quinta-feira, 21 de maio de 2026

A República dos Covardes Bem Relacionados

 

Em ambientes de poder, mérito nem sempre é o principal critério para ascender. Em muitos casos, cultivar alianças convenientes parece trazer resultados mais rápidos do que defender opiniões próprias. Cercados por aplausos seletivos e concordâncias automáticas, muitos líderes passam a tratar bajulação como fidelidade, enquanto qualquer crítica minimamente sincera ganha status de afronta imperdoável. O problema é que relações sustentadas apenas por conveniência costumam durar exatamente até o instante em que deixam de oferecer vantagem. Quem hoje demonstra lealdade absoluta pode amanhã trocar de posição com a mesma rapidez com que adapta o próprio discurso às circunstâncias. Ainda assim, o teatro segue lotado: concordâncias instantâneas, aplausos calculados e uma impressionante vocação para transformar conveniência em virtude e bajulação em carreira.  Em última análise, esse tipo de convivência produz ambientes artificiais, onde manter as aparências costuma valer mais do que qualquer traço de honestidade. E enquanto alguns acreditam estar cercados de aliados leais, talvez estejam apenas acumulando profissionais da conveniência, sempre prontos para mudar de lado conforme o vento do poder.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

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