quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Nelson Rodrigues no Divã da Política

O escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues tinha uma brutal incredulidade diante dos  posicionamentos políticos. “Nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política”: uma paixão sem grandeza, que pode impedir o homem de enxergar além de suas próprias convicções. A frase ganha relevância no cenário político atual marcado pela crescente polarização e pelo acirramento do debate público, a política passou, para muitos, a ocupar um lugar central na vida cotidiana. Em alguns casos, deixou de ser apenas debate de ideias e passou a assumir contornos de confronto permanente. Ter convicções não é o problema. A democracia depende de cidadãos atentos à vida pública e dispostos a defender suas ideias. O problema começa quando a paixão política se sobrepõe ao senso crítico. O adversário vira inimigo, os fatos passam a ser filtrados conforme as conveniências e a crítica é confundida com deslealdade. É aí que Nelson Rodrigues permanece atual. Sua provocação não prega a indiferença, mas alerta para os riscos de uma política dominada pela paixão e pela intolerância. Quando o indivíduo só reconhece virtudes no próprio campo e defeitos no adversário, a política deixa de ser debate e se transforma em cegueira. No Brasil de 2026, a lucidez política passa pela capacidade de discordar sem perder o senso crítico. No fim, fica a cena que Nelson Rodrigues saberia descrever como poucos: adultos de joelhos diante do próprio partido, chamando fanatismo de convicção e cegueira de lealdade. A paixão política faz o resto, dispensa o cérebro e ainda exige aplauso.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/08/nelson-rodrigues-no-diva-da-politica.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Futuro? Só depois das eleições

 

O país fala em desenvolvimento, mas mantém uma contradição persistente... Amplia os custos da política, enquanto a valorização de quem forma cidadãos permanece em segundo plano. Em 2026, ano eleitoral, discursos sobre futuro, formação e desenvolvimento voltarão ao centro das campanhas. Promessas ganham espaço; investimentos, nem sempre. Afinal, cuidar do futuro costuma render bons discursos. Na prática, quem atua nas salas de aula ainda enfrenta remuneração, condições de trabalho e reconhecimento aquém da importância da função. Ao passo que campanhas movimentam estruturas milionárias, a formação das próximas gerações segue aguardando prioridade. A questão é simples. Quanto custa manter a política e quanto o país está disposto a investir em quem prepara o futuro? As eleições passam. As consequências das escolhas permanecem.

 

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/08/futuro-so-depois-das-eleicoes.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Fiscaliza Quem?

 

Millôr Fernandes, um dos principais nomes do humor e da crítica política brasileira, ficou conhecido por expor, com ironia, as contradições do poder. Com essa afirmação: “Isso sim é um Congresso eficiente! Ele mesmo rouba, ele mesmo investiga, ele mesmo absolve”, expõe, com sarcasmo, as contradições presentes nas estruturas do poder... Quem fiscaliza também pode precisar ser fiscalizado? No atual cenário político brasileiro, a frase permanece atual diante das denúncias, investigações, disputas partidárias e conflitos institucionais que atravessam o ambiente político nacional. Millôr não fazia da crítica política uma questão de alinhamento partidário. Seu foco estava nas contradições do poder e nos interesses particulares que, muitas vezes, se sobrepõem ao interesse público. A ironia permanece atual quando o próprio sistema investiga e julga seus integrantes. A pergunta, então, é inevitável: quem fiscaliza os fiscais? Millôr fazia humor com a política. O problema começa quando a realidade supera a piada, a ironia vira notícia e o absurdo ganha mandato.

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/08/fiscaliza-quem.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

VOTOU POR PAIXÃO? DEPOIS NÃO CHORE!

