“Deus tomou a redondeza da lua e a ondulação da serpente; o entrelaçamento da trepadeira e o tremer da erva; a esbelteza do caniço e a frescura da rosa; a ligeireza da folha e o aveludado do pêssego; o olhar lânguido da corça e a inconstância da brisa; o pranto da nuvem e a alegria do sol; a timidez da lebre e a vaidade do pavão; a doçura da penugem que guarnece a garganta dos pássaros e a dureza do diamante; o sabor doce do mel e a crueldade do tigre; o gelo da neve e o calor do fogo; o cacarejar do galo e o arrulho da rola. Misturou tudo isso e fez a mulher. Ela era graciosa e sedutora. E, achando-a mais bela que a íbis e a gazela, Deus, orgulhoso de sua obra, admirou-a e deu-a de presente ao homem. Oito dias depois, o homem, bastante confuso, procurou Deus e lhe disse: “Senhor, a criatura que me ofereceste envenena a minha existência; tagarela sem cessar, lamenta-se a propósito de tudo, chora e ri ao mesmo tempo, é inquieta, exigente e melindrosa; está sempre me importunando e não me deixa um instante de sossego. Suplico-te, Senhor, chama-a de volta para ti, pois não posso viver com ela”. E Deus, paternalmente, retomou a mulher. Mas, passados oito dias, o homem voltou a procurar a Deus: “Senhor, minha vida é uma solidão, desde que te restituí aquela criatura. Ela cantava e dançava na minha frente. Que suave expressão tinha ela quando me olhava de lado, sem voltar a cabeça. Ela brincava comigo! E não há fruto mais delicioso, de nenhuma árvore, que se compare às suas carícias! Imploro que me devolvas. Não posso viver sem ela!” E Deus devolveu-lhe a mulher. Passaram-se mais oito dias e Deus franziu o cenho, vendo surgir o homem que empurrava a mulher dizendo: “Senhor, não sei como isso acontece, mas a verdade é que esta mulher me dá mais aborrecimento do que prazer. Fica com ela, que eu não a quero mais!” A tais palavras, o Senhor lhe disse: “Homem, regressa à tua casa com tua companheira e aprende a suportá-la. Se eu a aceitasse de volta, daqui a oito dias tu virias de novo importunar-me para reavê-la. Vai e leva-a contigo.” E o homem se retirou murmurando: “Como eu sou infeliz! Duplamente infeliz, porque não posso viver com ela e não posso viver sem ela!”
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
quinta-feira, 28 de janeiro de 2021
Vou-me Embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que
eu quero
Na cama que
escolherei
Vou-me embora pra
Pasárgada
Vou-me embora pra
Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma
aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de
Espanha
Rainha e falsa
demente
Vem a ser
contraparente
Da nora que nunca
tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro
brabo
Subirei no
pau-de-sebo
Tomarei banhos de
mar!
E quando estiver
cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a
mãe-d'água
Pra me contar as
histórias
Que no tempo de eu
menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra
Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo
seguro
De impedir a
concepção
Tem telefone
automático
Tem alcaloide à
vontade
Tem prostitutas
bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver
mais triste
Mas triste de não ter
jeito
Quando de noite me
der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei
—
Terei a mulher que eu
quero
Na cama que
escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Manuel Bandeira
sábado, 2 de janeiro de 2021
Vindo Palestra moldado Cruzeiro
No final do século XIX, a abolição da escravidão possibilitou a entrada de europeus no Brasil. O desemprego e a miséria foram problemas sociais enfrentados pela Itália e outras nações da Europa. Milhões de imigrantes vieram para algumas cidades brasileiras... Belo Horizonte recebeu aproximadamente 80 mil italianos. De acordo com o Historiador Anísio Ciscotto Filho, “desse número, 70% veio trabalhar nas fazendas e em torno de 17% na construção da nova capital.” No processo de desenvolvimento de BH, o gosto pelo futebol foi intensificado pela colônia italiana... No dia 2 de janeiro de 1921, foi fundado a Societá Sportiva