quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Inteligência Fora de Serviço

 

A figura do burro, animal da família dos equídeos, observa o cérebro humano e lança a pergunta: como é que se usa isso? A cena ironiza a distância entre possuir capacidade intelectual e, de fato, utilizá-la. A ignorância ali não é zoológica; é humana. O cérebro não simboliza conhecimento, no entanto potencial desperdiçado. Ter mente não garante raciocínio; habilidade não exercida apodrece. A pergunta expõe o ponto crítico da espécie: temos o recurso, faltaram preparo e disposição. A ignorância contemporânea não nasce da escassez, porém da recusa em aprender. Pensar incomoda; repetir tranquiliza. O burro trava, o humano empurra o pensamento para fora. Entre sentir e pensar, escolhe a preguiça. O cérebro assiste ao próprio desperdício, reduzido a ornamento de vaidade. O problema nunca foi a falta de inteligência, mas o desprezo deliberado pelo pensar.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

Um comentário:

  1. Falta de leitura e desconhecimento. Forma seres incapacidade ver a lógica. Um Feliz Ano novo! Você é família.

    ResponderExcluir