 


No dia 4 de outubro, os brasileiros irão às urnas para eleger presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Se houver segundo turno, a votação ocorrerá em 25 de outubro. A campanha eleitoral começou em 16 de agosto, e a propaganda gratuita no rádio e na televisão terá início em 28 de agosto. A partir de 2027, também mudam as datas de posse.  O presidente assumirá em 5 de janeiro e os governadores, em 6 de janeiro. Mais do que acompanhar as campanhas, porém, o eleitor precisa avaliar propostas, histórico, capacidade e coerência dos candidatos. O voto não é apenas uma escolha de nomes: é uma decisão sobre os rumos do país. Em meio a promessas, discursos e propaganda, informação e senso crítico continuam sendo as melhores ferramentas para votar com responsabilidade. Depois não adianta culpar o país, o governo ou “os políticos”. Se você vota por paixão, torcida ou idolatria, não está escolhendo um candidato. Entregou seu voto de bandeja, e a urna, infelizmente, não aceita devolução.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Obrigado por tudo. Agora, tchau

 

A frase tem um charme cruel.  Às vezes, você não foi o amor da vida de ninguém; foi apenas um apoio emocional em uma fase difícil. Chegou quando tudo desmoronava, ajudou a reconstruir, segurou a barra e, quando a pessoa finalmente ficou bem, recebeu o merecido reconhecimento: um belo e conveniente ‘obrigado por tudo’, seguido da dispensa. Há relações assim... Você começa como prioridade, torna-se uma fonte de apoio e termina como uma fase importante da minha vida. Bonito, não? Principalmente para quem saiu com o coração quebrado enquanto a outra pessoa recuperou a autoestima. Há relações em que um oferece apoio durante uma fase difícil, mas não permanece quando ela termina. Afinal, estamos construindo uma relação ou apenas ajudando alguém a atravessar uma fase?

Sérgio Lopes Jornalista

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Amém, Pensar Pra Quê?

 

A frase retrata a diferença entre fé e prática religiosa, no Brasil de 2026, não faltam templos lotados, discursos inflamados e seguidores dispostos a transformar líderes religiosos em autoridades acima de qualquer questionamento. O problema surge quando Deus deixa de ser o centro e a figura religiosa passa a ocupar esse lugar, cercada por idolatria, influência e disputa. Há quem repita fielmente as opiniões de padres, pastores e outras lideranças religiosas, mas pouco conheça os princípios que diz defender. Fé não deveria exigir cegueira, nem qualquer autoridade estar acima de questionamentos. Quando o seguidor deixa de pensar para apenas obedecer, a espiritualidade corre o risco de dar lugar ao fanatismo.  No momento em que a fé exige que o fiel entregue a própria consciência a padres, pastores ou outras autoridades, o pensamento crítico passa a ser tratado como ameaça e a obediência, como virtude. Talvez o fanatismo comece justamente aí: quando o membro da comunidade religiosa conhece mais as palavras de quem conduz do que os princípios que diz seguir. Se questionar virou pecado, fica a pergunta: quem está realmente no altar, Deus ou o dono da verdade?

Sérgio Lopes Jornalista

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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Quem Tem Algo a Ensinar?

 

A frase pode significar o reconhecimento das falhas, as lições dos equívocos e a humildade que o sucesso nem sempre ensina. Em uma nação marcada pela polarização, divergência política e narrativa conveniente, é justamente isso que parece faltar: menos discursos de triunfo e mais abertura para reconhecer erros. No cenário político, como na vida, há quem prefira atribuir os fracassos aos outros e qualquer acerto como certificado de genialidade. Aprender com quem já errou pode ser mais útil do que seguir quem não admite falhas. Num país acostumado a procurar culpados, reconhecer a própria responsabilidade ainda parece ser um exercício raro. Mas, diante de tantos problemas atribuídos aos outros, quem está disposto a assumir sua parcela de responsabilidade não teria mais a ensinar?

Sérgio Lopes Jornalista

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Estudar Está Difícil? O Mato Está Precisando de Você!

Estudar cansa, exige concentração, disciplina e o esforço quase heroico de ficar algumas horas sem o celular.  Pensar dá mais trabalho do que deslizar o dedo na tela.  Para quem acha estudar um sofrimento, fica o convite. Experimente capinar um lote sob o sol! A enxada não aceita preguiça, não dá pausa e, pior, não dá nota por esforço. Aí a desculpa perde até a sombra. No Brasil do século XXI, parte da sociedade quer o resultado sem o processo, diploma sem leitura, profissão sem preparo e sucesso sem esforço. Para que estudar, se é mais fácil reclamar da dificuldade e culpar o sistema? O atalho virou método; a disciplina, quase um defeito de origem. A escola continua cobrando o único preço que não se parcela, esforço. Ignorá-lo não elimina a conta, apenas faz os juros da ignorância crescerem. Estudar pode cansar, mas será que alguém realmente prefere enfrentar o sol, a enxada e o mato em vez de algumas horas de leitura? Se o estudo parece pesado, talvez falte lembrar que capinar um lote não exige apenas esforço: exige suor, dor e disposição. Então, por que tratar o cansaço de estudar como um sacrifício, quando a vida oferece trabalhos muito mais duros?