Palestra Itália, atual Cruzeiro Esporte Clube. No dia (02/01/2021), os nove milhões de corações cruzeirenses pulsam de alegria pelo Brasil, Minas Gerais e o mundo... A história centenária é marcada por 68 títulos oficiais: duas Copas Libertadores, quatro Campeonatos Brasileiros e seis Copas do Brasil. Ademais, a equipe conquistou 38 Campeonatos Mineiros, duas Supercopas Libertadores, uma Recopa Sul-Americana, uma Copa Ouro, uma Copa Master, duas Copas Sul-Minas, uma Copa Centro-Oeste, um Supercampeonato Mineiro, duas Copas dos Campeões Mineiros, cinco Taças Minas Gerais e uma Copa Belo Horizonte. Niginho, Orlando Fantoni, Natal, Nelinho, Ademir, Douglas, Ricardinho, Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Zé Carlos, Palhinha, Joãozinho, Procópio, Roberto Batata, Boiadeiro, Perfumo, Luisão, Giovanni, Elivélton, Alex, Kléber Gladiador, Arrascaeta, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Marcelo Ramos, Marcelo Moreno, Sorín, Nonato, Roger Flores, Ronaldo, Montillo, Gomes, Fábio, Dida, Raul dentre tantos outros ídolos escreveram seus nomes nas páginas heroicas e imortais do Cruzeirão Cabuloso. A atual fase ruim não apaga a história. Parabéns Cruzeiro Esporte Clube!!! Felicidades 1000!!! Deus o abençoe.
“Cruzeiro,
Cruzeiro querido. Tão combatido, jamais vencido!”
Sérgio Lopes (Jornalista, Professor e
Especialista em TV, Cinema e Mídias)
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Feliz 2021!!!
Final de ano é tempo de festa e celebração, mas também de reflexão, de análise e de recomeços. Para trás fica um ano que agora acaba, e dele devemos guardar o bom e esquecer o menos bom. Do sofrimento e das lágrimas guardemos apenas a certeza de que a elas sobrevivemos. Dos erros guardemos a aprendizagem; e das dificuldades guardemos o momento da superação. Devemos sentir alegria e gratidão por mais um ano vivido, e apesar de tudo que tenha acontecido, o importante é que chegamos até aqui. E hoje somos mais experientes, mais fortes e mais sábios. Agora é tempo de encher o coração de otimismo, esperança e sonhos, é tempo de recomeçar e renovar, pois um novo ano vai começar e devemos vivê-lo e aproveitá-lo ao máximo. Desejos de um feliz e próspero Ano Novo!
sexta-feira, 4 de dezembro de 2020
A burocracia é o maior inimigo do desenvolvimento
De acordo com Lêillane
Soares, o conceito de burocracia deveria ser procedimentos que visam atrapalhar
quando estamos com muita pressa para fazer algo. Nas instituições (pública, privada, social)
tais como: escolas, hospitais, cartórios, empresas, órgãos públicos dentre
outros, há sempre a figura detestável de um burocrata ou tecnocrata. Este
profissional adora complicar a vida da equipe de trabalho. A maior parte
designa determinações gerenciais arbitrárias, enfadonhas, repetitivas,
extenuantes e inúteis. A Produção quase
diária de relatórios, a exigência de reuniões intermináveis aos sábados ou após
o expediente, as inúmeras chamadas telefônicas fora do horário de trabalho, a criação
de projetos inúteis, sobretudo, na área de educação são algumas atitudes
desagradáveis dos burocratas e tecnocratas. Quem já enfrentou, enfrenta ou
enfrentará o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), a Receita Federal, o
DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito), a Administração de Benefícios dos
Servidores Públicos...? Bastantes cidadãos sempre ficam enfurecidos com a
imprestabilidade do sistema burocrático do país. Milhões de indivíduos sentem o
quanto é repugnante os imensuráveis formulários, métodos equivocados, imposição
desigual ao trabalhador brasileiro, funcionários públicos nada atenciosos,
dificuldade para conseguir um serviço público e descontentamento com a solução.
“Burocracia: a arte de converter o fácil para o difícil através do inútil” é
uma frase de autoria desconhecida e define bem a complexidade burocrática. Senhores
burocratas e tecnocratas libertem as suas mentes para chegarem a novas conquistas,
planos, maneira de viver e refletir. Por fim, como disse o pensador Ernesto P.
