terça-feira, 11 de agosto de 2026

Amém, Meu Político

 

Idolatrar político virou religião moderna, a urna virou templo e o senso crítico, artigo raro. O líder erra, o fã não questiona, apenas atualiza a desculpa. Na torcida política, a moral tem dois pesos: o erro do ídolo vira "plano genial"; o do rival vira "fim do mundo. Em 2026, a polarização criou uma nova modalidade, futebol sem bola, com políticos como ídolos e eleitores como torcedores fanáticos. Há quem defenda político como parente de sangue e trate a própria família como simples espectadora. Para alguns adoradores da política, pensar é perigoso demais; melhor seguir o rebanho e chamar isso de convicção. Quanto mais seguidores o político conquista, mais raro fica encontrar alguém disposto a questionar. A democracia precisa de cidadãos, não de torcidas organizadas com título de eleitor e pensamento terceirizado. Defender tudo do próprio ídolo não é lealdade; muitas vezes é apenas orgulho de não admitir o erro. Político tem mandato com prazo de validade; os problemas deixados para trás costumam durar muito mais. O político ganha o fã; o fã perde a crítica. No fim, quem foi realmente manipulado?

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

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