terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Nem Toda Verdade Educa

 

Há uma linha fina, quase cínica, entre crítica construtiva e violência verbal. Uma expõe falhas; a outra coleciona cicatrizes. A crítica que presta nasce de intenção clara, aponta saídas e dispensa espetáculo. Não precisa de plateia nem de humilhação pública para parecer inteligente. Apoia-se em fatos; o resto é vaidade. Considera circunstâncias, não posa de superior. Quer compreensão, não aplauso. A crítica que fere não quer corrigir, quer ganhar. Chama brutalidade de honestidade, troca análise por rótulo e vende destruição como franqueza. Não forma, interrompe, não educa, abafa... Sufoca potenciais ainda imaturos antes mesmo de saber se cresceriam. No fim, o incômodo é simples e pouco nobre, o que lapida ou dilacera raramente está no que se diz. Está na crueldade, quase sempre silenciosa, quase sempre vaidosa de quem escolhe dizer.

Sérgio Lopes – Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

 

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