No
século XXI, o espaço das redes sociais tornou-se uma pressão constante por
validação social. O Instagram segue difundindo uma noção de sucesso sustentada
por filtros, textos motivacionais e fotos altamente editadas. Já a realidade
cotidiana se mostra menos idealizada e mais resistente. Vencer, na prática,
ainda é um conceito meio jurássico: comer bem, ter saúde, trabalhar com
dignidade, amar sem algoritmo e sustentar um lar sem pedir curtida em troca.
Mas, nas redes, a régua é outra. Prosperidade agora é cenário bem iluminado e
ângulo certo. Estabilidade? Se não rende foto, nem conta. Paz virou estética de
vitrine premium. Felicidade, performance calibrada para o algoritmo. E a
ansiedade? Esse inconveniente segue fora do enquadramento, não há filtro que
resolva. A ironia do tempo tecnológico é essa, nunca se falou tanto em
“sucesso”, enquanto o básico virou artigo de luxo disfarçado de meta de vida.
No Brasil que corre para caber na era digital, o essencial segue discreto
justamente por não render post. No saldo final, talvez “vencer” não seja
parecer nada, mas viver sem a necessidade patética de provar, o tempo todo, uma
vida que, se fosse tão boa assim, não precisaria de curtida para parecer real.
Sérgio
Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados
(blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de
resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo
Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e
liberdade.

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