A
declaração de Millôr Fernandes é marcada pela ironia e expressa uma vivência
que se repete na vida política do país. Quem é responsável pelo problema
recorrentemente surge como refém das situações. A responsabilidade é
transferida para o adversário, para a crise ou para problemas herdados. Por sua
vez, os agentes responsáveis sempre encontram uma desculpa conveniente para
sair de cena. A narrativa muda, os culpados mudam, a conta, porém, chega ao
cidadão. É o conhecido jogo de mudar a versão para preservar os protagonistas. Quando
o erro nunca tem dono, a impunidade já sabe onde morar. A sociedade que aceita
qualquer explicação acaba tratando o absurdo como algo normal. A democracia não
combina com memória conveniente, os governantes esquecem e os eleitores
deveriam lembrar. Portanto, os ratos já foram identificados. E a conta, quem
paga?
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/os-ratos-conta-e-culpa.html),
em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço
criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como
forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

Todos! De uma forma honesta outras por desonestos. Nada fica impune diante de Deus.
ResponderExcluirAssim seja.
ResponderExcluir