De 1500 a
1822, o Brasil foi colônia de Portugal. Entre 1808 e 1821, sob o governo de Dom João VI, a
corte portuguesa foi transferida para o Brasil, que passou a sediar o governo,
resultando em transformações políticas, econômicas e sociais, como a abertura
dos portos e a criação de instituições. Em 1822, o monarca português já havia
retornado a Lisboa e deixou seu filho Dom Pedro I como príncipe regente no
Brasil. Com a pressão pela volta de Pedro, o território nacional corria risco
de perder autonomia ou cair sob controle instável. Diante de um cenário
iminente de independência, Dom João VI teria dito a Dom Pedro I: “Pedro, se
o Brasil se separar de Portugal, antes seja para ti, que me hás de respeitar,
do que para algum desses aventureiros”. Entre 7 de setembro de 1822 e 24 de fevereiro
de 2026, o nosso país passou por diferentes regimes: Império, República, fases
democráticas e períodos autoritários, com lideranças e contextos diversos. O afastamento de Portugal foi mais uma
reconfiguração de poder do que um processo de emancipação popular. O estado brasileiro
se constitui formalmente livre, porém sob condução das elites, limitando a
participação popular. A independência manteve privilégios, sem ampliar de forma
efetiva a participação democrática. Ao longo do tempo, observa-se a
substituição de lideranças, enquanto as estruturas permanecem em grande medida
inalteradas. A retórica se transforma, mas o poder permanece concentrado. A política
brasileira apresenta alternância de lideranças, com relativa continuidade nas
práticas. Entre 1822 e 2026, a autonomia anunciada permanece condicionada. A
ideia sugere que mudanças são admitidas desde que preservem a influência das
elites. Assim, a independência se consolida com limites institucionais e
sociais. No fim, “aventureiro” é o vendedor de milagre vencido, grita mudança,
entrega mesmice e ainda exige aplauso. Promete ruptura, pratica adaptação, sempre
a favor de si. Democrático no palanque, seletivo no poder, troca o slogan,
mantém o vício. A novidade é só maquiagem; o resto é o mesmo jogo, mais cínico.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.
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