Pessoas
próximas raramente admitem o que sentem. Preferem o silêncio, a ausência do
like e o súbito desinteresse quando você começa a se destacar. É mais fácil
retirar os elogios, diminuir a presença e desaparecer aos poucos. Na era das
redes sociais, até a admiração parece ter limites. Enquanto alguns celebram
suas conquistas, outros apenas observam de longe, esperando que seu brilho
diminua. Nem todo silêncio é maturidade; às vezes, é ressentimento vestido de
indiferença. Por isso, vale menos contar quem se manifesta e mais perceber quem
permanece quando sua conquista deixa de ser conveniente. Há quem caminhe ao seu
lado apenas enquanto você não ameaça seu próprio ego. Mas o tempo tem sua
própria manchete, enquanto uns gastam energia esperando a queda alheia, outros
seguem avançando. Em síntese, cada pessoa revela seu verdadeiro tamanho não pelo
aplauso que oferece, mas pela capacidade de lidar com o crescimento de quem
está ao seu lado.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/o-aplauso-que-desaparece.html), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

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