quarta-feira, 29 de julho de 2026

Remédio mais barato: finalmente acordaram?

 


Criado em 23 de julho de 2026, o comitê permanente do Ministério da Saúde pretende negociar diretamente com laboratórios os preços de medicamentos destinados ao SUS. A proposta é usar o poder de compra do governo para obter descontos que podem superar 50% e, assim, ampliar o acesso da população a tratamentos de alto custo, especialmente para o tratamento do câncer e de doenças autoimunes. A medida poderá ser aplicada principalmente quando um medicamento é produzido exclusivamente por um laboratório e, por isso, não pode ser adquirido por meio de licitação, além de situações em que remédios já incorporados ao SUS sofram aumentos expressivos. Com um orçamento anual de R$ 31,3 bilhões destinado à compra de vacinas, medicamentos e insumos, o SUS possui um enorme poder de negociação. A questão, portanto, é inevitável: por que uma estratégia semelhante demorou tanto para ser adotada no Brasil? Quantos recursos poderiam ter sido economizados e quantos pacientes poderiam ter sido beneficiados se esse mecanismo tivesse sido implantado antes? Se os descontos forem realmente alcançados, a economia poderá abrir espaço para a incorporação de novos tratamentos e ampliar o atendimento à população. Mas é preciso acompanhar de perto os resultados. Afinal, não basta anunciar grandes descontos ou criar comitês. O verdadeiro sucesso da medida será percebido quando o cidadão conseguir encontrar o medicamento de que precisa, no momento em que precisa, sem enfrentar a velha barreira da falta de medicamentos. Fica, portanto, uma reflexão para todos: se o Estado tem poder para negociar preços menores e economizar bilhões, por que esse poder não foi utilizado de forma mais efetiva antes? Em um país onde milhões dependem exclusivamente do SUS, cada real economizado pode representar mais acesso, mais tratamento e, em muitos casos, mais vidas preservadas. A população merece saber por que foi preciso esperar tanto para que uma medida aparentemente tão necessária finalmente saísse do papel.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (blogdosletradosdesalienados.blogspot.com), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

2 comentários:

  1. Pode ter saído do papel. Mais realidade é bem outra. SUS virou militância, como tudo neste governo. Os remédios são similares e genéricos. Vagas em hospitais estão difíceis. Estão morrendo muita gente por falta de atendimento. Não é o caso da nossa região. Mais 0 Brasil está um caos e. Toda área. Cadê o Roubo gigantesco INSS. Fui vítima tem como provar. Diz que não tenho nada pra receber. Foi entorno de quase cinco mil.

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  2. Em época de eleição, os políticos fazem medidas populares... A redução dos valores dos medicamentos é necessidade urgente.

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