A primeira-dama Janja
Lula da Silva manifestou solidariedade à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e
à senadora Damares Alves após os ataques sofridos pelas duas nas redes sociais
durante a crise interna do campo bolsonarista. A declaração foi dada em entrevista
à Folha de S.Paulo e ao UOL. A controvérsia começou quando Michelle tornou
público um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando
ter sido desrespeitada e humilhada pelo enteado durante discussões sobre os
rumos do Partido Liberal (PL). Em seguida, Damares Alves saiu em sua defesa. Ao
comentar o caso, Janja afirmou que a violência contra as mulheres não pode ser
relativizada por diferenças políticas. "A misoginia não tem lado. Não tem
direita, nem esquerda, conservador ou progressista. Ela atinge todas as
mulheres igualmente." A primeira-dama também defendeu a aprovação do
projeto de lei que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito e
discriminação. O episódio expõe um problema que vai além da disputa política: o
fanatismo. Quando a política substitui o diálogo pela hostilidade, adversários
passam a ser tratados como inimigos e o debate dá lugar aos ataques pessoais.
Quem perde é a democracia. A pergunta que fica para os fanáticos da esquerda e
da direita é simples: vale a pena defender um líder político a qualquer custo,
atacando e desumanizando quem pensa diferente? Ou a verdadeira democracia exige
respeito, diálogo e a capacidade de conviver com opiniões divergentes? Se a
política serve apenas para dividir e alimentar o ódio, quem realmente sai
vencedor?
Sérgio Lopes Jornalista
Texto publicado no Blog
dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em
comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado
pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de
consciência, sensibilidade e liberdade.

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