roubos, estelionatos, fraudes e corrupção atravessam diferentes contextos, de instituições financeiras a empresas, comércios e serviços, sem poupar setores políticos, religiosos ou culturais, no Brasil e fora dele. A interpretação do termo varia conforme o cenário e pode apontar tanto para o criminoso comum quanto para quem opera esquemas mais sofisticados de desvio, com a diferença de que alguns vestem farda, outros terno, e há ainda os que discursam. Em nosso país e na escala internacional, a palavra costuma recair sobre quem se apropria do que não é seu, seja no cotidiano, seja nos bastidores de grandes estruturas. Trata-se, portanto, de uma prática recorrente, amplamente conhecida... Embora a régua que a mede insista em mudar conforme o endereço, o cargo ou a conveniência. Diante disso, quando você lê ou ouve a palavra “ladrão”, está pensando exatamente em quem, ou em quais prefere não pensar?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

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