quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Clube da Esquina 2


Porque se chamava moço

Também se chamava estrada

Viagem de ventania

Nem lembra se olhou pra trás

Ao primeiro passo, aço, aço….

 

Porque se chamava homem

Também se chamavam sonhos

E sonhos não envelhecem

Em meio a tantos gases

lacrimogênios

Ficam calmos, calmos, calmos

 

E lá se vai mais um dia

 

E basta contar compasso

e basta contar consigo

Que a chama não tem pavio

De tudo se faz canção

E o coração

Na curva de um rio, rio…

 

E lá se vai mais um dia

 

E o Rio de asfalto e gente

Entorna pelas ladeiras

Entope o meio fio

Esquina mais de um milhão

Quero ver então a gente,

gente, gente…

Flávio Venturini

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Tecendo a Manhã.

"Um galo sozinho não tece a manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro: de outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzam
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
 (a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão".
João Cabral de Melo Neto

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

O trabalho análogo à escravidão no Brasil

 

O trabalho escravo durou mais de três séculos no nosso país. O Brasil foi a última nação ocidental a abolir a escravidão no mundo.  Contudo, o trabalho escravo ainda é marcante na atualidade... De acordo com informações recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), estima que existam pelo menos 12,3 milhões de pessoas submetidas a trabalho forçado em todo o mundo, e no mínimo 1,3 milhão na América Latina. Estudos já identificaram 122 produtos fabricados com o uso de trabalho forçado ou infantil em 58 países diferentes.  Conforme a OIT, calculou em US$ 31,7 bilhões os lucros gerados pelo produto do trabalho escravo a cada ano, sendo que metade disso fica em países ricos, industrializados... Em consequência disso, milhões de pessoas vivem em circunstâncias humilhantes de trabalho. A  submissão por dívida, a ocupação coagida e até a jornada fatigante. Em síntese, Abraham Lincoln, o ex-presidente norte-americano  que libertou os  escravos dos Estados Unidos, disse: "Se a escravatura não é má, nada é mau”.

 Sérgio Lopes (Jornalista, Professor, Especialista em TV, Cinema e Mídias Digitais)

quinta-feira, 29 de julho de 2021

A Rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida.
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Vinícius de Moraes

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Um coração bate no peito dos Professores Contratados

 

A educação é, foi e sempre será desprezada pelos governantes... Desde 1500 até os dias atuais, os governantes nunca priorizam o sistema educacional. As políticas públicas de educação são precárias. As salas de aula estão superlotadas, os equipamentos estão quebrados, os salários são pífios, a exploração do trabalho remoto em tempos pandêmicos é real, a burocracia e a tecnocracia são excessivas... Os políticos afastados do poder adoram criticar o modelo educacional e os gestores empossados não resolvem os problemas... As siglas partidárias fazem promessas mirabolantes, somente na época da campanha eleitoral, tais como: "No meu mandato, nós vamos realizar o concurso”. “Nós vamos implantar a educação integral”. “Nós vamos valorizar o salário dos profissionais da educação". Infelizmente, uma parte considerável de professores acredita nos projetos utópicos. Nas épocas dos pleitos eleitorais, os sindicatos da Educação fizeram ou ainda fazem campanhas para o prefeito ou prefeita sindicalizados. Ademais, quase todos sindicalistas eram ou são filiados aos partidos.  Nas eleições municipais de 2020, alguns candidatos professores reelegeram e outros se tornaram políticos. Contudo quando assumiram, muitos repetiram ou repetem os mesmos erros dos antecessores. Não fizeram ou não fazem nada de inovador, tomaram ou tomam medidas (antipáticas, autoritárias, medíocres) contra os docentes. Na principal cidade da Zona da Mata Mineira, os professores da Rede Municipal de Ensino, sobretudo, os contratados não têm o mínimo de valor. Neste mês de julho, eles não terão direito às férias ou recesso. Serão “acolhidos“ e “obrigados” a participar da formação planejada pela Secretaria de Educação, considerando ao eminente retorno das aulas presenciais nas escolas. Os professores contratados são escravos. Que no peito dos professores contratados... No fundo do peito bate calado. Que no peito dos professores contratados. Também bate um coração. Enfim, os Sindicatos são reféns da classe política brasileira.  Os direitos dos professores estão sendo aniquilados. Vamos celebrar a destruição do magistério! Viva o Lulapetismo! Viva o Bolsonarismo!  Viva a polarização!