Sérgio Lopes Jornalista

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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Scooby-Doo Estava Certo: O Monstro Era Gente


A frase de Scooby-Doo de que “os verdadeiros monstros são os humanos” carrega uma reflexão curiosa sobre a realidade. Muitas vezes, o medo é cuidadosamente fabricado pelas aparências, enquanto os verdadeiros perigos caminham livremente entre nós, usando rostos comuns e atitudes consideradas ‘normais’. Ganância, mentira, intolerância e manipulação mostram que os verdadeiros ‘monstros’ raramente usam máscaras de fantasia; eles podem estar presentes em decisões, comportamentos e sistemas construídos pelo próprio ser humano. Mas será que todo ser humano está condenado ao seu lado mais sombrio? Ou ainda existe espaço para escolhas guiadas pela mudança, empatia e solidariedade? A mensagem não condena a humanidade, mas convida à reflexão sobre nossas escolhas. Os maiores desafios talvez não estejam nas sombras, mas na forma como lidamos uns com os outros.  A grande ironia é que os monstros mais perigosos raramente assustam de imediato: alguns até recebem aplausos, cargos e reconhecimento enquanto causam seus estragos.

Sérgio Lopes Jornalista

Texto publicado no Blog dos Letrados Desalienados (https://blogdosletradosdesalienados.blogspot.com/2026/08/scooby-doo-estava-certo-o-monstro-era.html), em comemoração aos 10 anos de resistência crítica e literária do espaço criado pelo jornalista Sérgio Murilo Rodrigues Lopes, dedicado à palavra como forma de consciência, sensibilidade e liberdade.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Andreza se foi. A história ficou.

 

Andreza Ribeiro de Toledo foi uma profissional que fez da saúde e da educação instrumentos de transformação. Educou alunos, cuidou de pacientes e deixou sua marca por onde passou. Guerreira, questionava injustiças, excessos, incompetências e entraves burocráticos que, muitas vezes, dificultavam o trabalho nas escolas, nas unidades de saúde e nos hospitais. Não se calava diante do que considerava errado e defendia, com coragem, aquilo em que acreditava. Fora do trabalho, cultivava um profundo amor pelos pais e pela filha, Vera, que ocupavam lugar especial em sua vida. Também carregava um forte vínculo com Coronel Pacheco, cidade que amava e à qual dedicou parte de sua história. Andreza partiu em 13 de agosto de 2026, aos 50 anos, deixando uma trajetória marcada pelo trabalho, pela coragem, pelo amor à família e pelo compromisso com sua comunidade. Sua voz se calou, mas suas lutas, seus ensinamentos e suas atitudes permanecem.  Algumas pessoas passam pela vida. Outras deixam marcas. Andreza se foi, mas deixou uma história que o tempo não apagará.

Sérgio Lopes Jornalista

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A Corrida Que Esqueceu a Vida

 

 

Muitas vezes, transformamos a própria vida em uma sequência de preocupações e disputas, gastando tempo precioso com problemas que não merecem o peso que damos a eles. Isso não significa abandonar responsabilidades ou deixar de buscar avanços, mas reconhecer que a vida não pode ser reduzida apenas a cobranças, metas e obrigações. A vida exige esforço, objetivos e dedicação, mas a pressão além do razoável pode transformar conquistas em uma corrida vazia. O sucesso perde importância quando deixa para trás os vínculos, os afetos e os momentos que realmente dão sentido à caminhada. Quando a busca por resultados ultrapassa os limites do equilíbrio, a própria vida corre o risco de virar uma competição sem sentido. Valorizar o caminho também significa perceber as pequenas vitórias, os momentos simples e as oportunidades que muitas vezes passam despercebidas. A passagem do tempo revela que muitas preocupações, antes consideradas urgentes, pouco significam diante do que realmente importa. Refletir sobre a vida não é abandonar responsabilidades, mas questionar escolhas e evitar que a busca constante por respostas nos faça esquecer os momentos felizes. Viver melhor também significa aprender a distinguir o que realmente merece nossa atenção. Assim, compreender que a verdadeira realização não está apenas no acúmulo de conquistas, mas na construção de uma história com propósito, torna-se essencial diante da brevidade da existência.

