Quem vive de desculpas raramente consegue
transmitir algo útil. Falta de compromisso vira “caos cotidiano”, esforço
mínimo ganha o nome de “fadiga sob medida” e tentativas mal resolvidas aparecem
embaladas como sinceridade. Em tempos em que explicação parece valer mais que
atitude, multiplicam-se justificativas prontas, quase sempre acompanhadas do
velho repertório: relógio culpado, trânsito providencial, momento desfavorável,
acaso conveniente ou alguma conspiração invisível. A responsabilidade pessoal,
quase nunca, entra em cena. A desculpa tornou-se peça recorrente do discurso
contemporâneo, encobre falhas, suaviza omissões e ainda tenta parecer sensata.
No fim, confirma-se o essencial, excesso de justificativa costuma significar
escassez de resultado
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

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