No Brasil, escândalo político raramente encerra uma etapa; quase sempre
apenas desloca o foco para o episódio seguinte. Depois do Mensalão e da
Operação Lava Jato, o caso Banco Master devolve ao debate público personagens e
mecanismos que o país conhece há tempo: suspeitas recorrentes, articulações
discretas e pressões exercidas sobre instituições. O episódio volta a aproximar
mercado financeiro, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal... Uma combinação
que, no histórico brasileiro, raramente atravessa períodos de serenidade. Os
nomes se alteram, os discursos mudam de tom, mas a engrenagem de fundo
permanece familiar. O efeito de novas
crises já não se restringe ao impacto imediato das manchetes. Cada
desdobramento acrescenta desgaste institucional, amplia a cautela econômica e
aprofunda uma sensação coletiva de exaustão que há muito deixou de depender de
surpresa. Em parte, considerável da sociedade, consolidou-se uma desconfiança
quase imediata, já não se discute a possibilidade de outro capítulo, apenas o
momento em que ele inevitavelmente surgirá. Combater corrupção, nesse cenário, deixou de
representar apenas resposta jurídica ou exigência ética. Tornou-se também
esforço de contenção de um desgaste mais profundo, o da confiança pública, um
ativo cada vez mais raro e que, no Brasil, frequentemente reaparece fragilizado
antes mesmo de conseguir se recompor.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com),
em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço
criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como
forma de consciência, sensibilidade e liberdade.
Há anos que são os mesmos nomes, não muda de nome se agrega a eles. Uma vergonha e tem gente que devende estas bárbaras.
ResponderExcluirA maioria da população aceita pacificamente os absurdos da política brasileira.
ExcluirPode parecer que é até chatice nossa, enquanto cidadão, ficar pisando nos calos dos agentes públicos, cobrando lisura em seus atos, probidade e zelo com a Coisa Pública, mas infelizmente os "caras" não param. Por um instante sai um esquema, logo em seguida aparece outro, outro é mais outro. Onde vamos parar? Sinceramente, quanta inspiração dessa gente, pois muda -se as cadeiras, mas não mudam os processos, onde roubar, dilapidar, malversar e tantos outros mecanismos são utilizados para solapar os cofres públicos. Porém, eu não desanimo, quero acreditar que ainda teremos uma geração de cidadãos honrados que somente se valerão pelos bons salários que ganham,não por aquilo que querem ter por meio de roubos e falcatruas.
ResponderExcluirPrezado Dalton, concordo com sua explanação. E digo mais , o Brasil é nação jovem em relação aos países desenvolvidos. Os países ricos já enfrentaram os desafios que estamos vivendo. Talvez um dia, a República Federativa do Brasil consiga consiga superar as adversidades.
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