Os
nossos atos e julgamentos são responsáveis pelas escolhas, ainda que possamos
ter pontos de vista favoráveis ou desfavoráveis acerca de determinadas
circunstâncias. Como dizia o religioso, escritor e orador português,
considerado o principal nome do Barroco na língua portuguesa, Padre Antônio Vieira (1608–1697): “Para haver
verão e inverno, é necessário um ano; e, para haver noite e dia, são
necessárias vinte e quatro horas; mas, para haver mal e bem, basta um só
momento”. A declaração ganha peso incômodo neste caso, o erro não exige
tempo prolongado. Um único ato, praticado às escondidas ou por conveniência, é
suficiente. Denunciar injustamente ou agir contra quem atua de boa-fé não
configura opinião nem procedimento neutro; trata-se de uma escolha consciente,
com efeitos imediatos. A observação de Vieira é direta, o mal tende a ser
rápido, de baixo custo e anônimo; por isso mesmo, impõe responsabilidade moral
a quem o pratica. Há, porém, um contraponto menos confortável, o bem não se
sustenta apenas na intenção. Exige consistência, transparência e coragem
pública. Um gesto covarde resolve rápido, fere em segundos e some no escuro. Já
reparar o erro ou sustentar o que é correto dá trabalho, cobra tempo e exige
dar a cara a tapa. Coragem, ao contrário da covardia, não é instantânea nem
anônima. Em síntese, um instante basta para fazer o errado, e esse atalho expõe
mais sobre quem age do que qualquer justificativa tardia. É fácil estragar;
mais raro é pagar o preço de fazer o certo, item fora de catálogo para muitos.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

Sem comentários. Falou tudo. Parabéns!
ResponderExcluirÉ uma triste realidade .
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