Sérgio Lopes Jornalista

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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Quando a Incompetência Ganha uma Sala com Porta

 


Existe uma diferença enorme entre ocupar uma posição de comando e saber liderar. O chefe medíocre, geralmente, descobre o cargo antes de descobrir a própria competência. Confunde a cadeira que ocupa com inteligência, o medo que provoca com respeito e a obediência que exige com liderança. Sem argumentos para convencer, usa a autoridade como escudo. Grita porque não sabe dialogar, controla porque não sabe confiar e pune porque não sabe desenvolver pessoas. Precisa repetir diariamente quem manda, talvez porque, no fundo, saiba que ninguém o seguiria se tivesse a liberdade de escolher. O chefe autoritário constrói um ambiente onde todos aprendem uma perigosa lição: pensar demais pode ser um problema. Ele pede inovação, mas recompensa a concordância. Exige resultados, mas destrói a motivação. Coleciona funcionários calados e chama isso de disciplina. A ironia é que muitos chefes passam a vida tentando provar que são indispensáveis, mas revelam justamente o contrário, quando se afastam, a equipe respira aliviada e o ambiente melhora. O líder não precisa lembrar que tem poder. Sua postura demonstra. Ele escuta, orienta, assume responsabilidades e prepara pessoas para caminhar sem depender de sua presença constante. No fim, a diferença é simples: o chefe precisa do cargo para ser obedecido; o líder conquista respeito mesmo sem o cargo. Porque autoridade pode vir de uma nomeação. Mas liderança exige algo que nenhum crachá, sala exclusiva ou título de gerente consegue fabricar: competência, humildade e caráter.

Sérgio Lopes Jornalista

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Acaso? Sei

 


Desde 1500, a corrupção aparece em diferentes momentos e setores da história do Brasil, envolvendo política, religião, saúde, Previdência, programas sociais, instituições públicas e até o futebol, paixão de milhões de brasileiros. No esporte, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), apelidada por críticos de “Casa do 7 a 1”, acumula controvérsias e questionamentos sobre sua gestão. A entidade também é alvo frequente de críticas por incompetência e ingerência, fatores que, segundo seus críticos, ajudaram a explicar as decepcionantes campanhas da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026. Em 11 de agosto de 2026, a CBF voltou ao centro das atenções. O sorteio das quartas de final da Copa do Brasil definiu três clássicos regionais: Cruzeiro x Atlético, Palmeiras x Santos e Grêmio x Internacional. O quarto confronto será Vasco x Vitória, duelo que poderia ter sido Flamengo x Vasco caso o clube carioca não tivesse sido eliminado pela equipe baiana. Três clássicos regionais na mesma fase podem, evidentemente, ser apenas uma coincidência. Também oferecem um cenário para grandes confrontos. Mas, diante do histórico de desconfianças que acompanha o futebol brasileiro, o resultado inevitavelmente chama a atenção e alimenta a imaginação dos torcedores. Não se trata de acusar sem provas. Cabe levantar uma questão, em um ambiente marcado por disputas de poder, dinheiro e influência, não deveria ser proibida: foi apenas acaso ou existe algo nesse sorteio que merece ser explicado? A CBF tem a responsabilidade de organizar e preservar a credibilidade do futebol brasileiro. Quando uma entidade com esse peso passa a conviver repetidamente com controvérsias e desconfianças, o problema deixa de ser apenas administrativo. A confiança do torcedor também entra em campo. E, quando o futebol envolve milhões, contratos milionários, influência e poder, a velha pergunta continua válida: foi acaso, incompetência ou há interesses em jogo?

