quarta-feira, 20 de maio de 2026

O Caixão Não Reconhece Classe Social

 

“Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa.” A frase do escritor brasileiro Lima Barreto ainda é relevante ao demonstrar a fragilidade das barreiras sociais impostas pela sociedade. Ao tratar de experiências extremas comuns à condição humana, sem considerar diferenças sociais ou raciais, o autor convida o leitor a refletir sobre desigualdades e discriminação. Nascido em 1881, no Rio de Janeiro, Lima Barreto ganhou relevância na literatura brasileira no começo do século XX. Filho de pais negros, enfrentou um país que defendia igualdade apenas no discurso, Barreto escreveu sobre um Brasil que pregava progresso, mas mantinha exclusões. Seu livro mais lembrado é Triste Fim de Policarpo Quaresma, crítica à sociedade e ao nacionalismo da época. Ao longo da vida, o escritor carioca enfrentou pobreza, racismo e o abandono de uma nação que preferia tratar a loucura em hospícios a discutir suas causas. A própria trajetória influenciou uma escrita ácida, direta e crítica. Mais de cem anos depois, seus textos continuam atuais diante de problemas sociais que persistem. A frase de Lima Barreto ironiza uma sociedade obcecada por status, mas que descobre, diante da doença, da loucura e da morte, que privilégios não garantem imunidade. Uma crítica ainda atual em um país onde desigualdade muitas vezes segue tratada como rotina.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

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