Antes
de 4 de outubro de 2026, os políticos se aproximaram do povo em busca de votos.
Abraçaram, beijaram, apertaram mãos, fizeram promessas e chamaram eleitores
pelo nome. Na campanha, conquistar a vaga era prioridade. Encerrada a disputa,
a relação muda. O discurso perde espaço, a proximidade desaparece e o
compromisso fica para depois. O abraço não chega ao mandato. Quem recebeu a
cadeira deveria lembrar quem colocou seu nome na urna. Voto contado, promessa
esquecida e pé na bunda. A eleição acaba, o mandato começa e as promessas ficam
pelo caminho. Quem acreditou que espere a próxima campanha. Em 2026, a lição
continua: para certos políticos, o eleitor serve até a apuração. Depois, sai de
cena. E depois de entregar o voto, o eleitor espera o quê: um abraço ou outro
pé na bunda?
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/10/voto-na-urna-pe-na-bunda.html),
em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço
criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como
forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

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