quarta-feira, 22 de julho de 2026

Bicicletas no Centro: Cadê a Fiscalização?

 


A falta de fiscalização e de medidas efetivas para disciplinar a circulação de bicicletas no Centro de Juiz de Fora levou o engenheiro Antônio Coelho do Nascimento, aposentado e morador da cidade, a encaminhar uma carta aberta à prefeita e aos vereadores. Pedestre que circula diariamente pelo Calçadão da Rua Halfeld e pelo Parque Halfeld, Coelho denuncia o que considera descaso do poder público diante de situações que, segundo ele, colocam em risco principalmente idosos, crianças e pessoas com deficiência. O engenheiro faz uma cobrança direta: mais sinalização, campanhas educativas e fiscalização permanente. Para ele, o problema não é a bicicleta, mas a falta de regras cumpridas e de fiscalização. A manifestação ganhou apoio do jornalista João Valdomiro de Jesus Perpétuo, o Joãozinho Jornalista, de Belo Horizonte. Em vídeo, o jornalista declarou solidariedade a Antônio Coelho e também criticou a inércia dos gestores municipais diante de um problema que, segundo os dois, já se tornou rotina para quem precisa caminhar pelo Centro. A cobrança de ambos é simples e direta: não basta falar em mobilidade urbana e cidade humana. É preciso agir. Se bicicletas circulam irregularmente em espaços destinados aos pedestres, cabe ao poder público fiscalizar e fazer cumprir as regras. Para Coelho e Joãozinho, a omissão diante de problemas cotidianos também é uma forma de descaso com a população. Antes de grandes discursos sobre modernidade e mobilidade sustentável, a Prefeitura precisa garantir o básico: segurança, organização e respeito ao pedestre.

Confira a carta aberta na íntegra:

Carta Aberta à Prefeita e aos Vereadores de Juiz de Fora

Excelentíssima Senhora Prefeita e Excelentíssimos Senhores Vereadores,

Meu nome é Antônio Coelho do Nascimento. Sou aposentado, septuagenário e morador de Juiz de Fora. Caminho diariamente pelo Calçadão da Rua Halfeld e pelo Parque Halfeld. É justamente por viver a cidade a pé que acompanho, há anos, um problema que parece invisível para quem administra o município. As bicicletas deixaram de ser apenas lazer. Hoje são meio de transporte e instrumento de trabalho. O problema nunca foi a bicicleta, mas a ausência de regras efetivamente fiscalizadas e a omissão do poder público. No centro da cidade, tornou-se rotina ver ciclistas circulando pelas calçadas, atravessando sinais vermelhos, trafegando na contramão e disputando espaço com idosos, crianças e pessoas com deficiência. O pedestre, que deveria ser prioridade, passou a caminhar em permanente estado de alerta. O Código de Trânsito é claro. O que falta não é legislação, mas gestão. Enquanto discursos sobre mobilidade sustentável ocupam eventos e redes sociais, falta o básico: organização, fiscalização e respeito ao cidadão. Faço um apelo para que a Prefeitura e a Câmara Municipal promovam um verdadeiro choque de civilidade no Centro de Juiz de Fora. É urgente instalar placas proibindo a circulação de bicicletas nas áreas exclusivamente destinadas aos pedestres, especialmente no Calçadão da Rua Halfeld e no Parque Halfeld, além de ampliar a sinalização, realizar campanhas educativas e garantir fiscalização permanente. Uma placa, sozinha, não resolve. Mas a ausência dela revela uma administração que parece não enxergar um problema vivido diariamente por milhares de pessoas. Os políticos costumam prometer uma cidade mais humana. Talvez seja hora de começar pelo mais simples: devolver as calçadas aos pedestres. Governar também significa cuidar dos pequenos problemas antes que eles se transformem em tragédias.

Atenciosamente,

Engenheiro Antônio Coelho do Nascimento

A mensagem deixada pelo engenheiro Antônio Coelho e reforçada pelo jornalista Joãozinho é clara: o espaço público precisa ter regras, e as regras precisam ser cumpridas. Quando o poder público deixa de fiscalizar, quem perde é justamente o cidadão que deveria ser protegido — o pedestre.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


3 comentários:

  1. Ouvi o áudio, agora lendo o escrito. Me chamou atenção como samos desatentos, não tinha percebido nesta dimensão. O que eu percebi foi o forte odor de urina enfrente o Cine central onde agora vive alguns moradores de rua. Uma pena !

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    1. O poder público é omisso e várias questões básicas da população são ignoradas. Senhor Antônio Coelho,, Joãozinho Jornalista e o meu blog lutamos para despertar o senso crítico das pessoas.

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    2. O poder público é omisso e várias questões básicas da população são ignoradas. Senhor Antônio Coelho,, Joãozinho Jornalista e o meu blog lutamos para despertar o senso crítico das pessoas.

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