quarta-feira, 11 de março de 2026

Entre Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva e Flávio Dino: extratos voam, sigilos caem

 


Segundo o jornal Estado de Minas, a chamada Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal do Brasil em parceria com a Controladoria-Geral da União, investiga um esquema que pode ter drenado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social entre 2019 e 2024. O método era quase elegante na sua simplicidade, descontos associativos não autorizados aplicados diretamente em aposentadorias e pensões. As entidades prometiam convênios médicos, auxílio funerário e outros confortos de catálogo. Na prática, entregavam algo bem mais concreto, um pequeno desaparecimento mensal de dinheiro. O mecanismo que permite esse tipo de desconto existe desde 1991. Ficou décadas funcionando discretamente, até descobrir, por volta de 2019, que podia operar em escala industrial. Em 2022, o Congresso Nacional do Brasil ajudou involuntariamente no enredo ao eliminar a exigência de revalidação periódica das autorizações. Resultado, uma autorização que pode durar para sempre, o sonho de qualquer cobrador automático. No centro da investigação aparece Alessandro Stefanutto, então presidente do INSS, preso preventivamente em novembro do ano passado por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Ele é suspeito de manter em postos estratégicos servidores ligados ao grupo investigado, apesar de alertas internos. Stefanutto, como manda o roteiro, afirma não ter nada a ver com o assunto. Diante do escândalo, o Congresso reagiu da maneira tradicional, criou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. Em Brasília, quando o problema cresce demais, abre-se uma comissão. É quase um reflexo institucional. No meio da investigação surgiram extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, foram registradas 1.531 transações, somando cerca de R$ 19,5 milhões. Parte do dinheiro circulou entre contas do próprio empresário, algo que, na contabilidade, pode ser estratégia financeira, ou apenas dinheiro passeando. Os documentos também mostram três transferências do presidente Lula ao filho, totalizando R$ 721 mil entre 2022 e 2023. A comissão aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha, transformando a sessão no que o Congresso faz melhor: gritos, acusações cruzadas e suspensão dos trabalhos. Pouco depois, o ministro Flávio Dino, também do STF, anulou a quebra de sigilo. Quando a decisão chegou, porém, os extratos já tinham circulado pela comissão e pelos jornais, porque, em Brasília, certas informações têm uma curiosa capacidade de vazar antes de serem oficialmente protegidas. O resultado é o de sempre, governo e oposição defendendo versões opostas da mesma história. Enquanto isso, a investigação continua, e o país aguarda o próximo capítulo, que provavelmente trará mais números, mais discursos e, como de costume, menos respostas do que perguntas.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


2 comentários:

  1. A situação do Brasil é de vergonha mundial. E que me deixa mais triste, que tem gente que devende . Se deixar eles são os verdadeiros e nós os mentiroso. Tudo que voce relatou tá Internet .Mais o povo tá cego. Ou tá ajudando roubar!

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  2. A justiça do país é desafinada. Infelizmente, os poderosos sempre são beneficiados.

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