Gregório
de Matos, o Boca do Inferno, foi um dos principais poetas do Barroco
brasileiro. Conhecido pela sátira mordaz, criticou autoridades, costumes,
hipocrisias e vícios da sociedade de seu tempo. Sua língua afiada lhe rendeu o
apelido que atravessou os séculos.
Conselhos a qualquer tolo para parecer fidalgo,
rico e discreto
Bote a
sua casaca de veludo,
E seja
capitão sequer dois dias,
Converse
à porta de Domingos Dias,
Que pega
fidalguia mais que tudo.
Seja um
magano, um pícaro, um cornudo,
Vá a
palácio, e após das cortesias.
Perca
quanto ganhar nas mercancias,
E em que
perca o alheio, esteja mudo.
Sempre se
ande na caça e montaria,
Dê nova
solução, novo epíteto,
E diga-o,
sem propósito, à porfia;
Que em
dizendo: “facção, pretexto, efecto”.
Será no
entendimento da Bahia.
Mui
fidalgo, mui rico e mui discreto.
Gregório
de Matos
O poema
ironiza quem tenta parecer nobre pela roupa, pelo discurso e pela ostentação.
Gregório de Matos exagera de propósito para expor o esnobismo e a aparência
vazia da elite de seu tempo.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/nobreza-de-fachada.html), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

Parabéns! Trazer de volta aquilo que estava perdido por alguns.
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