O cenário político e as instituições são
marcados por uma postura excessivamente formal. Na comunicação política
brasileira, esse formalismo se manifesta, por exemplo, na leitura protocolar,
na abordagem excessivamente conceitual, no tom institucional rígido, na
exposição técnica e detalhada e no uso de linguagem elaborada. Nas
organizações, essa rigidez também se evidencia em expressões como: no INSS: “O
requerente deverá aguardar deliberação.”; no Banco Central do Brasil: “O
cenário requer acompanhamento sistemático.”; no Senado Federal: “Encaminha-se a
presente proposição para devida análise.”; no Supremo Tribunal Federal: “Data
venia, requer-se a apreciação do pleito.”; e na USP: “O discente deverá
regularizar sua situação.” Contudo, nos bastidores do poder, figuras públicas e
ocupantes de funções estratégicas adotam uma fala igualmente calculada, mas nem
sempre adequada. Com frequência, recorrem a termos pouco apropriados. Assim, o
excesso de formalismo é tolerado tanto pelas elites quanto pela população. Ao
mesmo tempo, o uso recorrente de expressões de baixo nível evidencia a
normalização de condutas problemáticas na vida pública brasileira.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.
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