No
cenário atual, observa-se que parte da população tem adotado condutas que destoam do habitual e queda de reconhecimento de outros nas relações sociais. O Cláudio Duarte, pastor, conferencista, escritor, empresário e
apresentador, é conhecido pelo uso de humor em palestras e pregações sobre
temas religiosos, como sexualidade e casamento. Recentemente, Duarte fez uma
declaração que gerou polêmica: “Temos uma geração estranha que põe os filhos na
creche, os pais no asilo e vai passear com os cães na praça”. A afirmação
caracteriza-se como uma análise de ordem ética. Porém, reduz uma circunstância complexa
a uma interpretação simplificada. Colocar filhos em creches não caracteriza
abandono; frequentemente decorre de necessidades econômicas. Encaminhar idosos
a instituições pode garantir cuidados especializados, sem implicar negligência
afetiva. Ainda assim, a frase evidencia um ponto sensível, há indícios de
inversão de prioridades nas relações sociais. Verificam-se casos em que
vínculos são delegados e o afeto passa a ser tratado como elemento secundário.
O passeio com o cachorro vira o álibi perfeito, um símbolo conveniente para
disfarçar prioridades bastante seletivas. Ironia? Discursa-se muito sobre
“qualidade de vida”, enquanto a presença real se torna cada vez mais rara. A
crítica funciona porque exagera e, só assim, consegue ser notada. No fundo, não
envolve creche, asilo ou pets; revela uma ausência emocional disfarçada de
rotina. No fim, se incomoda, talvez não seja pela frase, mas pelo que ela
reflete.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário