quinta-feira, 30 de abril de 2026

Sotaque não é erro. Arrogância, sim

 

O excelentíssimo senhor Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes ironizou o sotaque do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, durante entrevista ao programa JR Entrevista, da Record, em 22 de abril de 2026. Ao comentar a possível inclusão do governador Romeu Zema no Inquérito das Fake News, o magistrado afirmou que o político utiliza um “dialeto próximo do português” e comparou sua forma de falar ao tétum, idioma oficial do Timor-Leste.  Ilustre integrante da Suprema Corte, o sotaque de Minas Gerais expressa história, identidade e traços culturais da população. Originário das regiões montanhosas, o modo de falar reflete a cultura e o estilo de vida dos moradores de Minas. Expressões como “uai” e “trem” marcam a fala mineira, caracterizada por proximidade e forte identidade cultural. O jeito mineiro de falar pode soar manso, mas não é inferior. O sotaque carrega identidade própria e dispensa validação externa. A forma de expressão tem valor, seja no Brasil ou em Timor-Leste. Quem exerce função pública deve demonstrar respeito à diversidade cultural. A ausência dessa postura compromete o papel institucional e fragiliza a relação com a sociedade. O problema nunca foi o sotaque, é o preconceito tentando se passar por inteligência. Alguns chamam ignorância de opinião e ainda esperam aplauso. Sou mineiro, com orgulho. Minas Gerais não precisa diminuir ninguém para provar que é grande.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade

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