A
eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do
Mundo de 2026 esteve longe de ser um acidente. O resultado foi consequência de
um ciclo marcado por decisões contestáveis, planejamento deficiente e uma
sucessão de erros que se repetem há décadas. Pela sexta Copa do Mundo
consecutiva, o Brasil caiu diante de uma seleção europeia em confrontos de
mata-mata, prolongando um jejum que já dura desde o pentacampeonato, em 2002. O
fracasso começou antes da estreia. A convocação gerou questionamentos pela
presença de jogadores sem o melhor momento técnico ou físico. O caso mais
simbólico foi o de Neymar, chamado sem ritmo de jogo e distante da condição que
o consagrou. Também causaram críticas as escolhas de Danilo, Alex Sandro e Weverton,
enquanto atletas em melhor fase ficaram fora da lista. Mais uma vez, a
impressão foi de que prestígio, influência e apelo comercial pesaram tanto
quanto o desempenho em campo. A CBF reafirmou sua incapacidade de promover
mudanças estruturais. A entidade acumula anos de instabilidade administrativa,
planejamento inconsistente e baixa transparência, enquanto troca técnicos e
dirigentes sem enfrentar as causas dos sucessivos fracassos. O problema deixou
de ser circunstancial para se tornar um modelo de gestão incapaz de recolocar o
futebol brasileiro no mais alto nível competitivo. Parte da cobertura da Rede
Globo também merece críticas. Em vez de estimular uma análise equilibrada,
predominou uma narrativa excessivamente otimista. A convocação de Neymar foi
tratada como um grande acontecimento, enquanto vitórias sobre adversários
tecnicamente inferiores alimentaram a impressão de que o hexacampeonato era
apenas uma questão de tempo. A euforia frequentemente substituiu a análise
crítica, contribuindo para criar expectativas incompatíveis com o desempenho
apresentado pela equipe ao longo do ciclo. Dentro de campo, a eliminação apenas
confirmou problemas conhecidos: deficiência tática, falta de organização
coletiva, dificuldade para enfrentar seleções de elite e excessiva dependência
de iniciativas individuais. Diante de uma Noruega organizada, disciplinada e
eficiente, o Brasil repetiu erros vistos nas últimas Copas. Também cabe uma
reflexão sobre parte da torcida brasileira. A cada Mundial, ressurge o velho
ufanismo, sustentado pelo discurso de que "o hexa é nosso" e pela
crença de que a tradição da camisa basta para superar qualquer adversário. Esse
patriotismo acrítico transforma o debate esportivo em torcida cega, ignora
sinais evidentes de fragilidade e alimenta expectativas que desmoronam diante
dos primeiros confrontos realmente difíceis. O roteiro tornou-se previsível.
Antes da Copa, predominam o marketing, a exaltação e o discurso de favoritismo.
Depois da eliminação, multiplicam-se os culpados de ocasião, enquanto CBF,
patrocinadores, emissoras e toda a engrenagem econômica do futebol seguem
praticamente intocados. Muda o discurso, mas preserva-se o sistema que produz
os mesmos resultados. A derrota para a Noruega expôs muito mais do que uma eliminação.
Escancarou o esgotamento de um modelo sustentado por decisões questionáveis,
cobertura complacente e um ambiente de euforia que frequentemente substitui a
autocrítica. Enquanto critérios técnicos continuarem subordinados ao peso dos
nomes, a CBF permanecer resistente à profissionalização, parte da imprensa
insistir em vender ilusões e uma parcela da torcida preferir o ufanismo à
realidade, o futebol brasileiro seguirá preso ao mesmo ciclo: promessas antes
da Copa e frustração quando ela termina.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

Só agradecer o Neymar que jogou sozinho. Messi é Cristiano Ronaldo nunca saiu atrás de bola. Sempre tem alguém fazendo isto pra eles. Neymar estava sozinho e não deu tempo para mostrar o que ele sabe fazer. A maldita esquerda incluindo o atual presidente torceu para ele perder. Quem tirou o Brasil da copa foi o sistema. Acorda brasileiros! Porque Vinicius não bateu o pênalti?
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