quinta-feira, 19 de março de 2026

Eles no luxo. Você no grito

 


Vamos falar de privilégios em alta definição. O primeiro ocupa o cargo mais cobiçado do Brasil atualmente. Tem prerrogativa legal para responder judicialmente em instâncias superiores , ou seja, nada de justiça comum para ele. Recebe salário definido em lei, mora no Palácio da Alvorada, passa fins de semana na Granja do Torto, voa nos jatos da Força Aérea para compromissos oficiais e ainda manuseia cartões corporativos, tudo conforme as normas da administração pública. Conduz o governo, sanciona leis e conta com estrutura oficial para apoiar suas decisões, mas, claro, ainda precisa respeitar os limites constitucionais..., tipo pedir licença ao Congresso para a maioria das coisas. Essas mordomias existem para garantir que ele possa trabalhar “tranquilo” e cumprir suas funções com a máxima eficácia. O segundo já pendurou o terno de presidente, mas não foi largado à própria sorte. Tem direito a segurança pessoal e equipe de apoio, dois veículos oficiais bancados pela Presidência, viagens custeadas pelo Estado com direito a passagens e diárias, tudo pago com o suor do contribuinte. Essa estrutura visa proteger e dar condições mínimas para que o ex-chefe continue circulando pelo palco político sem riscos. E adivinhem quem são esses senhores? O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Curiosamente, ambos compartilham algumas “virtudes”: falar de forma direta, construir legiões de seguidores fanáticos, ostentar imagem pública, governar cercados de ruído e aliados problemáticos, aprofundar divisões sociais e políticas e, claro, provocar amor e ódio quase como uma religião. O líder do PT ainda tem seu histórico de prisão entre 7 de abril de 2018 e 8 de novembro de 2019 na Polícia Federal em Curitiba, com suas condenações da Lava Jato posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal por questões processuais. Já o ex-mandatário da República está preso desde 22 de novembro de 2025, cumprindo 27 anos por conspiração contra a transição democrática, acusado de tentar interferir no processo eleitoral que o sucederia. Diferenças? Claro que existem. Um vem do sindicalismo e defende maior atuação do Estado; o outro, militar e legislativo, priorizou pautas liberais. Um é de esquerda; o outro, de direita. Um fala em inclusão social; o outro grita por conservadorismo. Em resumo, Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro conhecem bem o truque, manter o público em guerra enquanto o circo jamais fecha as portas. Milhões de brasileiros se descabelam, gritam e se estraçalham por nada. Eles brindam, gargalham e aplaudem… O vazio que chamam de espetáculo. Nós? Barulho de plateia, útil durante o período que serve, invisível quando termina.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

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