Neto: “os governos devem tornar a vida do cidadão mais produtiva e livre, sem
burocracias e amarras”.
Sérgio
Lopes (Jornalista, Professor, Especialista em TV, Cinema e Mídias Digitais)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
"Só, e no mais: sem ti, jamais nunca — Minas, Minas Gerais"...
De acordo com o site
www.sites.almg.gov.br, em 02 de dezembro de 1720, a Capitania (São Paulo e Minas do Ouro) foi desmembrada pela
Coroa Portuguesa, sendo criada a Capitania de Minas, que se tornou conhecida como Minas Gerais. Nos três séculos de
existência, tanto as pessoas (humildes, simples, honestas, trabalhadoras)
quanto os grandes nomes da (música, literatura, ciência, política, esporte) nascidas
nas montanhas mineiras tiveram papel
relevante na história do Brasil. O povo
mineiro sempre foi responsável pela diversidade cultural... No cenário musical,
podemos destacar o Clube da Esquina, movimento que originou na década de 1960
em (Belo Horizonte), onde jovens músicos, os irmãos Borges (Marilton, Márcio e
Lô) e Milton Nascimento começaram a se reunir na capital mineira, o som
produzido se fundia com as novidades trazidas pela Bossa Nova a elementos do
jazz, do rock – principalmente os Beatles –, música folclórica dos negros
mineiros com alguns recursos de música erudita e música hispânica. Outros nomes
importantes são: (Ary Barroso, Ataulfo Alves, Flávio Venturini, Paulinho Pedra
Azul, Ana Carolina, Beto Guedes, Fernando Brand, Wagner Tiso, Wilson Sideral,
Cláudio Venturini dentre outros) e bandas como: (Skank, Jota Quest, Pato Fu,
Tia Anastácia, 14 Bis, Sepultura e Sarcófago). Poetas e autores mineiros consagrados da literatura
brasileira encantaram o mundo: (Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade,
Murilo Mendes, Ziraldo, Darcy Ribeiro, Fernando Sabino, Adélia Prado). Na
ciência, o grande destaque é Alberto Santos Dumont. Ele inventou o avião, “14
Bis”, a primeira aeronave mais pesada, a levantar voo por seus próprios meios.
No cenário político, desde a República do Café com Leite (1889 – 1930), marcada
pela alternância de presidentes paulistas e mineiros, até o processo de redemocratização,
nos anos 1980, as Minas Gerais contribuíram com personagens decisivos nos
destinos do país tais como: Afonso Penna, Henrique Teixeira Lott, Magalhães Pinto, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Itamar
Franco, José de Alencar... No esporte, o
maior jogador de futebol de todos os tempos (Edson Arantes do Nascimento –
Pelé). Ademais, os ex-futebolistas Dirceu Lopes, Eduardo Gonçalves de
Andrade (Tostão), Wilson Piazza, José Reinaldo de Lima (Reinaldo) nasceram em solo
mineiro. Parabéns Minas Gerais e povo mineiro! Sem dúvida, o nosso estado é o
melhor do Brasil.
Sérgio Lopes (Jornalista, Professor e Especialista em TV, Cinema e Mídias Digitais)
sábado, 28 de novembro de 2020
A desconstrução do verso, de Haroldo de Campos
O concretismo foi
engendrado em São Paulo, na década de 1940, por Haroldo e Augusto de Campos,
Décio Pignatari, José Lino Grünewald, entre outros. No concretismo, a arte
materializa (concretiza) visualmente o que expressa, por meio de diversos
recursos. Na poesia concreta, o texto não se vale da palavra só como elemento
de significado; vale-se dela como elemento também imagético, sonoro,
ideogramático, ideográfico. No concretismo, enfim, a palavra é um “tijolo”, que
participa da construção de uma mensagem visual, sonora, transmitida por uma
sintaxe ideogramática. Disponível em: https://www.osul.com.br/a-poesia-concreta.
Acesso em: 28/11/2020.
Caetano Veloso faz
referência ao movimento concretista, no trecho da canção “Sampa”.
Alguma coisa acontece
no meu coração
Que só quando cruza a
Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu
cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta
de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Sérgio Lopes
(Jornalista, Professor, Especialista em TV, Cinema e Mídias Digitais)