Sérgio Lopes (Jornalista, Professor, Especialista em TV, Cinema e Mídias Digitais)


domingo, 27 de junho de 2021

O Fanatismo está matando a Sociedade Brasileira

 

As principais lideranças do partido político apropriaram-se do dinheiro do povo, foram encarceradas, fizeram acordos espúrios com empresas particulares.  Contudo, você é apaixonado pela sigla partidária. Não acredita nas informações veiculadas pela mídia e continua defendendo fervorosamente a cúpula política. Os times de futebol A, nos anos (1960, 1970,1980), conquistaram títulos. Porém não obteve mais triunfos.  Fizeram e fazem campanhas medíocres e não seguiram na elite futebolística. As equipes B ergueram taças, sofrem acusações de serem extremamente beneficiadas pela arbitragem da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Os clubes C venceram torneios cobiçados, mas foram destruídos pela ganância e corrupção dos dirigentes. O momento é delicado para os times A, mas alguns adeptos não aceitam a realidade e vivem das glórias passadas. Uma parte de admiradores das agremiações B acha que são imbatíveis e vencerá todas as competições. Segundo alguns torcedores, “nós somos os maiores, vamos ganhar tudo”. Uma quantidade de fãs do time C ignora a crise financeira, aposta no peso da camisa, acha que conseguirá atingir o objetivo.  Outra parte acredita nos patrocínios e aspira ao título esperado por décadas. O cidadão é instruído, porém não aceita a opinião de ninguém, exceto dos (irmãos, irmãs, familiares).  Conversa a respeito de política com alguns amigos.  Um deles disse: “O senhor Enéas Carneiro disputou as eleições presidenciais por três vezes, em 1989, 1994 e 1998”. O sapiente não concorda, liga para a irmandade e eles confirmam o que o fulano falou. Então, aceita a afirmação como verdadeira. Diante desta possível realidade, o primeiro caso é considerado fanatismo político.  O segundo é fanatismo futebolístico e o terceiro é fanatismo familiar.  Segundo o site https://www.dicio.com.br, fanatismo é excesso de admiração (cega e veemente) demonstrada por algo ou por alguém.   O pensamento do fanático atrasa a percepção da verdade e incorpora ações ilógicas e descontroladas. Enfim, como afirmou François Marie Arouet, mais conhecido pelo pseudônimo Voltaire, “Quando o fanatismo gangrena o cérebro, a enfermidade é incurável”.

Sérgio Lopes (Jornalista, Professor e Especialista em TV, Cinema e Mídias Digitais)


segunda-feira, 14 de junho de 2021

Carta aberta aos Vereadores de Coronel Pacheco

 

Coronel Pacheco, 14 de junho de 2021.

           Ilustres Vereadores Pachequenses,

            Em decorrência da pandemia do novo coronavírus, o Brasil e o mundo enfrentam problemas com internações, mortes, sofrimentos, crise econômica, falta de oportunidade de trabalho e isolamento social.  Em tempos pandêmicos, milhões de pessoas estão com suas vidas transformadas. A rotina alterada, as mudanças no trabalho e, sobretudo, as relações humanas são marcas profundas da Covid 19.  

             O município de Coronel Pacheco também sofre com suas dificuldades. Infelizmente, já ocorreram óbitos... A atual gestão adotou e ainda adota medidas de combate ao coronavírus. Contudo, uma possível crise econômica mundial do pós-pandemia pode provocar o risco de uma recessão generalizada e elevar a desigualdade social.  O desemprego, a fome, a miséria podem gerar situação de risco e vulnerabilidade social para milhões de indivíduos e famílias.                       

              Diante desta possível realidade, o planeta pós-covid 19 ainda é uma incógnita. O nosso município poderá ser afetado... Excelentíssimos Senhores Vereadores, qual é a percepção oportuna a respeito da disseminação e do fim do SARS-CoV-2? No cenário pós-pandemia, o que Coronel Pacheco precisaria para se desenvolver nas áreas da: (Educação, Saúde, Saneamento Básico, Infraestrutura, Agricultura, Outras)? A população pachequense quer respostas. Deus os proteja.  Deus abençoe o povo de Coronel Pacheco.

Jornalista e Professor Sérgio Lopes