segunda-feira, 27 de julho de 2026

Feminicídio em alta: e a proteção?

 

O Brasil registrou, em 2025, 1.571 feminicídios, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia e aumento de 4% em relação a 2024. O cenário é ainda mais preocupante diante da queda da violência letal em geral. As mortes violentas intencionais recuaram 8% no período, para 40.775 casos, o menor patamar desde 2012. Enquanto a violência geral diminui, porém, o feminicídio avança. Os demais indicadores também acendem o alerta: as tentativas de feminicídio cresceram 6%, a violência psicológica, 17%, o descumprimento de medidas protetivas, 17%, e os casos de stalking (crime de perseguição insistente e repetida contra uma pessoa, causando medo, constrangimento ou perturbação da liberdade e da privacidade) 30%. Para cada feminicídio consumado, foram registradas três tentativas. Os números levantam uma questão inevitável: se a violência letal está caindo no país, por que as mulheres continuam sendo assassinadas em números recordes? O avanço dos feminicídios expõe a fragilidade das medidas de prevenção e proteção e questiona a capacidade do poder público de interromper ciclos de violência antes que terminem em morte. O recorde não é apenas uma estatística: é um sinal de que a proteção às mulheres ainda está muito aquém do necessário.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

 


 


 

2 comentários:

  1. Nada justifica matar. Mulheres correram tanto por seus direitos. Que cada lei que é feita prejudica cada vez as mulheres. Leis branda deste país que leva isto. Direitos iguais matou prisão sem mordomias.

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  2. Os agressores de mulheres deveriam ser punidos severamente...

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