Segundo
o jornal Estado de Minas, a chamada Operação Sem Desconto, conduzida pela
Polícia Federal do Brasil em parceria com a Controladoria-Geral da União, investiga
um esquema que pode ter drenado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e
pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social entre 2019 e 2024. O método
era quase elegante na sua simplicidade, descontos associativos não autorizados
aplicados diretamente em aposentadorias e pensões. As entidades prometiam
convênios médicos, auxílio funerário e outros confortos de catálogo. Na
prática, entregavam algo bem mais concreto, um pequeno desaparecimento mensal
de dinheiro. O mecanismo que permite esse tipo de desconto existe desde 1991.
Ficou décadas funcionando discretamente, até descobrir, por volta de 2019, que
podia operar em escala industrial. Em 2022, o Congresso Nacional do Brasil
ajudou involuntariamente no enredo ao eliminar a exigência de revalidação
periódica das autorizações. Resultado, uma autorização que pode durar para
sempre, o sonho de qualquer cobrador automático. No centro da investigação
aparece Alessandro Stefanutto, então presidente do INSS, preso preventivamente
em novembro do ano passado por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal
Federal. Ele é suspeito de manter em postos estratégicos servidores ligados ao
grupo investigado, apesar de alertas internos. Stefanutto, como manda o
roteiro, afirma não ter nada a ver com o assunto. Diante do escândalo, o
Congresso reagiu da maneira tradicional, criou a Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito do INSS. Em Brasília, quando o problema cresce demais, abre-se uma
comissão. É quase um reflexo institucional. No meio da investigação surgiram
extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, foram
registradas 1.531 transações, somando cerca de R$ 19,5 milhões. Parte do
dinheiro circulou entre contas do próprio empresário, algo que, na
contabilidade, pode ser estratégia financeira, ou apenas dinheiro passeando. Os
documentos também mostram três transferências do presidente Lula ao filho,
totalizando R$ 721 mil entre 2022 e 2023. A comissão aprovou a quebra de sigilo
bancário e fiscal de Lulinha, transformando a sessão no que o Congresso faz
melhor: gritos, acusações cruzadas e suspensão dos trabalhos. Pouco depois, o
ministro Flávio Dino, também do STF, anulou a quebra de sigilo. Quando a
decisão chegou, porém, os extratos já tinham circulado pela comissão e pelos
jornais, porque, em Brasília, certas informações têm uma curiosa capacidade de
vazar antes de serem oficialmente protegidas. O resultado é o de sempre, governo
e oposição defendendo versões opostas da mesma história. Enquanto isso, a
investigação continua, e o país aguarda o próximo capítulo, que provavelmente
trará mais números, mais discursos e, como de costume, menos respostas do que
perguntas.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

A situação do Brasil é de vergonha mundial. E que me deixa mais triste, que tem gente que devende . Se deixar eles são os verdadeiros e nós os mentiroso. Tudo que voce relatou tá Internet .Mais o povo tá cego. Ou tá ajudando roubar!
ResponderExcluirA justiça do país é desafinada. Infelizmente, os poderosos sempre são beneficiados.
ResponderExcluir