quarta-feira, 22 de julho de 2026

Emenda Parlamentar ou Moeda Política?

 

Uma investigação da Polícia Federal colocou 30 municípios mineiros no centro de uma apuração que envolve a destinação de milhões de reais em emendas parlamentares e a atuação política do ex-deputado Eduardo Cunha. A decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões de Cunha, trouxe o caso novamente à luz. Segundo a investigação, mesmo sem mandato há quase dez anos, Cunha teria influenciado a distribuição de recursos da Comissão de Saúde da Câmara, direcionando verbas para municípios que poderiam contribuir para a reconstrução de sua base política em Minas Gerais. A suspeita investigada é de peculato-desvio. Os municípios citados e os valores são: Aguanil (R$ 150 mil), Aracitaba (R$ 150 mil), Belmiro Braga (R$ 200 mil), Cambuquira (R$ 100 mil), Carmo do Cajuru (R$ 277.020), Conceição do Rio Verde (R$ 100 mil), Espera Feliz (R$ 169.070), Ewbank da Câmara (R$ 100 mil), Goianá (R$ 103.939), Governador Valadares (R$ 200 mil), Guarani (R$ 250 mil), Itamonte (R$ 250 mil), Lajinha (R$ 330.930), Martinho Campos (R$ 250 mil), Mathias Lobato (R$ 100 mil), Matias Cardoso (R$ 250 mil), Novo Oriente de Minas (R$ 250 mil), Oliveira Fortes (R$ 46.061), Paiva (R$ 200 mil), Pedrinópolis (R$ 60.378), Piau (R$ 300 mil), Poté (R$ 250 mil), Raul Soares (R$ 472.980), Rio Preto (R$ 200 mil), Santa Rita do Sapucaí (R$ 250 mil), Santo Antônio do Aventureiro (R$ 250 mil), São João Nepomuceno (R$ 250 mil), Três Corações (R$ 150 mil), Urucuia (R$ 200 mil) e Varjão de Minas (R$ 590 mil). A PF também investiga o caso de Manhuaçu. Segundo a apuração, Cunha teria pedido que o município fosse retirado da relação de beneficiários por razões políticas, orientando que os recursos fossem destinados a Governador Valadares e a uma associação hospitalar. O episódio levanta uma questão que não pode ser ignorada: emendas parlamentares existem para atender ao interesse público ou podem ser usadas como moeda de influência política? Essa é uma das perguntas que a investigação deverá esclarecer. As suspeitas ainda estão sob apuração e não representam condenação. Mas, diante das eleições de 2026, o caso deixa um recado ao eleitor: não basta olhar para a promessa de campanha; é preciso olhar também para a trajetória, as alianças, as investigações e a forma como cada político utiliza o dinheiro público e exerce o poder. Na hora de votar, informação é responsabilidade. Memória é fiscalização. E voto consciente não combina com esquecimento.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

Um comentário:

  1. Eu tinha visto este comentário. E um que não está aí, o representante dele em juiz de fora ebo vereador Boneco. Ele tentou entrar no PL mais o deputado Nicolas Ferreira foi contra. Igual ele estão um monte por ai. Tem várias cidades . Eu tentei falar com um pessoal de Piau ,todos foram minentes em dizer que desconhece.

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