Em
meio à rotina intensa, às responsabilidades e aos pequenos dramas do cotidiano,
muita gente acredita carregar o peso do mundo nas costas, até descobrir que
existem pessoas lutando apenas para continuar vivas até amanhã. Reclamar da
vida virou hábito confortável para quem nunca precisou disputar comida, remédio
ou dignidade. Quando o olhar sai do próprio umbigo, aparecem dores que quase
ninguém quer enxergar. Em hospitais de câncer, há pessoas travando batalhas
silenciosas entre esperança e sofrimento, enquanto do lado de fora ainda existe
quem trate atraso no delivery como tragédia pessoal. Em orfanatos e asilos,
abandono e solidão machucam mais do que muitas doenças. E nos lixões e nas
regiões consumidas pela dependência química, a sobrevivência acontece no limite
da fome, da exclusão e da perda da própria humanidade. Não se trata de medir
quem sofre mais, mas de lembrar que falta empatia em um mundo onde muitos
transformaram conforto em motivo de reclamação permanente. Às vezes, o problema
não é a falta de uma vida perfeita, é o excesso de ingratidão diante da vida
que já existe. Depois de enxergar essas realidades, certas reclamações parecem
menos desabafo e mais luxo emocional. E a gratidão deixa de ser frase bonita de
rede social para virar consciência.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade

As vezes estes lugares estão tão perto que não enxergamos. Como é importante para as pessoas nestas condições. Um abraço faz a diferença.
ResponderExcluirSim, há muitas pessoas precisando de ajuda.
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