A falta de fiscalização e de medidas
efetivas para disciplinar a circulação de bicicletas no Centro de Juiz de Fora
levou o engenheiro Antônio Coelho do Nascimento, aposentado e morador da
cidade, a encaminhar uma carta aberta à prefeita e aos vereadores. Pedestre que
circula diariamente pelo Calçadão da Rua Halfeld e pelo Parque Halfeld, Coelho
denuncia o que considera descaso do poder público diante de situações que,
segundo ele, colocam em risco principalmente idosos, crianças e pessoas com
deficiência. O engenheiro faz uma cobrança direta: mais sinalização, campanhas
educativas e fiscalização permanente. Para ele, o problema não é a bicicleta,
mas a falta de regras cumpridas e de fiscalização. A manifestação ganhou apoio
do jornalista João Valdomiro de Jesus Perpétuo, o Joãozinho Jornalista, de Belo
Horizonte. Em vídeo, o jornalista declarou solidariedade a Antônio Coelho e
também criticou a inércia dos gestores municipais diante de um problema que,
segundo os dois, já se tornou rotina para quem precisa caminhar pelo Centro. A
cobrança de ambos é simples e direta: não basta falar em mobilidade urbana e
cidade humana. É preciso agir. Se bicicletas circulam irregularmente em
espaços destinados aos pedestres, cabe ao poder público fiscalizar e fazer
cumprir as regras. Para Coelho e Joãozinho, a omissão diante de problemas
cotidianos também é uma forma de descaso com a população. Antes de grandes
discursos sobre modernidade e mobilidade sustentável, a Prefeitura precisa garantir
o básico: segurança, organização e respeito ao pedestre.
Confira a carta aberta na
íntegra:
Carta Aberta à Prefeita e aos Vereadores
de Juiz de Fora
Excelentíssima Senhora Prefeita e
Excelentíssimos Senhores Vereadores,
Meu nome é Antônio Coelho do Nascimento.
Sou aposentado, septuagenário e morador de Juiz de Fora. Caminho diariamente
pelo Calçadão da Rua Halfeld e pelo Parque Halfeld. É justamente por viver a
cidade a pé que acompanho, há anos, um problema que parece invisível para quem
administra o município. As bicicletas deixaram de ser apenas lazer. Hoje são
meio de transporte e instrumento de trabalho. O problema nunca foi a bicicleta,
mas a ausência de regras efetivamente fiscalizadas e a omissão do poder
público. No centro da cidade, tornou-se rotina ver ciclistas circulando pelas
calçadas, atravessando sinais vermelhos, trafegando na contramão e disputando
espaço com idosos, crianças e pessoas com deficiência. O pedestre, que deveria
ser prioridade, passou a caminhar em permanente estado de alerta. O Código de
Trânsito é claro. O que falta não é legislação, mas gestão. Enquanto discursos
sobre mobilidade sustentável ocupam eventos e redes sociais, falta o básico:
organização, fiscalização e respeito ao cidadão. Faço um apelo para que a
Prefeitura e a Câmara Municipal promovam um verdadeiro choque de civilidade no
Centro de Juiz de Fora. É urgente instalar placas proibindo a circulação de
bicicletas nas áreas exclusivamente destinadas aos pedestres, especialmente no
Calçadão da Rua Halfeld e no Parque Halfeld, além de ampliar a sinalização,
realizar campanhas educativas e garantir fiscalização permanente. Uma placa,
sozinha, não resolve. Mas a ausência dela revela uma administração que parece
não enxergar um problema vivido diariamente por milhares de pessoas. Os
políticos costumam prometer uma cidade mais humana. Talvez seja hora de começar
pelo mais simples: devolver as calçadas aos pedestres. Governar também
significa cuidar dos pequenos problemas antes que eles se transformem em tragédias.
Atenciosamente,
Engenheiro Antônio Coelho do Nascimento
A mensagem deixada pelo engenheiro
Antônio Coelho e reforçada pelo jornalista Joãozinho é clara: o espaço público
precisa ter regras, e as regras precisam ser cumpridas. Quando o poder público
deixa de fiscalizar, quem perde é justamente o cidadão que deveria ser
protegido — o pedestre.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.
Ouvi o áudio, agora lendo o escrito. Me chamou atenção como samos desatentos, não tinha percebido nesta dimensão. O que eu percebi foi o forte odor de urina enfrente o Cine central onde agora vive alguns moradores de rua. Uma pena !
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir