Um ano
após deixar o Mapa da Fome, o Brasil ainda registra cerca de 6,5 milhões de
pessoas em situação de insegurança alimentar grave. A redução da taxa de
subnutrição para menos de 2,5% da população representou um avanço, mas
especialistas alertam que a manutenção desse resultado depende da continuidade
de políticas públicas de combate à pobreza e de promoção da segurança
alimentar. Segundo o pesquisador Lucas de Almeida Moura, da Faculdade de Saúde
Pública da Universidade de São Paulo (USP), o enfrentamento da fome exige ações
integradas que vão além da distribuição de alimentos. Entre as medidas
consideradas essenciais estão a geração de emprego e renda, o acesso à água
potável, ao saneamento básico, à educação e aos serviços de saúde. Estudo
publicado na revista Sustainability, com base em dados de 2018 a 2022, mostra
desigualdades regionais no país. Santa Catarina apresentou os melhores
indicadores de segurança alimentar, enquanto Maranhão, Acre e Amazonas
registraram os piores resultados, refletindo maior vulnerabilidade nas regiões
Norte e Nordeste. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência
Social, Família e Combate à Fome (MDS), a redução da insegurança alimentar foi
impulsionada pelo Plano Brasil Sem Fome e pelo fortalecimento de programas como
o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Cadastro Único e
o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A melhora do mercado de
trabalho e a desaceleração dos preços dos alimentos entre 2023 e 2025 também
contribuíram para esse cenário. Apesar dos avanços, especialistas destacam que
a fome ainda é uma realidade para milhões de brasileiros. Permanecer fora do
Mapa da Fome representa uma conquista importante, mas não significa o fim do
problema. Em 2026, o desafio continua sendo transformar esse resultado em uma
condição permanente, garantindo que todos tenham acesso regular e digno à
alimentação adequada.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário