sexta-feira, 13 de março de 2026

O País do Voto Barato

 

Milhões de eleitores brasileiros escolhem, nas eleições, os representantes dos Poderes Executivo e Legislativo. Entre os cargos em disputa estão Presidente da República, vice-presidente, Governador, vice-governador, Prefeito, vice-prefeito, Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual e Vereador. Muitos eleitores anulam o voto, votam em branco ou simplesmente não comparecem às urnas. Embora seja um direito democrático, essas escolhas afetam o processo eleitoral e a qualidade da representação política. Em geral, refletem insatisfação com candidatos ou com o sistema. Na prática, porém, influenciam a legitimidade dos eleitos e o funcionamento da democracia. Além disso, uma parcela do eleitorado ainda vota sem consciência política. Em muitos casos, o voto é trocado por favores ou benefícios imediatos como:  saco de cimento, caminhão de areia, camisa de time de futebol, engradado de cerveja, churrasco, promessa de emprego ou dinheiro. Quem age assim pouco se preocupa com as questões sociais, econômicas e culturais do país. Em diversas situações, prevalecem a alienação, o fanatismo e o interesse imediato. Sem argumentos para sustentar ideias ou projetos, ignoram os erros de políticos corruptos, rejeitam opiniões divergentes e adotam discursos autoritários. O resultado é a incapacidade de diálogo e convivência democrática, cenário que pode abrir espaço para intolerância, conflitos e até violência.  Conter o extremismo político no Brasil exige mais do que discursos solenes sobre democracia. Requer algo mais raro, disposição para ouvir, questionar, conviver com ideias divergentes um exercício cada vez menos comum em tempos de política tratada como torcida organizada. Liberdade de expressão, diversidade de opiniões e respeito ao contraditório costumam aparecer em discursos oficiais. Na prática, porém, viram conceitos descartáveis sempre que contrariam a paixão partidária da vez. Sem educação política e senso crítico, o debate público se reduz a gritos, slogans e fidelidade cega a líderes. O resultado é previsível: menos reflexão, mais gritaria. A democracia continua de pé, cambaleando, mas ainda funcionando no modo improviso.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

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