O fundo eleitoral é o principal mecanismo público de financiamento das
eleições no Brasil. Nesse contexto, o Tribunal Superior Eleitoral, por meio do
Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), ampliou sua relevância nas
disputas eleitorais recentes. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o fundo foi
criado em 2017 pelo Congresso Nacional para compensar o fim das doações
empresariais, proibidas por decisão do Supremo Tribunal Federal. A distribuição
e o uso dos recursos seguem regras definidas pela Resolução TSE nº 23.605/2019.
O FEFC financia exclusivamente campanhas eleitorais e é liberado em anos de eleições.
Os recursos, definidos pela Lei Orçamentária Anual, são repassados pelo Tesouro
Nacional ao Tribunal Superior Eleitoral, que os distribui aos partidos conforme
o desempenho eleitoral anterior: 2% igualmente entre as legendas, 35% pelos
votos para a Câmara dos Deputados, 48% pela bancada federal e 15% pela
representação no Senado Federal. Ainda de acordo com o TSE, o fundo eleitoral
passou de R$ 1,7 bilhão em 2018 para R$ 2,03 bilhões em 2020, alcançou R$ 4,9
bilhões em 2022 e 2024 e deve somar cerca de R$ 5 bilhões em 2026, conforme lei
aprovada pelo Congresso Nacional. Para 2026, a minuta do FEFC prevê duas
mudanças, a Secretaria de Planejamento, Orçamento, Finanças e Contabilidade
ficará responsável pela distribuição dos recursos, e os partidos poderão
ajustar os critérios de repasse até 30 de agosto do ano eleitoral, mediante
justificativa. Diante dessa realidade, algumas constatações são inevitáveis: no
país onde faltam recursos para água, esgoto, limpeza urbana e manejo de
resíduos, setores essenciais como saúde, transporte, educação, lazer e cultura
seguem submetidos à precariedade. A escassez persiste, a demanda cresce e a
insuficiência administrativa continua convertendo direitos básicos em promessas
recorrentes. Em síntese, para a população brasileira, a lição fiscal parece
cruelmente objetiva: para água, saúde, transporte e educação, sempre se invoca
escassez; para a engrenagem eleitoral, a restrição desaparece sem
constrangimento. Manter quase R$ 5 bilhões nas eleições de 2026 apenas reforça
um ritual conhecido: o básico espera, enquanto a política garante, antes de
tudo, a própria sobrevivência.
Sérgio Lopes Jornalista
Texto
publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com),
em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço
criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como
forma de consciência, sensibilidade e liberdade.
Não só isto! Ainda tem compra de votos para votar as imendas a favor do presidente. É muita safadeza, mais assim que se elegem os deputados nos municípios quem dá mais. Eles esquecem que são deputados para defender o povo e fazer leis para garantir estabilidade do povo.
ResponderExcluirHá serviços públicos que, antes mesmo de começar, já carregam quatro suspeitas conhecidas: preço inflado, eficiência precária, utilidade discutível e gestão sob desconfiança.
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