Nicolau
Maquiavel, autor de “O Príncipe”, não tratava a política como um jogo de
inocentes. Enxergava o poder como ele realmente é: uma luta permanente por
domínio, interesses e controle. Ainda hoje, a pergunta permanece
desconfortavelmente atual... Quando a corrupção é aceita, o abuso é tolerado e
a lei se curva aos interesses de quem manda, quem ainda pode falar em
liberdade? No atual cenário político, a divisão se aprofunda, as instituições
perdem credibilidade e a desconfiança avança. A descrença no STF (Supremo
Tribunal Federal) ganha força, enquanto a disputa entre os Poderes transforma a
crise institucional em rotina. Maquiavel provavelmente reconheceria o cenário.
Uma democracia não apodrece apenas pela ação dos corruptos, mas pela tolerância
de quem os aceita, os defende e transforma a corrupção em rotina. A impunidade
também se alimenta de cidadãos que trocam princípios por fanatismo e defendem o
erro quando o criminoso veste a camisa do próprio lado. Para quem escolhe
político como time, justiça virou questão de torcida. A escravidão moderna não
precisa de correntes. Basta a submissão de quem troca a própria consciência
pela defesa de quem está no poder. Maquiavel estudou os governantes. A
democracia exige homens e mulheres dispostos a fazer o que eles mais temem:
fiscalizar, questionar e impor limites. Quem exerce o poder se incomoda quando
encontra uma sociedade que enxerga a manipulação, questiona discursos e se
recusa a obedecer cegamente. Em conclusão, quem mantém o povo de joelhos: o
governante que pisa no pescoço ou o eleitor que, por covardia e conveniência,
segura a própria coleira e ainda chama isso de liberdade?
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/a-escravidao-consentida.html), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

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