 Sérgio Lopes Jornalista

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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Amém, Meu Político

 

Idolatrar político virou religião moderna, a urna virou templo e o senso crítico, artigo raro. O líder erra, o fã não questiona, apenas atualiza a desculpa. Na torcida política, a moral tem dois pesos: o erro do ídolo vira "plano genial"; o do rival vira "fim do mundo. Em 2026, a polarização criou uma nova modalidade, futebol sem bola, com políticos como ídolos e eleitores como torcedores fanáticos. Há quem defenda político como parente de sangue e trate a própria família como simples espectadora. Para alguns adoradores da política, pensar é perigoso demais; melhor seguir o rebanho e chamar isso de convicção. Quanto mais seguidores o político conquista, mais raro fica encontrar alguém disposto a questionar. A democracia precisa de cidadãos, não de torcidas organizadas com título de eleitor e pensamento terceirizado. Defender tudo do próprio ídolo não é lealdade; muitas vezes é apenas orgulho de não admitir o erro. Político tem mandato com prazo de validade; os problemas deixados para trás costumam durar muito mais. O político ganha o fã; o fã perde a crítica. No fim, quem foi realmente manipulado?

Sérgio Lopes Jornalista

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

A ditadura do sim: proibido dizer não

 

Na atualidade dizer “não” virou quase uma afronta social. Muita gente passa a vida dizendo ‘sim’ para agradar e esquecendo de se respeitar, e depois culpa o relógio pela falta de tempo, O curioso é que quem sempre ajuda costuma ser lembrado apenas na hora do favor. A busca por aprovação transforma gente em atendimento 24 horas. Dizer ‘não vou’ ou ‘não quero’ virou quase falta de educação. Enquanto isso, os aproveitadores agradecem e já preparam o próximo pedido. Ser bonzinho demais é o caminho mais curto para virar o ‘plantão de favores’ de muita gente. O ‘não’ não é grosseria; é a fronteira entre ajudar e ser usado. Só o ser humano se desgasta tentando agradar quem nunca se satisfaz. Quem nunca diz ‘não’ acaba dizendo ‘sim’ para uma vida que não escolheu. Diga ‘não’ sem culpa. Quem se incomoda com seus limites geralmente era beneficiado pela sua falta deles.

Sérgio Lopes Jornalista

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Quando a Política Adoece

Com a aproximação das eleições, cresce o volume de notícias, análises e debates nas redes sociais. O excesso de informações, a polarização e as discussões agressivas podem aumentar o estresse, a ansiedade e até prejudicar o sono. Para evitar a sobrecarga, especialistas recomendam estabelecer horários para acompanhar as notícias, priorizar fontes confiáveis, reduzir o tempo de permanência nas redes sociais e equilibrar o consumo de informação com conteúdos relacionados à cultura, ao esporte e ao lazer. Também é importante evitar discussões improdutivas e reservar tempo para atividades que promovam o bem-estar, como exercícios físicos, leitura, música e contato com a natureza. Você está acompanhando as eleições ou deixando que elas dominem sua saúde mental? Informar-se é um direito; preservar o equilíbrio emocional também. Nas urnas, vale a consciência. No dia a dia, vale cuidar da mente.

Sérgio Lopes Jornalista

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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A conta subiu? Economize e não questione!

 

A conta de energia aumentou? A resposta mais fácil é culpar o consumo. Ar-condicionado, chuveiro elétrico, geladeira, forno e outros aparelhos realmente podem elevar o gasto. Mas será que essa é toda a história? O consumidor paga pela energia que consome, mas também arca com tarifas, impostos, encargos e bandeiras tarifárias. Tudo isso aparece na conta e contribui para elevar o valor final. O problema é que nem sempre fica claro quanto se paga, de fato, pela energia e quanto corresponde a essas cobranças adicionais. Economizar é importante. Evitar desperdícios, reduzir o tempo de uso dos aparelhos e optar por equipamentos mais eficientes pode fazer diferença. Mas há uma pergunta que precisa ser feita: por que a energia custa tanto? Quando a conta aumenta, a orientação é economizar. Mas quem fiscaliza e questiona o alto preço da energia? Será que o consumidor está realmente gastando mais ou simplesmente pagando cada vez mais caro pelo que consome?

Sérgio Lopes Jornalista

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Ciúme ou violência?

