A
frase de P. J. O’Rourke, “Todos querem salvar a Terra; ninguém quer ajudar a
mãe a lavar a louça”, é atual e revela que há uma distância curiosa entre
querer salvar o mundo no discurso e não conseguir nem ajudar a mãe dentro de
casa. Nas redes, não faltam candidatos a salvadores do planeta. Dentro de casa,
o salvador do planeta vira criança mimada: deixa louça, roupa e bagunça pelo
caminho e espera que a mãe faça o serviço que ele não tem disposição para
fazer. É curioso cobrar justiça do mundo enquanto se trata a própria mãe como
empregada da casa. Querem consertar a sociedade, mas não conseguem sequer
assumir a parte que lhes cabe dentro de casa. Responsabilidade não nasce de
hashtag, postagem indignada ou discurso de rede social. Começa quando o
militante de sofá larga o celular, levanta da cadeira e assume o que lhe cabe.
Lavar a louça, guardar a própria bagunça e colaborar em casa não rende curtida,
mas revela caráter. É fácil posar de cidadão consciente diante da tela; difícil
é sair do conforto e fazer o básico sem precisar ser cobrado. A Terra pode
esperar. A louça, não. E quem pretende salvar a humanidade, por que não começa
tirando a própria mãe da escala de serviço?
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/09/quer-salvar-humanidade-mas-usa-mae-de.html), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

Ao ler este texto me deu uma saudade imensa dos meus pais! Todos os dias marcavam tarefas para nós cumprirmos. Se não fizessem , não teríamos a hora de brincar. Tá faltando autoridades dos pais. O ensinar começa deste de criança. .
ResponderExcluirA geração de ferro é o grande exemplo que temos.
ResponderExcluir