A
frase retrata a diferença entre fé e prática religiosa, no Brasil de 2026, não
faltam templos lotados, discursos inflamados e seguidores dispostos a
transformar líderes religiosos em autoridades acima de qualquer questionamento.
O problema surge quando Deus deixa de ser o centro e a figura religiosa passa a
ocupar esse lugar, cercada por idolatria, influência e disputa. Há
quem repita fielmente as opiniões de padres, pastores e outras lideranças religiosas,
mas pouco conheça os princípios que diz defender. Fé não deveria exigir
cegueira, nem qualquer autoridade estar acima de questionamentos. Quando o
seguidor deixa de pensar para apenas obedecer, a espiritualidade corre o risco de
dar lugar ao fanatismo. No momento em
que a fé exige que o fiel entregue a própria consciência a padres, pastores ou
outras autoridades, o pensamento crítico passa a ser tratado como ameaça e a
obediência, como virtude. Talvez o fanatismo comece justamente aí: quando o
membro da comunidade religiosa conhece mais as palavras de quem conduz do que
os princípios que diz seguir. Se questionar virou pecado, fica a pergunta: quem
está realmente no altar, Deus ou o dono da verdade?
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/08/amem-pensar-pra-que.html), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

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