 

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve, por unanimidade, a condenação de um homem acusado de beijar à força a ex-namorada em Ubá, na Zona da Mata. A pena é de um ano de prisão, além do pagamento de R$ 1,5 mil por danos morais à vítima. O caso ocorreu em março de 2024, nas proximidades de uma casa de shows. Segundo o processo, após ver a ex-companheira conversando com outro homem, o acusado teria enviado mensagens com ameaças e, posteriormente, segurado os braços da mulher e a beijado contra a vontade dela. Uma testemunha presenciou a situação e acionou a Polícia Militar. A defesa alegou que o episódio foi motivado por ciúmes e que não houve conotação sexual. O argumento não foi aceito. Para o TJMG, o beijo forçado viola a liberdade da vítima e caracteriza importunação sexual. O caso chama atenção para um problema que vai além dos tribunais: o desrespeito à vontade e à autonomia das mulheres. Ciúme não é justificativa para violência, e relacionamento anterior não dá a ninguém o direito de tocar, beijar ou constranger outra pessoa sem consentimento. O corpo da mulher não pertence ao homem, e o “não” não precisa de explicação. O processo tramita em segredo de Justiça.

Sérgio Lopes Jornalista

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Privilégio divino?

 


O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) declarou inconstitucional, por unanimidade, uma lei de Itabirito que reservava vagas de estacionamento para sacerdotes e pastores em hospitais e cemitérios privados. A Lei Municipal nº 4.265/2025 foi contestada pela Prefeitura de Itabirito, que alegou que o município não tem competência para legislar sobre regras aplicáveis a propriedades privadas, matéria de Direito Civil, cuja competência é exclusiva da União. A norma havia sido vetada pelo prefeito, mas o veto foi derrubado pela Câmara Municipal. Seus efeitos já estavam suspensos por decisão liminar. Relatora da ação, a desembargadora Teresa Cristina da Cunha Peixoto entendeu que a lei invadia competência da União ao impor obrigações a estabelecimentos privados. Além disso, destacou que a norma contrariava o princípio do Estado laico ao beneficiar apenas sacerdotes e pastores, deixando de fora líderes de outras religiões e pessoas sem religião. A magistrada também afirmou que a concessão de privilégios deve observar critérios objetivos e o princípio da isonomia. Segundo ela, não havia justificativa para dar tratamento diferenciado a líderes religiosos em detrimento de outros profissionais que também prestam serviços essenciais, como médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. Com a decisão, o Órgão Especial do TJMG declarou a inconstitucionalidade da lei. A discussão vai além da legalidade. Líderes religiosos exercem papel importante em momentos de sofrimento, como hospitais e cemitérios, oferecendo apoio espiritual a pacientes e familiares. No entanto, esse reconhecimento, por si só, justifica um tratamento privilegiado pelo poder público? Em um Estado laico, benefícios concedidos a um grupo específico precisam ter fundamento técnico, atender ao interesse coletivo e respeitar a igualdade entre cidadãos. Do contrário, abre-se espaço para privilégios incompatíveis com os princípios constitucionais e para a exclusão de outros profissionais e representantes de diferentes crenças que também desempenham funções relevantes.

Sérgio Lopes Jornalista

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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Futebol ou balcão de bets?

 

A série “Jogada de Risco”, protagonizada por Cauã Reymond, mergulha nos bastidores pouco glamourosos do futebol e aborda temas como exploração, sexo e o mercado das apostas esportivas. Definida por Reymond como um “proibidão do futebol”, a produção chama atenção pelas cenas de nudez e sexo, mas também coloca em discussão a crescente presença das bets no esporte. O ator, que já fez publicidade para uma casa de apostas, afirma ter rompido o contrato após perceber os impactos da dependência em apostas. Na série, o tema ganha espaço ao mostrar como o futebol pode se transformar em vitrine para um mercado que movimenta bilhões. Reymond interpreta Maurício, ex-jogador e empresário de jovens talentos do fictício clube Atlântico, do Rio de Janeiro. Letícia Colin vive Rita, cafetina que agencia mulheres e mantém jogadores entre seus clientes.

“Jogada de Risco”

Onde: Globoplay

Classificação: 18 anos

Produção: Brasil, 2026

Direção: Bruno Safadi

Elenco: Cauã Reymond, Letícia Colin e Juan Paiva. Mais do que explorar os bastidores do futebol, a série coloca uma questão incômoda: quando as apostas deixam de ser entretenimento e passam a explorar a vulnerabilidade do torcedor? E quem realmente ganha quando o futebol vira vitrine das bets: o torcedor ou as casas de apostas?

Sérgio Lopes Jornalista

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